Próximo Jogo

Próximo Jogo

17/11/2011

Costinha e o Sporting, o que retirar


Saiu no passado dia 9 de Novembro uma entrevista com o ex-director do futebol do Sporting, Francisco Costa (link aqui). Primeiro, salutar quem fez a entrevista. Perguntas interessantes do autor, o que é assinalável, ainda para mais tendo em conta que Costinha recentemente falou (o que tinha e o que não tinha para falar) numa entrevista á Sporrtv, aquando da sua saída do Sporting. Mas, entre as trocas de ideias sobre futebol e sobre a carreira do ex-internacional português, houve um tema que me confundiu.

Costinha, por um lado, diz que defende a aposta nos jogadores portugueses e que acredita muito no modelo do Ajax (e na sua implementação), equipa que ganhou uma competição europeia a jogar com miúdos muito jovens (muitos deles, com idades de juniores). Mas por outro, diz que hoje em dia as pessoas só querem miúdos de 20/21 anos, dá o Arsenal como exemplo a não seguir (porque “não ganham nada”) e defende a apologia do jogador maduro (a rondar os 27 anos). Confuso, não? Expectável…

A meu ver, é um tema importante, a questão da idade. Um jogador mais experiente poderá ter um rendimento superior? Tendencialmente, sim (se tiver qualidade, o principal critério de toda a questão). Fará por isso sentido defender a aposta nestes atletas? Depende dos casos e da política a seguir pelos clubes. No Sporting… não creio.

Pelo défice de sustentabilidade financeira do Clube, o Sporting deve continuar a apostar em jogadores jovens, que não só tenham a possibilidade de ser potenciados (quer a nível financeiro, quer com um incremento da performance desportiva), como possam ser potenciais alvos do mercado. Porque o Sporting precisa de ter um activo atraente.

E tem-no feito esta temporada. A média de idades baixou muito significativamente, e as soluções individuais do plantel (não falo do rendimento, porque também é influenciado por outros factores) melhoraram. Porque o principal critério é mesmo a qualidade. E assim está o Sporting numa (muito) melhor situação financeira que o que estava - mesmo encontrando-se longe de um nível relativamente sustentável.
Partilhar:

2 comentários:

  1. Sinceramente, acho que uma equipa vencedora deve aliar a irreverência dos mais novos à experiência dos mais velhos. Não acredito em equipas de novos ou de velhos.

    O Ajax de 93/94, por exemplo, contava com muitos jovens - como Davids, Kluivert, Litmanen, Overmars ou Seedorf - mas nenhum dos titulares tinha idade de junior. Talvez o Kluivert tivesse, mas os outros tinham seguramente mais de 20 anos. Por outro lado, o Ajax tinha também jogadores bem experientes, velhotes mas verdadeiros craques, como Danny Blind ou Frank Rijkaard. Sem eles, o Ajax nunca teria ganho nada.

    Apesar de tudo, é verdade que o Ajax tinha muitos jogadores novos, mas por isso é que ninguém se esquece daquela equipa de 93/94. Foi um fenómeno isolado sem repetição.

    Por isso acho um risco o sporting olhar para essa equipa e usá-la como exemplo do que pretende ser.

    É preciso um grande estofo para se ser campeão (principalmente nas últimas jornadas em que é preciso segurar o 1º lugar e os nervos vêm ao de cima) e isso, salvo raríssimas excepções, não é tarefa que uma equipa de miudos consiga fazer.

    Isto tudo para dizer que - apesar de não gostar muito do Costinha - concordo com ele neste ponto: a formação deve ser uma aposta, mas a média de idades da equipa principal deve andar à volta dos 27.

    SL

    ResponderEliminar
  2. Gonçalo Correia SVPN17/11/11 19:48

    Jô,

    Quanto ao Ajax, foi o próprio Costinha que o disse. Passo a citar: "Fui sempre deitando um olho na formação, até porque acredito muito no modelo holandês, o Sporting nos passados dez anos foi a melhor formação nacional, mas eu lembro-me do Ajax de 1992 e 1993 com jogadores de 17 anos a ganhar títulos europeus..."

    Em relação á experiência... sim, acho que tem influência. Mas não aquela que o caro companheiro leonino lhe dá. A meu ver, ajuda os jogadores a estarem mais preparados para os desafios da temporada... mas não é decisiva.

    Importa a competência, demonstrada em campo. A competência do modelo colectivo que o treinador idealiza, a qualidade (reitero: o essencial!)das individualidades... e naturalmente outros factores (a sorte, a arbitragem, o apoio do público e a referida experiência naturalmente que também contam).

    Ah, e não é questão do Costinha ter ou deixar de ter razão. Mas razão em quê? Ele defende coisas contraditórias na mesma entrevista... como é que se pode ter razão, defendendo duas ideias opostas?

    Em relação á média de idades... Numa situação ideal, talvez essa fosse efectivamente a melhor. Dada a situação do Sporting (e não só a referida falta de capacidade financeira, também a própria cultura do clube), discordo.

    O que não é, acrescente-se, caso singular. Os próprios rivais do Sporting, em Portugal, têm um contexto semelhante, e ambos têm uma média de idades inferior a 27 anos (que penso ter sido a que o plantel de Costinha, com os resultados que são conhecidos, tinha).

    Volto a referir: acho que tem influência. Mas discordo que essa influência seja assim tanta e tão decisiva que faça com que o Sporting deva apostar em mais jogadores sem mercado (ou sem idade para atrair o mercado).

    Que é o que não tem feito (a meu ver bem) este ano...

    SL

    ResponderEliminar

O SVPN reserva-se ao direito de moderar sem aviso prévio, qualquer comentário abusivo/ofensivo ou insultuoso.

Qualquer comentário desenquadrado com o tema do post não será aprovado.

Para facilitar a discussão, agradecemos que assinem os comentários - quem não tem conta pode seleccionar o campo Nome/URL (o URL pode ser deixado em branco), onde podem assinar o vosso nome ou um qualquer nickname à vossa escolha!