O eclectismo está na génese do Sporting Clube de Portugal, desde sempre. Talvez nem todos sejamos tão acérrimos apaixonados pelas modalidades (ditas) amadoras mas, mesmo que durante uma época inteira, muita gente não se lembre que elas existem, é sempre motivo de gáudio quando se conseguem títulos, seja em que modalidade for. Se não considera a importância do ecletismo, deixe de ler...
Numa fase (já prolongada) em que a competitividade do Futebol se encontra a níveis demasiados baixos, o ecletismo é ainda mais um suplemento de alma Sportinguista. Preocupam-me, portanto, as notícias que anunciam um abaixamento considerável nos orçamentos para cada delas. Continua a ser verdade que, nas épocas mais recentes, só o Futsal tem consagrado as esperanças leoninas (honra e mérito a toda a secção) mas, ainda assim, o problema não desaparece por se sublinhar este sucesso, no meio de tanto "inêxito".
Dentro das modalidades profissionalizadas, o Futsal é a única que se tem mantido com orçamentos dentro da generalidade, para o nível competitivo que se lhes é pedido (aqui a comparação só pode ser feita com o SL Benfica). No entanto, surgem já notícias do interesse do arqui-rival em futsalistas nossos (no caso, Pedro Cary e Paulinho - que o desmentiram), ainda que o Presidente Bruno de Carvalho tenha assegurado que «o orçamento do Futsal é para manter», após a Final da Taça de Portugal - que ganhámos. Mas será mesmo?! A ver vamos... Lembrar apenas que temos um plantel algo envelhecido, a precisar de uma renovação sustentada sem perder competitividade.
Já o Andebol e o Atletismo (as outras mais expressivas das profissionalizadas, sob a alçada do Clube) têm sofrido cortes orçamentais substanciais ao longo dos últimos 4 anos (mandatos de José Eduardo Bettencourt e Luíz Godinho Lopes). No Andebol, apesar das Taças Challenge e de Portugal - conquistadas recentemente, o título de Campeão Nacional foge há já 7 anos; no Atletismo as consequências são visíveis: o SL Benfica, com quase o triplo do nosso orçamento, "roubou" já ao Sporting CP a hegemonia em Masculinos. Para a próxima época, são anunciados cortes de 50% no Andebol e o abaixamento dos 600 mil € de orçamento no Atletismo: assim, com o "fantasma" do êxodo de atletas para o outro lado da Segunda Circular sempre a pairar, os próximos anos serão, expectavelmente, terrivelmente penosos!
Hóquei em Patins, Rugby e Basquetebol Feminino não entram para já, nestas contas, por serem secções autónomas perante o Clube, e as restantes modalidades (Ténis de Mesa, Judo, Karaté, Pólo Aquático, Ginástica, Natação, etc.), com todo o respeito que me merecem, não têm ainda a mesma expressividade desportiva que as acima supracitadas, nem constituem grandes despesas (algumas, aliás, até dão lucro)...
Numa fase em que o Futebol tem estado (muito) abaixo das expectativas e das esperanças dos Sportinguistas, as modalidades constituem um "refúgio" do orgulho leonino. Submetê-las a cortes desta ordem é, indubitavelmente, um erro de palmatória, sob pena de entrar em competição apenas para marcar presença. Se por obrigação ou não, esperemos pela Assembleia Geral.


Mauro Silva


























