Próximo Jogo

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12/12/2011

Estou sozinho, clama o médio-defensivo de Domingos


Desde há algum tempo que tenho vindo a reparar numa tendência no meio-campo do Sporting: a distância que separa o médio-defensivo dos dois médios da frente é mais significativa que noutros clubes.

Por isso apontei, na ausência de Rinaudo (o jogador ideal, se os há, para este 'trabalho') para Daniel Carriço como melhor solução que André Santos (porque cobre uma área mais vasta de terreno, sendo mais 'dinâmico').

Ora, numa outra comunidade leonina, o "Barbosa", membro do FórumSCP, introduziu no tópico de discussão relativo ao Daniel Carriço alguns dados estatísticos sobre a sua performance frente ao Nacional.

Pedi-lhe que me facultasse outros dados, perspectivando desde logo, sem os conhecer, a tendência que se verificaria. E a tendência seria que o trinco, no Sporting, está mais desprotegido que no Porto. Deixo os dados estatísticos em baixo:

Daniel Carriço

Recuperações de bola: 26
Total de passes (certos): 83 (66)
Tempo de posse de bola: 0'57

Fernando

Recuperações de bola: 17
Total de passes (certos): 55 (47)
Tempo de posse de bola: 0'42

O que é que daqui se conclui? À partida, sem a própria análise ao jogo e aquilo que tem sido o posicionamento dos médios do Sporting e do Porto, nada.

Porém, parece-me que, adicionando a tal análise, é possível concluir que a tal distância que referi na introdução do texto existiu neste jogo, como - arrisco dizer, desta feita sem dados- costuma habitualmente existir.

E retiro, como conclusões, umas breves notas:

• Carriço foi 'obrigado' a recuperar mais bolas que Fernando (essencialmente, porque teve de cobrir um espaço maior que o brasileiro);
• O jogador português fez mais passes que o jogador do FCP (porque teve de assumir mais a construção ofensiva);
• Ao passo que o português teve a bola nos pés durante 57 segundos, Fernando teve-a em sua posse durante apenas 42 segundos. Tal poderá indiciar ou que Carriço é mais lento a soltar a bola - não creio -, ou então que teve menos apoios próximos de si;
• Fernando - que não é muito forte no passe - teve uma percentagem de acerto mais elevada que o Daniel neste aspecto. O que também indicia a menor dificuldade dos passes feitos (insisto, a distância para quem veio receber era mais curta);

Serve este post, essencialmente, para:

1) Defender André Santos. É um bom jogador, que pode - ao contrário do que é dito - jogar a médio-defensivo. Simplesmente, nunca com companheiros tão longe de si. Mas a qualidade está lá, existe e é real;

2) Dar conta de que, para Carriço não é fácil dar conta deste recado, tendo em conta as suas características - está mais próximo do que DP ali pede que André Santos, mas não é o modelo ideal para si. E já muito tem feito ele;

3) Indicar que, apesar de considerar esta distribuição posicional na zona intermediária, concebida pelo treinador Domingos, uma opção que não aprecio, não duvido que com Rinaudo recuperado a equipa crescerá (o argentino 'precisa' de espaço, e torna-se dominador com ele).
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5 comentários:

  1. Para mim ai é onde o carriço pode render mais porque a central parece que desaprendeu, estou a gostar de velo nesta posiçao, esta mais certo e atrevido no ataque, vai a todo lado e esta a recuperar mais vezes a bola.
    Acho que é altura de fazer regressar P. Mendez, ja esta a ganhar oportunidades no Real e nao tarda a ficar por la, entao e faze-lo regressar já, pois nao acho que Rodrigues ficara curado da sua lesao de uma vez por todas e Polga vai ficar cansado mais cedo ou mais tarde e a epoca é longa.

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  2. Gonçalo, respeito a tua opinião quando referes que o André Santos é adequado à posição de trinco, mas permite-me discordar frontalmente dela. O rapaz tem toque de bola, alguma visão de jogo e capacidade de passe curto, longo não tanto. Com bola o André Santos até nem é mau jogador, so borra mesmo a pintura sem ela. Este facto torna-se muito mais gritante quando joga como médio mais recuado, deixando constantemente o meio campo adversario construir sem fazer uma pressão eficaz. Isto é uma questão de atitude defensiva, que este jogador tem demonstrado ser fraca. Como se isto não bastasse, é um jogador franzino, com medo do choque e sem qualquer capacidade nos confrontos fisicos. Tudo isto me leva a concordar a 100% com a opção do DP de pôr o Daniel Carriço a trinco, que me tem parecido muitissimo eficaz ao nivel da recuperação de bolas. Saudações Leoninas

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  3. Quanto ao trinco estar muito sozinho, concordo, e é uma coisa para ser corrigida o mais cedo possivel.

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  4. ah, so para finalizar, tenho gostado de ver o André Santos a '8', muito mais do que a '6'.

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  5. Gonçalo Correia SVPN12/12/11 21:03

    diogre,

    A questão da pressao é interessante. Tu não vês, por exemplo, o Javi Garcia a pressionar ou a correr atrás dos adversários. Ele tem um colega por perto (Witsel) mais dinâmico, e preocupa-se quase exclusivamente em proteger aquele seu espaço.

    No Sporting, o André, quando tem jogado atrás, não tem nenhum jogador muito perto. O Schaars e o Elias costumam sempre ficar na pressão, mais á frente, e é isso que obriga o médio-defensivo do Sporting a ser pressionante e dinâmico.

    O André não é um jogador de grandes correrias, nem para andar como o Rinaudo sempre em cima dos adversários... mas há outros que também não o são, mas que pela leitura de jogo e pela protecção dos colegas, são muito capazes na posição 6.

    Eu também acho, repara, como disse no post, que dentro do modelo que Domingos tem implementado no Sporting, o Carriço seja melhor opção que o André Santos. Mas também não duvido que o André, quer no Benfica quer no Porto, tivesse uma missão mais fácil jogando a médio mais recuado.

    S.L.

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