Próximo Jogo

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10/02/2012

Jogar bem vs ganhar, a eterna discussão



Nota prévia: este post não surge, apenas, pela passagem ao Jamor (primeiro que tudo, os meus parabéns a todos os envolvidos nesta caminhada até á final da Taça de Portugal: da equipa técnica, aos jogadores, aos dirigentes, é equipa médica, e até aos sócios e adeptos presentes; a todos, portanto). Surge, fundamentalmente, pela discussão que sempre se tem sobre o tema. E que por certo ganha contornos actuais no Sporting C.P.

A meu ver, há algo que é preciso identificar desde logo: desmistificar a ideia que se tem da inutilidad de jogar bem, ideia essa incompreensivelmente desconectada do resultado. É errado, na minha opinião, ter este tipo de perspectiva: jogar bem é um meio para a procura da vitória. E é o meio que mais sucesso garante, em competições assentes na regularidade. Creio que será por aqui que a discussão ganha contornos inevitavelmente actuais no mundo leonino.

O essencial para vencer Campeonatos é a qualidade de jogo. Não desdenhando a importância de factores externos, factores esses com que o Sport Lisboa e Benfica e o Futebol Clube do Porto estão particularmente familiarizados e conotados (com razão, diga-se), parece-me inequívoco que, regra geral, são as equipas que demonstram qualidade de jogo regular que se sagram Campeãs.

Eu acho que esta perspectiva que se tem é errada e, particularmente, não exponencia as probabilidades de virmos, todos, a festejar no Marquês nos tempos próximos. A única forma de “garantir” o êxito contínuo  é utilizar um meio (qualidade de jogo) que nos garanta a maior probabilidade possível de atingirmos os resultados regulares que nos colocarão no topo da Liga Portuguesa.

Posto isto: vejo um entusiasmo que não percebo após o jogo com o C. D. Nacional. Da minha parte, houve felicidade pelo resultado/objectivo atingido, mas nunca entusiasmo para o futuro. Qual a qualidade de jogo evidenciada nessa partida que me possa deixar entusiasmado para o futuro do Sporting no Campeonato? Foi inexistente...

O futebol do Sporting já teve uma identidade, há não muito tempo atrás. Podia ser insuficiente (e era), as dinâmicas podiam não chegar (e não chegavam), especialmente no panorama ofensivo. Mas a solução elegida para incrementar os resultados regularmente deveria ter sido alterar as dinâmicas específicas dessa identidade - ou desse modelo, como preferirem.

Nunca desistir dos ambiciosos princípios base da equipa, e depender de condições anormais (eficácia invulgar, adversário com menos um elemento, etc etc) para vencer.

Porque se ter um rumo insuficiente já era preocupante para as ambições da equipa, especialmente em competições de regularidade, abdicar do rumo e das ideias, em desespero, ao invés de as trabalhar melhor, não dá ao Sporting o futuro que merece(mos).

Um Sporting Clube de Portugal que não assuma, invariavelmente, a despesa do jogo, será um Sporting sem identidade, sem grandeza e com possibilidades nulas de chegar ao topo do futebol português. Convém fazê-lo bem, mas não o fazer é contra-natura para com o nosso ADN.

Tem Domingos Paciência a palavra. Restaurar e nunca voltar a abdicar da grandeza e da ambição que a equipa já espelhou, ocasionalmente, em campo, é essencial para um futebol SCP à imagem da sua Instituição. Implementar melhores dinâmicas num futebol mais ambicioso é o desafio que se seguirá, importante para chegar ao topo.

Mas a ausência de uma estratégia ambiciosa, como a que a equipa adoptou muito recentemente na Madeira - e em jogos anteriores - vai contra a génese do Sporting Clube de Portugal. Se jogar bem é importante, mostrar ambição no campo é, ou deveria ser, condição sine qua non neste gigante Clube.

Há que assumir, em campo, o que é ser Sporting Clube de Portugal. E, preferencialmente, fazê-lo de forma competente. Mas sempre com a História, a grandeza e a ambição do Clube no pensamento...
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1 comentário:

  1. Minha equipa contra o Marítimo em 4-1-3-2 (para se poder jogar simultaneamente com Matías Fernández e Izmailov):

    Patrício;
    João Pereira, Onyewu, Xandão, Insúa;
    Rinaudo;
    Elias, Matías Fernández, Izmailov;
    Carrillo, Wolfswinkel

    DUARTE

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