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02/02/2012

A auditoria e um modelo necessariamente ambicioso


O Sporting disponibilizou hoje aos sócios, no seu site oficial, o sumário executivo e as conclusões retiradas da auditoria financeira levada a cabo nos últimos meses, ficando o relatório integral sobre o processo disponível aos sócios, que o terão de levantar nas instalações do Clube (Serviços Administrativos no 3º piso) – mais informações aqui.
Tenho assistido à discussão, com interesse, dos moldes em que a Auditoria foi e/ou deveria ser feita, e a principal conclusão a que se terá chegado com este trabalho parece-me clara: falta de sustentabilidade no passado e no presente do Clube, e a situação de falência técnica em que o Grupo Sporting se encontra neste momento.
Porém, mais do que discutir os moldes, gostava de discutir o modelo de gestão em vigor no Sporting. E se aceito a necessidade de um avultado investimento na equipa sénior de futebol do SCP para esta temporada, há um aspecto que não compreendo e que creio ser preocupante: a prestação desportiva do Sporting não se equipara ao investimento realizado.
Vou explicar: muito se tem falado, esta temporada, da questão do “ano zero”. Porém, a grande questão que coloco é: encontrava-se o Sporting numa situação financeira que lhe permitisse investir como investiu, e ter os custos que actualmente tem, sem estabelecer objectivos minimamente ambiciosos no que se refere à discussão do Campeonato?
Na minha opinião, não.
Haveria, a meu ver, duas alternativas mais viáveis àquela em que o Sporting se encontra actualmente: ou se fazia o avultado investimento que efectivamente se fez, e se dispensaria as conversas sobre o ano zero e sobre a “paciência” que é preciso ter na espera pelos resultados desportivos, ou não se teria enfraquecido tanto a situação financeira, no caso de não se assumir a luta pelo título.
Como, porém, o Passado é passado, importa agora olhar para o futuro. Apenas dois rumos são possíveis de se seguir: ou se mantém estes níveis de investimento, e os objectivos terão de passar invariavelmente por lutar até ao fim pela conquista do título, ou se reduz o investimento e as despesas correntes e encara-se, realisticamente, o sucesso do futebol do Sporting como algo a obter… no futuro.
Se a cautela e o realismo me levaria indubitavelmente a optar pela segunda via no que se refere à gestão desportiva e financeira do Clube, parece-me que os dirigentes leoninos manterão os níveis de custos e, por isso, resta apenas uma opção: ter resultados desportivos condizentes com tal investimento. Investir e não ter retorno desportivo é que é uma situação que o SCP não pode suportar.
É preciso, para isso, e sem desculpabilizações ou justificações, que os dirigentes leoninos retirem duas conclusões derivadas da segunda volta do Campeonato 2011/2012: i) este plantel possui qualidade condizente aos custos que produz? ii) o treinador actualmente no activo é capaz de assumir objectivos claros e condizentes com as despesas no futebol do Sporting?
São conclusões que, pessoalmente, tirarei apenas num balanço final, que realizarei no término da temporada desportiva. Para já, parece-me que, salvo raras excepções, os custos do plantel equiparam-se à qualidade dos jogadores, mas tenho reticências quanto à capacidade de Domingos Paciência fazer do Sporting um clube vencedor.
Mas são conclusões, reitero, que só tirarei de forma convicta quando a época em vigor acabar. O mote é este: se as despesas se mantiverem a este nível, exigir-se-á, sempre, aos dirigentes, ao treinador e aos jogadores, que, no mínimo, discutam até ao fim o título da próxima temporada. Porque o Sporting não está em condições de investir desta forma, sem obter por tal retorno desportivo e financeiro.
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1 comentário:

  1. esqueceste-te da 3a possibilidade Gonçalo: arranjar um mecenas arabe ou russo que meta aqui dinheiro a sério, e assim podes ter plantel car e não ganhar nada, que ele paga! bom post

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