Próximo Jogo

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24/02/2012

A evolução do Sporting de Sá Pinto e expectativas


Aquilo que me surpreendeu um pouco foram as diferenças entre este jogo e as duas partidas anteriores: nas primeiras duas partidas, e perante duas equipas que tentaram condicionar o jogo do Sporting de uma forma diferente, a forma de jogar pouco se alterou, ao passo que neste terceiro encontro, tendo os polacos feito o mesmo que fizeram na primeira mão, a equipa mudou algumas coisas. Vamos primeiro ás semelhanças:

1) O princípio de jogar curto. Domingos também revelou alguma vontade de o fazer, na maioria das vezes, mas a preocupação agora é maior. Raramente a equipa joga directo, dos centrais para o avançado-centro. Um passe curto é muito mais seguro que um passe longo, e este Sporting não gosta de não ter a bola, quer progredir de forma apoiada. Isto reflecte vontade de dominar e controlar o jogo, é um marco com que o Sporting se deve identificar sempre, pela natureza histórica do Clube e pelo futebol praticado numa das melhores Academias de Formação de todo o mundo;

2) O posicionamento dos jogadores. A equipa, quer num jogo quer noutro, jogou com os jogadores relativamente próximos. Os médios recuaram em campo (anteriormente, estavam mais á frente para as segundas bolas que Ricky disputava), os extremos vieram mais para dentro, deixando a linha para as subidas dos laterais, o avançado desceu para jogar entre os extremos. Para o notar, ver trocas de bola entre o Matías e o Ricky (este último próximo do chileno), ver número de toques na bola do holandês, ver as faltas sofridas pelo AC com o Legia - e a zona onde as sofreu -, o aparecimento dos laterais contra o Legia na linha de fundo a receberem no espaço, etc etc;

3) Menos duelos individuais. Anteriormente, a forma da equipa progredir no terreno era dar a bola a um jogador, que normalmente estava na linha, e pedir-lhe para enfrentar o(s) adversário(s) - não importava em que situação estivesse, nem quantos adversários tivesse pela frente. Capel fazia-o muitas vezes, João Pereira também tentava. Agora, porém, a equipa tenta utilizar mais o passe, trocar mais a bola, fazer combinações entre os jogadores pelas zonas mais centrais (ocasionalmente, estando o adversario chamado para essas zonas, meter na linha para o surgimento de JP ou EI). É a principal forma de abrir espaços e causar desequilíbrios. Colectivo acima da inspiração dos mini-Ronaldos de Domingos;

E estas são boas ideias: jogadores mais próximos uns dos outros, presentes em zonas mais centrais, com o princípio de utilizar invariavelmente os passes e as trocas de bola para a equipa progredir com segurança e abrir espaços nas defesas contrárias. Esta é a principal identidade da equipa e manteve-se perante adversários que fizeram coisas diferentes, em estádios diferentes, em terrenos diferentes. Há uma ideia base de que, aparentemente, não se abdica: equipa junta, trocas de bola constantes e ataque maioritariamente feito por zonas centrais.

Houve, ainda assim, algumas mudanças das primeiras duas partidas - Legia (f) e Paços de Ferreira (c) - para esta última - Legia (c), também face à evolução que se esperaria que acontecesse. Mudanças que, na minha opinião, foram as seguintes:

1) Dificuldade no início do ataque. Os jogadores do Legia procuraram partir ainda mais o jogo que na primeira mão, tendo pressionado bem á frente enquanto tiveram forças, e assim dificuldade ao Sporting a tarefa de construir de forma paciente, curta e apoiada. A equipa não cedeu totalmente à sensação de entrar no jogo dos polacos (chutando também directamente na frente) mas baixou em bloco, tendo depois demorado excessivamente até chegar ás zonas de finalização, muitas vezes perdendo a bola entretanto.

2) Velocidade no jogo. Se é verdade que no início do momento ofensivo houve incapacidade de acalmar as coisas, pondo paciencia, segurança e critério nesses momentos iniciais (por culpa da pressão dos polacos), também é verdade que, tendo passado as primeiras zonas, conseguiu depois algumas combinações bastante interessantes. Os extremos estavam na zona 10 constantemente a trabalhar para dar linhas de passe, o avançado-centro estava entre eles, e Matías ligeiramente atrás a fazer o mesmo a um dos centrais, a Carriço ou a Schaars;

Decorria o primeiro tempo, dizia ao meu pai, com quem estava a ver o jogo, que a jogar daquela forma os polacos rebentariam. Andavam a correr o campo todo, de área a área, a pressionar os jogadores do Sporting, a meter a bola área para o choque, a tentar disputar agressivamente as bolas... Não entrámos no jogo deles - caso contrário, não teríamos tido hipóteses, dada a fragiidade física e os problemas crónicos de alguns jogadores que estavam em campo do nosso lado -, mas não os forçámos totalmente a entrar no nosso.

E isto fez com que, tendo o Legia quebrado bastante fisicamente na segunda parte, jogadores da nossa equipa também tivessem ficado com problemas físicos mais ou menos expectáveis. Ainda assim, estávamos claramente por cima, e estou em crer que se não fosse o golo ter surgido tão cedo e termos passado por duas vezes momentos de inferioridade numérica (física e mentalmente sempre chato), teríamos tido um fio de jogo e um volume atacante ainda mais superior nessa segunda parte.

Não foi, honestamente, o jogo que esperaria. A equipa teve dificuldades a enfrentar um adversário que procurou pôr o seu físico em campo - através do jogo aéreo, de duelos corpo a corpo, de jogar em toda a extensão do campo. E Sá Pinto terá certamente de trabalhar para que a equipa, nesses momentos, continuando a não caudicar, eleve ainda mais o seu futebol ao dos adversários, mandando nos acontecimentos.

Enfim, confessando esperar mais, não posso dizer que estou desiludido. Segue-se já domingo o jogo em casa frente ao Rio Ave, que suspeito se apresentará de forma diferente - pressionando mais atrás, não procurando chutar tanto dos centrais para o ponta-de-lança, priviligiando mais a segurança e a organização, quer quando têm a bola, jogando mais apoiado, quer sem ela, ficando a controlar mais o espaço defensivo. Uma espécie de Paços de Ferreira com melhor organização a defender e com mais capacidade de segurar a bola e progredir pacientemente no ataque.

O que esperar? Nunca muito. Um Sporting que faça o que fez frente ao Paços, mas de forma mais adiantada, jogando mais próximo da baliza adversário, e acelerando  um pouco mais as trocas de bola nessas zonas perigosas para o adversário, tendo em vista a abertura de espaços no bloco vila-condense. Ou seja misturar o melhor dos dois mundos: o domínio e a superioridade (consentida, tudo bem) evidenciado a semana passada, e a capacidade de acelerar as trocas de bola que a equipa denotou com o Légia. Mas nunca significativamente.

Porém, serão apenas dois dias de diferença entre o jogo desgastante da Liga Europa e o jogo do Campeonato frente a um Rio-Ave com bastante qualidade. E falta Carrillo, jogador fundamental para este modelo de Ricardo Sá Pinto. É importante que a equipa vá vencendo enquanto se consolida e RSP tem pouco tempo para trabalhar bem os processos que quer para o conjunto.

A partir de dia 3 de Março de 2012, aí sim, comecerá a exigência para ver um Sporting jogando à Sporting, com ambição, com domínio, com controlo e com golos de bola corrida. Com qualidade de jogo, sobretudo. Até lá, pede-se a Sá Pinto para ganhar e mostrar alguma evolução contra o Rio-Ave, trabalhando depois durante toda a semana para que o SCP atinja o potencial que merece.
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2 comentários:

  1. Para o grande jogo com o Man City : Patricío; Pereira; Oneywu; Carriço e Insúa; Renato Neto e Rinaudo(a trincos, médios Recuados) Izmailov; Matias(meio) e Shaars; Wolfsvinkel! Depois faria entrar Xandão pelo Carriço, recuava o Shaars, e metia o Carrillo no fim junto ao Holandes. Antes das subs uma 4-2-3-1, depois das subs mais para o fim uma 4-2-2-2!
    A sugestão é do Martucho, concordo e se escolhesse era o meu onze frente ao City. O Sá Pinto traz garra e vai ser um treinador á altura, espero SL

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  2. Anonimo o Onyewu está lesionado, nao vai jogar frente ao City

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