Próximo Jogo

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10/03/2014

Fátima, Futebol e Fado

Na semana passada houve um Conselho de Presidentes dos Clubes das Divisões Profissionais de Futebol, em Fátima, como é do conhecimento geral. Daí resultou a convocação de eleições (quase nada) antecipadas para os órgãos sociais da Liga Portuguesa de Futebol Profissional. Haveriam vários pontos de ordem a discutir, mas FC Porto e os seus pares (ou deverei dizer subalternos?!) não quiseram que se discutisse mais senão a destituição do actual Presidente daquele órgão, o que levou à saída prematura da reunião dos Presidentes de SL Benfica e Sporting CP.

Muito sinceramente, quanto a este ponto particular, ainda não percebi qual a postura de Bruno de Carvalho (e do Sporting CP, por inerência); se posso compreender a não tomada de posição, oficialmente, não consigo compreender para que lado tende a "nossa" posição. Já expressei a minha opinião sobre a actual Direcção da Liga mais que muitas vezes, e portanto não me vou repetir. Mas interessa-me muito mais tentar perceber quem se afigura como sucessor naquele órgão, até por me parecer que o FC Porto quererá garantir que a Liga não voltará a ser regida - sim, é mesmo este o termo - por alguém que não da sua laia. E só por aí entendo e aceito a não aceitação do "meu" Clube, quanto a esta discussão.

O que me parece claro, também, é que o SL Benfica, compreendendo o motim que hoje se afigura, pretenderá também o seu assento, não por uma questão de equidade com que Clube fôr, mas por uma questão de se substituir ao poder instituído ou que se pretende instituir. Assim, esta "colagem" ao Clube rival de Lisboa, ainda que momentaneamente vantajosa para os pergaminhos do Sporting CP, parece-me bastante perigosa. E porquê?!

Por motivos externos e internos, o Sporting Clube de Portugal foi perdendo poder (e estatuto, e respeito, entre outras coisas) no Futebol português, ainda mais visivelmente na travessia do deserto dos últimos 5/6 anos e, ainda que o Sporting CP continue a ser um Clube grande e apetecível, também no que a estas manobras brumosas que ainda se doutrinam por cá, só tem servido para que outro Clube possa dizer que «não estamos sozinhos, o Sporting CP está connosco», como pareceu dizer o Pinto-da-Costa-wannabe Luís Filipe Vieira, aquando da saída daquela tão famigerada reunião.

O que é claro é que o Futebol Português está completamente fissurado, não só na Liga mas em si mesmo, de entre insultos e alvíssaras de quem e a quem melhor servir. António Salvador e Júlio Mendes, Presidentes do SC Braga e Vitória SC respectivamente, são hoje exemplos vincados daquilo que é a subserviência a quem sabe que tem vindo a perder poder nas lides e que hoje volta a liderar a entourage de contestatários, ao bom género da tomada de Bastille, mas de ideais bem menos nobres. O que se pretende, afinal, é ganhar, ganhar mais, e para isso não importam os meios, importam apenas os fins. Porque quando se trata de ética desportiva, enchemos o peito e gritamos a plenos pulmões, para depois explicarmos contundentemente que «não somos anjinhos». Claro, é o Portugal desportivo que temos. E não só...

Ontem tivemos mais um exemplo do que é isto, por que todos nos apaixonamos a cada jogo, e constatámos de novo que isto não é só Futebol. É algo bem mais putrefacto...

Até agora, Bruno de Carvalho não se expressou, nem quanto ao jogo de ontem em particular nem em relação ao imbróglio da Liga. Em boa verdade, nem tem que o fazer nem meras palavras levam ao que quer que seja. É preciso enveredar «por outro lado», citando Luís Filipe Vieira, porque a cultura do medo, costume dos ditadores, não fica bem... mas dá resultados! E senhores como Vítor Pereira, da Comissão de Arbitragem da FPF, talvez só assim perceberão que o descontentamento das pessoas, de tanta afronta décadas a fio, não cai em saco roto. E o Futebol português precisa, de facto, há largos e largos anos, de uma revolução. Interessa é perceber a quem favorece o motto!

Fátima, Futebol e Fado: era este o mote pelo qual se caracterizava Portugal, algo perjurativamente, noutra Era, como se Portugal não fosse além disto. Hoje, em pleno Século XXI, em 2014, nada mudou...
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