Próximo Jogo

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03/03/2014

Verde-Esperança


Sim, é verdade! Pelo segundo trimestre consecutivo, num ano em que se perspectivavam dificuldades várias, o Sporting Clube de Portugal consegue aliar aos (relativamente) bons resultados desportivos resultados financeiros positivos. Depois dos 7.238M € positivos do 1º trimestre do ano, e apesar do abaixamento, consegue-se apresentar resultados de 3.724M € positivos ao fim do 1º semestre da época.

Antes que surja quem ainda veja fantasmas e caças a bruxas (des)conhecidas, importa referir que seria impossível não fazer a devida comparação com o passado (nomeadamente, com o anterior mandato, em que os resultados atingiram prejuízos na ordem dos 100M € globais, e 21.946M € negativos em período homólogo), até porque não somos todos cegamente confiantes, nem no passado, nem no presente nem no futuro. Há que trabalhar e fazê-lo bem, para que estes resultados de agora possam vir a ser possíveis recorrente e sistematicamente. Sem que, para isso, o factor desportivo seja negligenciado!

Mesmo com proveitos operacionais em perda, comparativamente ao ano transacto (16.721 contra 17.7M €), o que se justifica pela não participação nas provas europeias e perda de receitas daí resultantes, bem como a mudança da quotização da SAD para o Clube, há indicadores positivos, como o aumento nos proveitos relacionados com transmissões televisivas e um (significativo) acréscimo nas receitas relacionadas com a bilhética. Os custos, esses sofreram uma pesada redução, assente na reestruturação levada a cabo, diminuindo o número de pessoas e cargos no Clube, aumentando a eficiência dos remanescentes, e diminuindo a sub-contratação de fornecimentos e serviços externos (poupanças de 6.724 e 4.010M €, respectivamente, num total de 10.734M €). As amortizações e perdas de imparidade do plantel sofreram também uma variação positiva de 2.603M €, o que significa um acréscimo global do valor recuperável do plantel relativamente ao que estava avaliado no momento da contratualização dos mesmos, para quem não está familiarizado com estes termos.

Daqui excluo as alienações de Tiago Ilori e Bruma, as principais motrizes da variação positiva na transação de activos, no valor de 13.032M €, que se reflecte num aumento do activo global em 9.345M €, contra o aumento do passivo em 5.621M € (para um total assombroso de 264.494M €), fruto do financiamento bancário para pagamentos de dívidas em atraso. Mais se informa que a poupança global com alienações de jogadores se situa em 12.8M €, nomeadamente com as saídas de jogadores que reflectiam encargos importantes para o Clube.

Neste aspecto, sobram os valores percentuais a receber futuramente, abaixo indicados, dependentes das transferências dos jogadores elencados e montantes relacionados, o que poderá vir a ser (mais) uma importante fonte extraordinária de rendimento:

Quando se compara com os resultados financeiros dos mais directos rivais, se é que se pretende fazê-lo, é absolutamente esclarecedor que o caminho a trilhar tem que ser este, o da poupança e contenção de gastos, seja para o Sporting Clube de Portugal ou qualquer outro Clube, dos que vêm gastando bem acima das suas possibilidades, enveredando por investimentos de risco, muitas vezes desmesurados, sem que os resultados desportivos o acompanhem, alimentando a tal bola de neve negativa que só cresce, destruindo eventualmente as frágeis bases em que assentam as raízes financeiras. Só as SAD dos 3 maiores Clubes portugueses atingem perto de 1.000M € de passivo acumulado; aos quais ainda terá que se contabilizar os exercícios financeiros dos Clubes em si (que também serão negativos em larga escala). A política do "deixa andar" não durará muito mais!...

Resumindo e concluindo, muito me alegra que o Sporting CP esteja a trilhar o seu próprio caminho, difícil (como era expectável), de recuperação financeira e desportiva, rumo à sustentabilidade que todos auspiciamos e que levará a uma maior independência dos nossos principais credores. Embora seja absolutamente imperioso ter sempre presente a ideia do não deslumbramento, cumprindo restritamente o plano financeiro acordado, transmitindo a confiança que entretanto havíamos perdido, tanto internamente como externamente. Como? Trabalhando, como se tem feito até aqui, no superior interesse do Clube, e contribuindo muito menos para os restantes interesses, supérfluos, que sempre tentam girar à volta do Futebol, dos Clubes e das pessoas que os gerem!

Em frente, Sporting, que o caminho é duro mas não é impossível!
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1 comentário:

  1. Excelente post.
    Mais um, aliás, destacando-se este pela especificidade da matéria analisada, que nem todos - onde me incluo - domina facilmente.
    Mas a clareza e estruturação do post permite a qualquer "leigo" entender facilmente a clara evolução positiva que as contas do SCP vêm apresentando, ao que parece de forma consistente.
    Como tudo mudou em tão pouco tempo.
    Mais um aspecto positivo desta direcção, que consegue apresentar um assinalável sucesso em termos desportivos com poupança de recursos, o que é obra!
    Não tenho, também, dúvidas que o caminho para o futuro é este: o da contenção dos custos, o do aproveitamento da formação, o do rigor da contabilidade.
    Nesse aspecto, o SCP começou já a fazer o trabalho de casa e pode tirar disso vantagem a curto/médio prazo, pois que os seus rivais, mais tarde ou mais cedo, terão também de fazer o mesmo, sob pena de colapsarem.
    E, nessa ocasião, o SCP estará já à frente, com as suas contas arrumadas.

    Esta direcção tem vindo a vencer sucessivas batalhas, faltando uma que será determinante: aquela que envolverá a derrota do "sistema".
    Pelos dados que vão chegando, BdC iniciou já essa luta.
    E bem precisamos que a ganhe, para que arbitragens como as de ontem em Guimarães e em Belém - particularmente esta - e, bem assim, as que nos têm tirado pontos e vitórias - de que são flagrante exemplo as ocorridas com o Nacional da Madeira e com o Benfica, para a Taça de Portugal - bem como as manigâncias que nos levaram ao afastamento da Taça da Liga, não se repitam.

    Jarvalho

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