Próximo Jogo

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26/09/2012

Arbitragem: um paradigma eterno

Estávamos ainda em Agosto de 2011 quando, após 3 jornadas em que foram sonegados demasiados pontos ao Sporting Clube de Portugal, o Clube decidiu, através do seu Presidente, avançar com um documento que visava a melhoria das arbitragens (link). Não que o documento em si fosse definitivo ou que que o Sporting CP exigisse todas as mudanças que o documento visava. Pretendia, pelo menos, fomentar a discussão relativamente ao tema para que, futuramente, a classe arbitral pudesse usufruir de outros meios tendo em vista a redução do que Godinho Lopes chamou - com razão - «erros sistemáticos».

Eis que - quais virgens ofendidas - a Agremiação Portuguesa de Apitadores Facciosos (mais conhecidos pelo acrónimo APAF) manifestou «a sua total solidariedade para com o nosso colega e a sua equipa de arbitragem, colocando-se à inteira disposição para todas as acções que os mesmos entendam levar a cabo» (link), logo após uma sucessão de acontecimentos, desde logo a apresentação do referido documento mas também por uma capa do jornal A Bola que afirmava peremptoriamente que o Sporting CP estaria profundamente desagradado com a nomeação do árbitro João Ferreira para o jogo em Aveiro, frente ao SC Beira-Mar, da Jornada 2 da Liga ZON Sagres 2011/2012 (mais até por esta pseudo-notícia), sem que ninguém do Clube tenha sequer esboçado tal desagrado, ainda que o pensasse para si mesmos. A mesma agremiação entendeu ainda que era «necessário que a Comissão de Arbitragem da LPFP, demonstre de forma inequívoca e pública, que está solidária com os Agentes da arbitragem que estão sobre a sua dependência funcional, para que não subsistam dúvidas do seu empenhamento na sua defesa, para prestígio da arbitragem portuguesa». Daqui adveio, por fim, um boicote dos árbitros internacionais para com a Instituição Sporting CP, patrocinada pela APAF e com a solidariedade, claro está, de todos os árbitros em questão.

Acontece que ainda no decorrer da época transacta, observaram-se tratamentos de outros Clubes (nomeadamente, os rivais FC Porto e SL Benfica, por intermédio quer dos seus treinadores quer dos seus dirigentes) em tudo idênticos, senão piores, ao do Sporting Clube de Portugal, relativamente às arbitragens e à falta de competência notória destas. Acontece que, já esta época, o Sporting CP voltou a ser espoliado (embora mais disfarçadamente), pelo que voltou a denunciar a incompetência das arbitragens, alertando que está atento às manobras de que é, sistematicamente, alvo. Mas, eis que num outro Clube - SL Benfica - após jogo em Coimbra contra a AA Coimbra, o qual foi manifestamente mal arbitrado por Carlos Xistra (olha quem!), um seu Vice-Presidente, Rui Gomes da Silva, resolveu vir dizer, publicamente e para quem quisesse ouvir, que o SL Benfica tinha sido «avisado» para o que estaria por se constatar e que Vítor Pereira, Presidente do Conselho de Arbitragem, também teria recebido o mesmo alerta, afirmando, indirectamente, que o árbitro em questão teria actuado sobre coacção, de alguma forma pressionado para prejudicar deliberadamente o SL Benfica.

Ora, não serão estas declarações muito graves?! Claro que são, piores que aquelas que o Sporting Clube de Portugal tem entendido prestar quando se sente no dever de o fazer, perante os factos. Mas - pasme-se! - perante tais e tão graves declarações, a Agremiação Portuguesa de Árbitros Facciosos resolve (...) não fazer nada, justificando que Rui Gomes da Silva não estaria a passar - e passo a citar - «os limites da razoabilidade». Perante isto, Vítor Pereira ainda se sentiu na necessidade de justificar os erros de arbitragem, como já aconteceu num passado recente, sempre relativamente ao mesmo Clube. Apetece-me parafrasear um certo treinador que todos conhecemos, que dizia «ele perante a situação só tinha duas opções: ou marcava ou não marcava. Se não marcou não foi porque não viu, foi porque não quis!».

E como o pior cego não é aquele que não vê mas aquele que não quer ver, e nós, adeptos de futebol, não somos uns papalvos quaisquer, parvos e ignorantes, só nos podemos questionar, retoricamente, onde pára a equidade e a equidistância (além do rigoroso cumprimento das regras) que deveriam ser inerentes a qualquer juiz, seja ele de qualquer área. Sim, porque em futebol, e em Portugal em particular, uns são filhos de Deus e outros são filhos da p***! Curiosamente, um dos mais acérrimos críticos das arbitragens dá pelo nome do filho de Deus - Jesus - só não é Cristo, mas isso, para esta Classe desonrosa, são pormenores.

Como pessoa de ideais e princípios, porventura nem sempre convergentes com a razão - dou de barato, estou completamente exausto de lutar contra algo que está virtualmente isento de culpas, inimputável e intangível. Exausto desta falta de tudo, bom-senso inclusivé, que (co)manda este futebolzinho quer temos em Portugal.
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3 comentários:

  1. Uns sao filhos e outros enteados. Nos devemos ser o preto que acharam no caixote do lixo.

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  2. Há muito tempo que a arbitragem portuguesa está imersa numa aura profundamente ridícula. Quanto a mim, parece-me bastante óbvio que a corrupção está instaurada em praticamente todos os quadrantes do futebol, o caso específico da arbitragem será, porventura, o elo mais visível. Desconfio que serão imensos os interesses que rodeiam quer as nomeações dos árbitros como também as reacções da APAF. Pois como o Mauro afirma, aparentemente estamos face a dois pesos e duas medidas, já que, se, as declarações de Rui Gomes da Silva são incompreensíveis, então, a reacção da APAF é simplesmente inacreditável.

    Num país em que reina a corrupção e a desresponsabilização não posso afirmar que a questão gravosa da arbitragem portuguesa me surpreenda. Contudo, a constatação da falta de bom-senso não nos impede de ter uma reflexão séria sobre a verdade desportiva. Assim, termino afirmando que concordo em absoluto com o que está escrito no post, e também eu me encontro exausto das inexplicáveis atitudes de quem dirige o futebol português.

    Um bem-haja do Zeze77.

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  3. Enquadro a arbitragem no mesmo patamar do governo português, enquanto nada for feito, enquanto agirmos pacificamente perante o que nos é feito vamos continuar a ser constantemente roubados e a sofrer constantes faltas de respeito, inclusive na nossa própria casa...
    Chega a ser doentio ver um clube que já tem por si só muitos problemas, ter de resolver mais um em campo, jogando contra mais que 11 adversários...
    No último jogo em casa com o Gil Vicente, bem cedo disse à pessoa que estava sentada ao meu lado na bancada que tudo o que visse já nada me surpreenderia pois já estou habituado a estes constantes roubos...
    Não me alongo sobre este tema, pois já é cansativo tê-lo de abordar todos os anos e jogo após jogo em que somos prejudicados!

    SL

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