Próximo Jogo

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27/01/2014

As boas lições dos maus exemplos

Antes de mais, queria pedir desculpa aos nossos estimados leitores e, em especial, à equipa SVPN pelo tempo que estive ausente do blog, já que não pude dar o meu contributo tanto em artigos como em comentários nos últimos meses. Esta situação deveu-se principalmente a motivos profissionais mas, uma vez ultrapassadas essas barreiras, sinto que estou preparado para voltar a escrever e a partilhar os meus pensamentos, bem como toda a informação à volta do universo leonino com vocês.


Como ponto inicial, gostava de falar sobre os maus exemplos que a nossa Academia produziu recentemente e que vêem as suas carreiras a andar para trás, quando podiam neste momento estar a lutar por uma vaga no Mundial'2014 na equipa de Paulo Bento, como forma de reflexão para os nossos ainda jovens jogadores de todos os escalões. Falo, obviamente, de Agostinho Cá, Edgar Ié, Tiago Ilori, Bruma e, noutros moldes, Pedro Mendes.

Os luso-guineenses Agostinho e Edgar - principalmente o primeiro - eram figuras da equipa de Juniores do Sporting CP e da Selecção Nacional sub-19 que, pelas qualidades e sobretudo pela capacidade física que demonstravam, faziam antever um auspicioso futuro a nível europeu. O colega, embora não tão vistoso como Agostinho, era também uma das peças fundamentais da nossa equipa e podia ter um futuro risonho (por exemplo, como médio-defensivo, já que denota algumas carências para a posição de defesa-central). Além da nacionalidade, estes jogadores tinham outro aspecto em comum: o conflituoso e ganancioso agente, Catio Baldé que na altura tudo fez para levar os jogadores para a Catalunha (inclusivamente sob os préstimos de auto-mediático Bebiano Gomes), para disputar a Liga Adelante ao serviço do FC Barcelona B. No entanto, cedo se percebeu que o passo seria maior que a perna, e o Agostinho que brilhava com a verde-e-branca depressa passou a jogador banal... naturalmente, o nível era outro. Esta época conseguiu a proeza de ser emprestado ao Girona FC, Clube que luta pela permanência no segundo escalão espanhol. O amigo Edgar perfaz 124 minutos num total de 2 jogos.

Pelo entre esta encruzilhada deparamo-nos também  com Pedro Mendes que, apesar de se tratar de uma situação diferente das restantes, não tomou opções válidas, e pode servir de exemplo para os nossos jovens. Durante longas épocas, o central foi tratado como lixo a correr à volta da Alvalade, com empréstimos sobre empréstimos com pouca visibilidade, parecendo não poder vir nunca a tornar-se aposta definitiva pelos treinadores de Alvalade. Mas o objectivo de um jovem formado num Clube é - penso eu - subir aos A’s e ganhar o carinho da massa adepta. Eis que, então, os brilhantes Godinho Lopes e Jesualdo Ferreira apostam na sua afirmação, o que começa a dar frutos, mas o jogador está em fim de contrato e opta por assinar pelo Parma FC, onde a taxa de sucesso de jovens portugueses deve roçar o negativo (excluindo Luís Neto e, agora, Bruno Fernandes). Actualmente encontra-se emprestado ao US Sassuolo Calcio. Péssima opção desportiva.

Depois reparamos em Tiago Ilori que, no mercado de Verão, depois de um braço-de-ferro com o presidente Bruno de Carvalho, decidiu transferir-se para o Liverpool FC. O jovem central, que pensava ser o próximo central da moda, depois de Raphaël Varane despontar no país vizinho, dadas as características inatas, tem até ao momento 0 minutos disputados. Foi emprestado ao Granada CF para ganhar ritmo de jogo, e ganhar um lugar no plantel orientado por Brendan Rodgers para a próxima época. Mas não há que ter pena do jovem jogador, já que o mesmo disse há uns tempos que não se importava de ficar encostado 2 anos sem jogar para assinar pelos reds. Pois bem... já só falta ano e meio no banco de sonho. Importa referir que, caso tivesse ficado, provavelmente seria titular e, caso mantivesse o nível, estaria em vias de ser convocado à Selecção Nacional.

O que nos leva directamente ao nome do próximo jogador que, no mercado de Verão, fez correr meio mundo. O extremo luso-guineense Bruma foi aposta de Jesualdo Ferreira e Godinho Lopes para a segunda metade da época passada, depois de boas indicações deixadas ao serviço da Equipa B. Apesar da inexperiência e juventude, Bruma era, ainda assim, um dos melhores, senão o melhor extremo da nossa equipa. Era o próximo menino de ouro a nascer em Alvalade. O seu rendimento subia jogo após jogo, o que levou à cobiça de alguns tubarões europeus interessados no seu passe. Naturalmente, quanto maior era o seu destaque no panorama nacional, maiores eram as suas exigências salariais. Jesualdo Ferreira criou o problema, Godinho Lopes extendeu-o e, quando Bruno de Carvalho tomou posse, a situação do extremo já estava quase descontrolada e entrou, mais tarde, por vias jurídicas. O plano de Catio Baldé e Bebiano Gomes saiu furado, mas o próximo passo seria a transferência do jovem para a Turquia. Um dos jovens mais promissores mundiais assinava pelo Galatasaray SK quando era notório que, com algum trabalho específico e alguma cabeça, se ia tornar num fora-de-série. Actualmente, encontra-se lesionado com 5 meses de recuperação pela frente e deve falhar o Mundial, ele que, até então, estava a ter um rendimento intermitente na temporada dos campeões em título, visível pela classificação (estão a 7 pontos do líder e com um jogo de avanço).


Em certa parte, podemos dizer que estes problemas são gerados essencialmente pelos agentes do futebol. Concordo, mas acho que ser jogador não é só dar uns toques na bola, tem de se ter mais para além disso. Há que fazer uma boa gestão financeira e desportiva para a carreira e, como disse Jorge Cadete para a reportagem da SIC há uns dias, «quando as vossas carreiras acabarem os agentes estão-se a borrifar para vocês, já não lhes servem para nada«. Se, hoje, estes jovens tivessem optado pelo plano desportivo, não tenham dúvidas que seriam opções bastante válidas no conjunto de Leonardo Jardim. Assim, não só não estão a evoluir o esperado como a hipotecar qualquer hipótese de um dia voltar a vestir a verde-e-branca.

A nossa Academia, no caso de insucesso destes jogadores, não ganha com isso. É sempre preferível ter um Cristiano Ronaldo ou um Nani a brilharem lá fora, além das mais-valias futuras que podem gerar através de objectivos alcançados e potenciais transferências futuras.

Há no entanto, boas ilações a tirar destes maus exemplos. As saídas de Edgar IéAgostinho Cá, Pedro Mendes, Tiago Ilori e Bruma permitiram que nascessem duas esperanças dos adeptos leoninos: William Carvalho e Carlos Mané. E Eric Dier também ganhou mais espaço na sua posição com a saída dos centrais. Fazendo o balanço, perderam mais eles que nós.

P.S.: Karma’s a bitch!
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6 comentários:

  1. Sinceramente, não acredito que isto não volte a acontecer. Quando Agostinho Cá e Edgar lé saíram pensei que no futuro iam arrepender-se da decisão de deixar o Sporting tão cedo, e iam servir de exemplo para os restantes colegas. Mas como ficou provado com Bruma e Ilori, os maus exemplos não serviram de nada para que eles tomassem a melhor decisão para o seu futuro.

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  2. Excelente Post Miguel, e bem vindo de volta!

    No entanto, não estou assim tão optimista quanto às lições que os futuros jogadores do SCP possam tirar destes exemplos, tenho de concordar com o cepticismo do honoris. Cada vez mais as pessoas pensam no presente sem pensar no que poderão hipotecar a médio e longo prazo. Veremos o que o futuro nos reserva. Para já reserva-nos mais posts pertinentes como este!

    SL

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  3. De facto, e até à data, as opções erradas que esses jogadores têm tomado não têm servido de exemplo aos demais.
    Mas penso que a mudança de rumo que o SCP empreendeu com a vinda de BdC poderá alterar este estado de coisas.
    Repare-se que os últimos jogadores jovens a preferirem não renovar com o nosso clube foram Bruma e Ilori, que, enquanto cá estiveram, foram assistindo ao descalabro do nosso clube.
    Esta época inverteram-se as coisas e a politica é completamente diferente: as renovações estão a ser feitas atempadamente e há uma clara aposta na formação, com vários jogadores da B a ascenderem, com critério, à equipa A.
    Por outro lado, os empresários perceberam que com esta direcção, os interesses do SCP serão sempre defendidos, a todo o custo, nem que para isso seja necessário sacrificar os jogadores.
    Os nossos jovens pensarão agora duas vezes antes de embarcarem em aventuras como aquelas a que assistimos na passada pré-época.
    Não só porque começam a não ter margem para o fazer como também porque começa a ser atractivo para estes jogadores manterem-se no clube, vendo que é reconhecida a sua entrega e qualidade.

    Jarvalho

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  4. ILLUMINATOR27/1/14 22:47

    Por acaso já tinha reparado nisso sempre a descer este pessoal...espero que sirvam de lições para os outros!
    Penso que o illori e o bruma (dependendo da gravidade da lesão) ainda vão a tempo de serem craques foram pelo caminho errado mas lá chegarão...
    Ps: o pedro mendes não foi tratado como lixo esteve emprestado ao real madrid b e ainda se estreou na champions com a equipa principal (nunca me pareceu grande jogador...será que tem algum parentesco com o jorge mendes?).

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  5. Nisto tudo só existe um problema, o scp oferece 2 os outros oferecem 100 e nos achamos que os miúdos ficam cá com um sorriso nos lábios. O caso do Ilori que conheço relativamente bem é bem simples, o scp queria oferecer pouco e colocar uma cláusula de rescisão ridícula para o que lhe queria pagar. Compreendo perfeitamente o que o levou a sair e eu sou da opinião que todos os que saíram seriam muito melhores jogadores se tivessem continuado no scp mais uns anos.

    São opções, que temos de compreender, 4 mil euros por mês ao wiliam Carvalho vão fazer no final da época uma de duas coisas ... Ou é vendido ou é aumentado e muito, porque ninguém neste mundo se pode receber mais 10/20/30x aquilo que recebe fica satisfeito da vida nessa empresa.

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  6. LR

    Parece-me óbvio que se fará uma tentativa de renovação de contrato com o william, para valores próximos de Adrien e RP. Se não se fizer é porque a opção será vender o passe, e nesse caso espero que a estratégia seja comprar os 40% que nãos nos pertencem antes de efectuar a dita operação.

    SL

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