Próximo Jogo

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13/11/2011

Entrevista de Diogo Salomão ao O JOGO


Aqui fica um resumo do essencial que foi dito na entrevista de Salomão ao jornal O JOGO:

Escolheu o Deportivo da Corunha para ganhar balanço e voltar ao Sporting na próxima época. A primeira experiência fora do país está a corresponder às expectativas?

Está a ser muito positiva. Estou a conseguir aquilo a que me propus desde o início quando ingressei no clube, ou seja, fazer muitos jogos, e até alguns golos, que também são sempre importantes. Isso deixa-me satisfeito. Claro que ainda posso evoluir muito, sei disso, tenho consciência dos meus limites e dificuldades. Estou a melhorar no dia-a-dia com novos jogadores, coisas diferentes, coisas novas com jogadores de talento que são muito importantes como é o caso de Valeron, um jogador que já deu muito ao futebol espanhol e é um prazer enorme jogar ao lado dele.

Sente alguma desilusão por não ter permanecido no Sporting, depois de uma época em que deixou indicações positivas?

A decisão foi tomada, por isso, bola para a frente. Estou muito feliz e espero fazer o meu melhor. Não fiquei com qualquer tipo de mágoa em relação ao Sporting, tenho de respeitar essas decisões. Faz parte da vida e do futebol. Apenas tenho de seguir o meu caminho.

O seu contrato com o Sporting até 2014 está blindado por uma cláusula de 30 milhões de euros e o Corunha não tem qualquer cláusula de opção de compra porque o Sporting não autorizou. Vê-se como aposta de futuro?

Se olharmos dessa forma, sim. Emprestaram-me sem opção de compra porque esperam algo de mim, mas não sei. Depende da forma como correrem as coisas esta temporada e da decisão que possam tomar no futuro. Aí sim, saberei se realmente sou aposta ou não.

Rodar foi a melhor decisão?

Não sei se ficasse no Sporting se jogaria com mais regularidade. Estou muito feliz pela época que estou a fazer.

Está mesmo mais jogador?

Sei que posso evoluir mais ao nível das decisões, ser um jogador mais calmo, decidir melhor as jogadas na altura de cruzar ou rematar. Em suma, ter uma melhor perspectiva daquilo que devo fazer em campo. A nível do clube, a adaptação foi muito boa.

É muito acarinhado pelos adeptos quando vai na rua? Sente esse carinho que tanto se fala na Corunha?

Sinto. No estádio, em todas as jogadas em que tenho a bola, os adeptos começam logo a gritar, a incentivar. Sinto muito esse apoio, e isso é importante para dar mais confiança para mudar os jogos. Também noto quando saio dos jogos e vou para casa: as pessoas cumprimentam-me e querem tirar fotos.

Já há quem diga que a emblemática Torre de Hércules é a Torre de Salomão. É verdade?

[risos] Não sei, mas se for, é um bom elogio. É o símbolo da cidade e, se assim for, é um grande elogio dos adeptos. Houve um momento especial que me marcou: uma rapariga que tinha e tem uma camisola com uma fotografia que tirámos no fim de um jogo, com "Salomão 22", e no fim dos jogos está sempre à saída do estádio para tirar uma nova fotografia e ter um novo autógrafo.

No Riazor já se ouve um cântico dedicado a si…

Sim, já ouvi, principalmente nas ruas. Não sei bem como é, mas é qualquer coisa que começa com um "baila como queres" [risos].

Chegou a falar com Domingos Paciência antes de ser cedido por empréstimo?

"Não, nem tive o prazer de o conhecer pessoalmente." Mesmo não tendo estabelecido contacto com o técnico leonino, o extremo tem consciência de estar a ser acompanhado e acarinhado: "Tenho mantido contactos com o Sporting. Sei que estão a seguir de perto o meu trabalho. Falo com elementos da estrutura do clube. Dizem-me para continuar o meu trabalho, que estou no bom caminho."

No dia da apresentação oficial no Corunha, tornou a comparar-se a Ryan Giggs. Porquê?

É um jogador que marcou a minha infância, um excelente jogador, com enormes qualidades. Em alguns aspectos comparo-me com ele, acho que tenho algumas das suas características. Claro que não tenho tanto nome como ele, que já conquistou o mundo do futebol e eu estou no início, mas gostava de lá chegar.

Que características são essas?

Ao nível da velocidade; somos jogadores de linha, de jogo pelo extremo e, além do mais, é um jogador que me marcou.

Joga com a camisola número 22, mas antes era o 33 no Sporting. Falta o 11 para ser mais Giggs?

Já joguei com esse número no Casa Pia, como sénior. Não me importo de jogar com qualquer número, mas o 11 é o que gosto mais, também por causa do Giggs.

Sendo um extremo, que actua preferencialmente pela esquerda, como tem visto o rendimento do rival Diego Capel e dos outros?

Está a fazer uma época extraordinária. Na direita, ainda não conheço o Jeffrén o suficiente, pois lesionou-se logo, mas faz falta o Izmailov, que é um grande jogador.

Acha que conseguiria bater um jogador como Capel?

Não sei. Teríamos de ver se lá tivesse ficado.

Olhando para o futebol português e para o Sporting, vemos uma equipa bem diferente...

Não tenho visto muitos jogos, o último que vi foi contra o Vaslui, para a Liga Europa, e gostei muito daquilo que vi. Fizeram um excelente jogo. É uma equipa muito mudada, com mais determinação, e que está no bom caminho.

No contacto que mantém com os seus anteriores colegas, encontra a determinação que evidenciam no campo?

Estão com a confiança em alta, o início do campeonato não foi bom, não esperavam arrancar assim, mas agora estão mais próximos do que ambicionam. Isso nota-se, estão confiantes, dizem-me que estão com muita ambição e esperam grandes conquistas esta época, e a verdade é que podem consegui-las, pois nada está perdido.

Todas as mudanças efectuadas no plantel justificam que se coloque o Sporting mais atrás na luta pela Liga face a FC Porto e Benfica?

Sem dúvida que as mudanças influenciam. Os jogadores novos têm de se adaptar, mas, pelo que vi, todos os reforços estão a dar uma resposta muito positiva e isso é bom; significa que o Sporting os acolheu bem e eles têm, sem dúvida, todas as condições para dar o seu melhor. O Sporting pode conquistar muitos títulos, aqueles que nos últimos anos têm vindo a faltar.

O que falhou no Sporting da época passada?

Não sei ao certo, talvez o que tem falhado nos últimos anos. A qualidade dos jogadores era indiscutível, este ano supostamente a época vai correr melhor, mas os jogadores do ano passado também eram bons.

Terá sido a excessiva pressão dos adeptos, a falta de experiência...

A pressão dos adeptos, por vezes, também é boa, exige mais de nós. O Sporting agora faz parte do passado, estou com a cabeça no Deportivo da Corunha.

Mas mesmo depois de uma boa pré-temporada em 2010/11, o técnico Paulo Sérgio nem sempre apostou em Diogo Salomão como opção regular. O que se passou?

Não arranjo nenhum tipo de explicação, apenas as entendo como opções técnicas. Sempre as respeitei e fiz o meu melhor para ajudar a equipa.

Ricardo Sá Pinto, enquanto director para o futebol, foi o responsável pela sua contratação pelo Sporting. Mantém contacto com ele?

Agora não, não tenho falado. Quando estava na dúvida sobre a continuidade ou não no Sporting, recebi alguns conselhos dele. Ajudou-me bastante, deu-me a mão para assinar pelo Sporting. Sem dúvida que foi muito importante na minha carreira; marcou-me muito.

Agora é treinador dos juniores do Sporting. Já o imaginou como seu treinador no futuro?

Se um dia for meu treinador, será um prazer. Gosto dele como pessoa, daquilo que falei com ele pareceu-me sempre muito simpático. Se tal acontecer, será uma boa experiência.

Houve mais clubes interessados no seu concurso; porquê o Deportivo da Corunha na segunda divisão e não uma equipa de outro país da primeira divisão?

Escolhi pelo histórico do clube, toda a gente o conhece e desde criança que ouço falar no clube. Está habituado a grandes palcos, Liga dos Campeões, tem campeonatos ganhos, e isso tudo pesou na minha decisão. Também quis experimentar um outro campeonato fora de Portugal. A segunda divisão espanhola tem muitas semelhanças com a primeira liga portuguesa. As equipas são muito equilibradas e, fora de casa, é muito complicado vencer, as formações apertam muito e pressionam.

É hoje muito diferente do Diogo Salomão que há dois anos saiu do Real Massamá?

Como pessoa, penso que não, pouco mudou. Apenas estou num nível mais alto, continuo com os pés bem assentes na terra. Sei o que quero e onde pretendo chegar; tenho um longo caminho a percorrer.

Não chegou um pouco tarde a esse alto nível?

Talvez tenha chegado na altura certa: muitos chegam é cedo demais e falta-lhes alguma maturidade. Quando se é muito novo, a cabeça por vezes altera-se. Cheguei ao Sporting, foi muito bom e, no Deportivo da Corunha, estou muito satisfeito.




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3 comentários:

  1. Gonçalo Correia13/11/11 15:08

    "Sei que posso evoluir mais ao nível das decisões, ser um jogador mais calmo, decidir melhor as jogadas".

    Se o fizesse, seria um dos melhores extremos em Portugal. Mas não é nada fácil.

    De qualquer forma, do que tenho acompanhado (e confesso não ser muito), está a crescer, a melhorar. Pode vir a ser útil em Alvalade.

    Continua a trabalhar Diogo!

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  2. "Não chegou um pouco tarde a esse alto nível?

    Talvez tenha chegado na altura certa: muitos chegam é cedo demais e falta-lhes alguma maturidade. Quando se é muito novo, a cabeça por vezes altera-se"

    Concordo inteiramente!

    Jarvalho

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  3. Este e o Carrillo podem muito bem vir a ser as "sombras" do Capel e do Jeffren..

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