Próximo Jogo

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01/10/2012

Entre o seguidismo de uma direcção e a crítica da oposição - parte II

No artigo anterior não fui entendido ou, pelo menos, não da maneira que eu me quereria expressar. Porventura, erro meu, por ter usado uma linguagem algo vaga e termos talvez demasiado cáusticos para o que o próprio tema merece. Não que tenha obrigação de me explicar ou dar satisfações a quem quer que seja, mas tenho a responsabilidade da minha própria opinião (valha ela o que quer que valha) e, portanto, convém-me dizer duas ou três coisas a respeito:
  • Sou sócio efectivo de categoria B;
Era sócio correspondente até à última alteração estatutária e, embora me tenha ocorrido o pensamento, ao contrário de muitos outros, não me desfiz do privilégio de ser associado do Sporting Clube de Portugal. Sendo eu aveirense, e vivendo no mesmo distrito, tal mudança de categoria traz-me exactamente as mesmas vantagens que tinha antes, com a desvantagem do aumento da quotização para mais do dobro. Ainda assim, entendi por bem continuar a ajudar o meu Clube da única forma que ainda posso, com mais ou menos dificuldades. Por mero princípio. Não votei nas últimas eleições do Clube, pelo impedimento que a categoria de sócio correspondente se me impunha, mas conto fazê-lo nas próximas, por mais ou menos importância que o meu voto tenha. Por mero princípio.
  • Não estive presente na Assembleia-Geral de ontem;
Como não estiveram 99.9% do total actual de associados. Por vários impedimentos de ordem pessoal e que nem me interessa a mim explicar ou a vocês saber. Além do dia que teria que "oferecer" ao Clube deslocando-me 250km a sul. Provavelmente votaria favoravelmente nuns pontos, e não favoravelmente noutros. Estas AG's valem o que valem...
  • O artigo de ontem, embora referindo a AG, era (ou tencionava ser) muito mais vasto;
Sim, é verdade que esperava resultados menos positivos da AG de ontem. Mas, mais que isso, esperava outro tipo de envolvência dos poucos (e corajosos) sócios que se apresentaram na mesma. E aqui não se trata de seguidismo ou oposição; trata-se, tão só, de um pensamento que deveria ser uno.

Sim, sou porventura demasiado novo para perceber alguns enquadramentos no/do Sporting CP. E talvez por isso não consiga entender a indiferença com que os sócios se apresentam perante um assunto que, mais que o próprio âmbito desportivo do Clube, é deveras importante, como é o Clube enquanto entidade económico-financeira. Todos sabemos que a aprovação ou o chumbo do Relatório & Contas, votado ontem, pouco ou nada inferiria no decorrer das decisões que a direcção vigente toma a respeito, mas seria igualmente importante lembrar que os Sportinguistas estão atentos e - atrever-me-ia a dizer - não muito concordantes e, muito menos, contentes, com o rumo que se está a tomar. É aqui que entra a necessária (e quase imperativa) discussão que, por ora, parece não existir. O tal conformismo de que falava é este.

Ontem, foquei-me demasiado nos resultados da AG, como se se tratasse do canto do cisne, que não o é. Erro meu...
  • Anarquia dos dois lados da trincheira;
Quer da parte da direcção actual quer da parte da oposição à mesma, a ideia com que fico (portanto, sujeita ao contra-argumento) é que nem uns nem outros conseguem um mínimo de organização, em busca dos tais superiores interesses do Clube que tantas vezes se fala (porque fica sempre bem dizer) mas pouco se aplica. Se Godinho Lopes, apesar do bem que tem feito, tem errado bastante, também Bruno de Carvalho adoptou, desde início, uma postura que, a bem do Clube, também não é a melhor. Convinha ao Clube que os dois entendessem, de uma vez por todas, que não será assassinando as ideias um do outro que conquistarão o respeito dos sócios. Ou, porque esta opinião é só minha, com certeza não conquistarão o meu. Da destruição só advirá mais destruição. 

Fica o desejo, da minha parte, que a direcção saiba ouvir e que a oposição saiba fazer-se ouvir. Em nome do Sporting Clube de Portugal. Nesta minha utopia, direcção e oposição são pólos contrários de uma mesma pilha, de uma mesma bateria, de um mesmo ideal - é assim tão difícil entender que, ambos, sendo antitéticos, poderão (e deverão) funcionar para o mesmo todo, em conjunto?!

Por enquanto, continua, forte e insano, o paradigma da água e do azeite, que nunca se misturam, de um e outro lados da barricada. Em desfavor de um ideal que se vai definhando a cada ano que passa. E já lá vão demasiados anos...
  • Apartidarismo
Sistema ou teoria que pretende uma posição ou organização sem influência de um partido político.

Por muito que tentem colar-me, de uma forma ou de outra, a um dos lados, o apartidarismo sempre foi (e será) a minha única posição, no Clube como na política. Até porque há sempre boas e más ideias de um e outro lados e que, quando sujeitos a uma espécie de simbiose, poderão produzir o melhor de ambos excluindo o pior. E este é um ideal muito meu e do qual, digam o que disserem, não abdicarei. A minha posição, reafirmo, está bem expressa no título do artigo.
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5 comentários:

  1. Sem espinhas, claro e conciso! SL

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  2. A discussão triste e ignóbil sobre o futuro do SPORTING CLUBE DE PORTUGAL, não o melhor clube de futebol de portugal mas o MELHOR CLUBE DESPORTIVO DE PORTUGAL. o melhor jogador de hoquei de sempre, a formação do futebol com os nossos bolas de ouro. O melhor ciclista portugues. e o marotonista??? recordes atrás de recordes para este clube do qual sou socio há 25 anos (desde que nasci), com gamebox e presença na ultima assembleia!! não sou mais nem menos que o adepto de 5 anos que grita golo ao lado pai e que porventura não sou socio. Esta foi a minha (mas também influenciada pelo pai) opção de vida, o meu caminho. Só quero a sobrevivencia do sporting primeiro que tudo (por cada leão que caia, outro se levantará), depois sim, quero ganhar! tanto quanto possivel.
    Custa me ver os outros ganharem e nós à luta e insultos uns com os outros. NÓS ERAMOS UM CLUBE DIFERENTE. Custa me ver as modalidades do sporting a definharem à semelhança do futebol triste e pálido do sporting... e pior? não sei em quem confiar... é nos mesmos que criaram o monstro do passivo e continua se a aprovar contas negativas? é noutros que só criticam e aparecem quando o nosso sporting está de gatas?
    ... mas no proximo jogo lá estarei a ver o nosso sporting.

    Carlos Novo

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  3. Falta sangue novo no sporting quem vê as imagens da assembleia geral ainda pensa que somos um lar de idosos, infelizmente é um dos efeitos do desacreditar dos mais novos no clube.

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  4. Mauro, começar por dizer que tem agora as mesmas vantagens que tinha antes como correspondente é... começar mal...

    Ivan, quais imagens? As da primeira fila? Onde estão os sócios mais antigos? convidados para inaugurar a sala de sócios? E se falar só do que sabe? Ficava sem conversa?

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  5. Caro anónimo,

    Já sei que me vai falar nos descontos e vantagens em seguros e por aí fora... posso dizer-lhe que não faço caso dos descontos (em boa verdade só uso o cartão quando vou a Alvalade, num dos 4 jogos a que tenho direito como sócio, porque os restantes pago-os como mero adepto), e quanto às restantes vantagens, também não as usufruo.

    Poder-me-á dizer que se não faço caso dessas minudências todas é porque não quero, e terá a sua razão - dou de barato. É apenas uma ideia, como tantas outras.

    O factual para mim, enquanto sócio correspondente cuja categoria mudou para efectivo-B, é que as vantagens que tenho e que uso são precisamente as mesmas. A diferença é que pago substancialmente mais. Mas também não é por aí, que eu faço-o por princípio, por consciência e, acima de tudo, por gosto pelo Clube. Ainda que seja certo que muitos na mesma situação que eu, perante o encargo de quotização extra que se lhes foi imposto através da mudança de categoria, abdicaram da sua condição de sócio. Se foi mal ou bem feito, é uma questão de perspectiva.

    Quanto à idade dos associados ou dos (poucos) que de facto aparecem, não me faz qualquer tipo de confusão. É uma espécie de caça às bruxas por que muitos adeptos enveredam para justificar o injustificável. A mim preocupa-me muito mais a constatação de uma massa que não consegue pensar por si própria, que precisa que alguém lhes indique o caminho, numa Era em que até já temos GPS, passe a estupidez da analogia. A minha questão de base é só uma:

    Se somos um Clube tão rico em sócios/adeptos, tão socio-desportivamente importante, tão democrático e com tanta gente a gerar opinião, porque não há qualquer tipo de organização de fundo que permita às várias facções fazer-se ouvir e valer sem que, para isso, seja preciso assassinar as ideias contrárias ou diferentes?

    A oposição não tem que ser necessariamente adversária. Em meu entender, até bem pelo contrário. E sim, sei que esta minha ideia é uma mera utopia...

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