Próximo Jogo

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05/05/2014

Planeamento de intenções

Aos olhos dos media e, consequentemente, dos adeptos leoninos, agora que a época está acabada (classificativamente falando) e praticamente terminada oficialmente, ao que ao Sporting Clube de Portugal diz respeito, gera-se uma legítima preocupação premente: e a próxima época?!

Como parece óbvio, precisamos reforçar (no verdadeiro sentido do termo) este plantel, reorganizá-lo - se quiserem - para fazer face ao incremento de competitividade que com certeza se nos irá deparar na próxima temporada. Não é caso, porém, do negativismo do tom com que essa preocupação é expressada, avulsamente, sustentada nos mesmos predicados e lugares-comuns que, como disse anteriormente, não são mais que a consequência de uma indústria mediática intrumentalizada em favor dos próprios interesses e pay-rolls.

É claro que este plantel, já de si curto para esta época, qualitativa e quantitativamente, precisa ser incrementado com, por exemplo, alternativas para as alas da defesa, mais um central de qualidade para fazer o tal leque de quatro, uma verdadeira alternativa para a posição de médio mais defensivo, alternativas capazes de substituir, sem perda, as ausências de Adrien Silva e/ou André Martins, extremos de uma outra índole, menos verticais e mais criativos e, quiçá, um outro ponta-de-lança. Salvaguardando a substituição directa de qualquer jogador dito titular que porventura venha a sair...

Quanto a mim, o erro de intenção na mente dos adeptos estará em pensar na Champions League como uma prioridade indubitável, querendo sustentar a construção do plantel mormente pela participação na dita competição. Há que compreender que o Sporting Clube de Portugal atravessou, e atravessa ainda, uma crise profunda de identidade, a todos os níveis, da qual será muito difícil sair, e muito menos assim de uma época para outra. Como tal, a maior prioridade terá que ser sempre o Campeonato Nacional, primeiro, estabelecendo depois uma hierarquia de prioridades que, na minha opinião, passaria pela Champions League, Taça de Portugal e, finalmente, Taça da Liga (com juniores ou não). A afirmação interna, no campeonato, será sempre algo que não se pode perder de vista, sob pena de perder tudo o resto, inclusivé o respeito.

Dito isto, não quero passar a ideia de que ficarei resignado se a campanha na Fase de Grupos da Champions League for menos que condigna com as nossas capacidades face aos adversários. Só não considero que se deva construir ou deixar de construir, opinar favorável ou desfavoravelmente quanto ao plantel para 2014/2015 com base nessa competição. Até porque, como sobejamente discutido, não temos capacidade financeira nem margem de risco para enveredar pela mesma estratégia recente dos rivais, pelo investimento (ainda que a alto custo) para rentabilizar depois com as vendas! Soa a cliché, mas não deixa de ser verdade que temos que fazer mais com menos.

Ainda ontem ouvi Paulo Bento dizer, numa clara (in)directa a nós, adeptos leoninos, que espera que tenhamos percebido, enfim, a importância de um 2º lugar no campeonato. Nunca se tratou de ausência de ambição (em dois dos anos dele podíamos perfeitamente ter sido campeões), mas sim da constatação realista de que, sendo o 2º lugar classificativo o 1º dos últimos, acarreta hoje em dia uma significância financeira na gestão dos Clubes da qual é impossível escapar. O SL Benfica sofreu na pele aqueles 4 anos fora da maior competição europeia de Clubes, e o Sporting CP sofreu da mesma forma, com prestações internas longe dos pergaminhos de um Clube como este! Dentro do expectro das derrotas, umas são piores que as outras, umas obrigam-nos a um maior esforço que outras. O FC Porto ou o SC Braga desta temporada são exemplo disso, tal como o Sporting CP dos últimos anos...

Discuta-se o quanto se quiser sobre o que se quiser mas não percamos a noção do que é realmente preciso fazer no contexto actual do Clube... e, já agora, avise-se Vítor Pereira e a APAF que o campeonato está feito. Já não é preciso deixar de marcar penaltys, como no Sábado passado.
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7 comentários:

  1. Bom post, Mauro

    A fronteira entre ser um arauto da desgraça e ter uma preocupação sustentada e realista é ténue. Quero acreditar que a grande maioria dos Sportinguistas pertence à segunda categoria. É verdade que a equipa este ano teve uma prestação fantástica, mas para além dos aspectos francamente positivos , há outros números que não deixam de ser indicadores das limitações que porventura terá.

    Falo da franca incapacidade para ganhar jogos às melhores equipas que fomos defrontando ao longo da época. De entre os 5 primeiros classificados da liga, apenas ganhámos 1 em 9 jogos (estou a incluir os confrontos com o benfica e porto para as taças), faltando um décimo e derradeiro confronto deste tipo, com o estoril em alvalade.

    Assumindo que vamos defrontar mais adversários deste e até de outros calibres na próxima época, e tomando estes dados em consideração, penso que há motivos para uma reflexão e consequente acção por parte da estrutura que dirige o futebol do Sporting.

    Acho que pensar assim não é ser arauto da desgraça e muito menos "maria vai com as outras" em relação à imprensa desportiva. É importante fazer essa distinção clara, a meu ver.

    abraço e SL

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  2. Diogre,

    Relativizando:
    CD Nacional: 2 empates, duas péssimas exibições, 2 lances que potencialmente nos dariam duas vitórias, ainda assim (golo mal invalidado a Slimani em Alvalade, penalty por assinalar sobre Capel na Choupana);
    GD Estoril-Praia: A ver vamos como corre em Alvalade, má exibição no Estoril (mesmo assim há um lance duvidoso de penalty sobre o Montero - que eu não considero que o tenha sido, mas vou contra a opinião generalizada);
    FC Porto: 3 jogos, 1 vitória, 1 empate e 1 derrota, sem que em qualquer dos jogos tenhamos jogado verdadeiramente mal (no Dragão podíamos ter feito mais, mas também não jogámos mal), fomos beneficiados na vitória em Alvalade;
    SL Benfica: Bom jogo para a Taça (ainda que displicente defensivamente) que acabou por dar em derrota, bom jogo em Alvalade, que deu empate, com algum benefício da arbitragem, e péssimo jogo na Luz, que deu derrota inequívoca.

    Exibicionalmente, sim, porventura teremos algo a melhorar relativamente aos jogos com estes adversários (mormente vs Nacional e Estoril), ainda assim, do ponto de vista dos resultados (e por isso é que falei das arbitragens), não está tão negro assim, podendo e devendo sempre ser melhorado. Aliás, até considero o erro mais do lado da estratégia com que Leonardo Jardim abordou estes jogos do que do próprio plantel em si, até porque fiquei sempre com a distinta sensação de que poderíamos ter feito mais, mesmo com o parco plantel que temos.

    O post nem era direccionado para esta discussão (não directamente, pelo menos), mas compreendo e acedo a essa crítica, porque faz sentido. Ao que eu não consigo achar nexo é ao que expressei no post, porque do que ouço fico sempre convencido que se discute a próxima época quase exclusivamente do ponto de vista da champions, como se fosse absolutamente obrigatória construir uma equipa capaz de a disputar, redutoramente falando, passando por cima das competições internas que, para mim, de momento (nos próximos anos, leia-se) terão sempre que ser prementes relativamente às competições europeias. Só quando atingirmos a estabilidade interna que ainda não temos é que podemos, e mesmo assim só muito racionalmente, tentar aferir se se pode passar para um outro nível...

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  3. Mauro, concordando quase na íntegra com o que escreveste, gostava de te deixar uma pergunta.

    Sabendo que o Sporting precisa de se reforçar, sabendo que o plantel foi curto esta época e que na próxima estaremos em mais frentes, por exemplo liga dos campeões, que tipo de abordagem achas que devemos ter neste defeso, ou melhor, que tipo de abordagem achas que a direcção vai ter?

    Achas que a aposta vai ser novamente em jogadores de ligas menores, ou até mesmo da segunda divisão brasileira, (alguns deram mesmo resultado) ou achas que a aposta vai ser diferente, tipo em jogadores já com algum nome em ligas europeias, ou mesmo nas sobras dos tubarões europeus?

    Sinceramente, a minha preocupação advém do assumir claramente que somos candidatos ao título, acho que estão a elevar a fasquia de uma forma desnecessária, sabendo que o Sporting tem um longo caminho a percorrer no que toca a diminuir distâncias para os rivais.

    A minha esperança para a próxima época é a seguinte, não deixar sair William, Rojo, Dier, Carrilo e Adrien e apostar as fichas todas em 3 reais mais valias, 2 extremos e um médio ofensivo que entrem de caras no 11, completando o resto do plantel recorrendo à equipa b e aos emprestados. Se assim for, os meus níveis de confiança aumentam exponencialmente.

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  4. Bom post, Mauro, a colocar no seu devido lugar o que deverão ser, para o próximo ano, as prioridades do SCP.

    Lutar pelo 1º lugar no campeonato português e, depois, as demais competições, pondo eu o enfoque na Taça de Portugal e só depois na Champions League. a Taça da Liga, para mim, será descartável.

    E claro que o plantel nunca deverá ser construido a pensar na Champions, pois que, aqui, o objectivo será apenas ter uma presença digna.
    O que nunca será passar a fase de grupos, mas sim garantir a presença na Liga Europa com o maior número possível de pontos/euros.

    Relativamente às contas do Diogre no seu comentário, é certo que apenas ganhámos 1 em 9 jogos, mas não é menos certo que apenas perdemos 2 desses 9 jogos (não contabilizo aqui o jogo da Taça, que perdemos no prolongamento, pois ao fim dos 90 m o jogo estava empatado).

    E como salienta o Mauro, nesses 9 jogos apenas fomos manifestamente inferiores ao adversário na derrota por 2-0 na Luz, tendo havido relativo equilíbrio senão mesmo superioridade em todos os outros, nomeadamente nos jogos em casa com o Benfica para a Liga (empate a 1 golo) e com o Porto para a Taça da Liga (empate a zero).

    E destaco que, pese embora esse saldo negativo nos jogos com os 5 primeiros, fomos francamente superiores, com 100% de vitórias, frente a outros adversários que são habitualmente equipas fortes e não raro são elas que ocupam esses 5 primeiros lugares.
    Refiro-me ao Braga, Guimarães e Maritimo, equipas contra as quais vencemos todos os jogos que realizámos contra elas.

    O SCP deu um passo muito grande este ano relativamente à época transacta, mas sempre com os pés bem assentes no chão, e o objectivo para a próxima época nunca deverá ser, a meu ver, atingir já o patamar em que se encontram os nossos adversários directos, particularmente o Benfica, mas sim dar mais um passo em frente na consolidação, sem nunca entrar em loucuras que comprometam o bom trabalho até agora realizado.

    Jarvalho

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  5. Mauro Silveira,

    Muito sinceramente, acho que a estrutura está bastante mais atenta a possíveis oportunidades de negócio de jogadores em ligas menores ou menos expressivas, mas isso não invalida que estejam também atentos às possíveis dispensas dos tais "tubarões". Há riscos inerentes a qualquer uma das opções (Welder, Magrão, até o Sikabala - se quiseres - por um lado, Jeffrén como maior e mais recente exemplo por outro). Acho que a direcção não se vai deixar levar pela (relativa) euforia da participação na champions para enveredar por outro tipo de abordagem ao mercado que não a que fez esta época - e no meu entender fazem bem, porque considero bem mais importante cimentar uma posição firme no campeonato nacional, antes de começarem a pensar na cimentação ao nível europeu. As dispensas de Clubes de topo da Europa têm um peso maior, financeiramente falando, e não acho que o Clube esteja em condições já de se dar a essa opção, por mais margem de manobra que tenha conseguido.

    A afirmação de BdC, assumindo o SCP como candidato ao título da próxima época, quanto a mim, foi prematura e impulsiva. Dito isto, ainda que com as tais distâncias que referes, não é impossível fazê-lo (e esta época demonstra-o, por mais que outros queiram menorizar o alcançado), desde que mantenhamos todos essa noção, de que as distâncias não desaparecem com um estalar de dedos ou porque se diz que vamos ser candidatos ao título!

    Para a próxima época, é preciso tentar pelo menos manter aqueles que constituem a identidade construída (se calhar retirava daí Carrillo e incluiria Rui Patrício) - veremos se é possível. Em matéria de reforços, já referi no post o que acho que precisamos imperativamente (não quer dizer que tenham que ser todos aquisições externas). A minha expectativa para a próxima época assenta em algo parecido com o que se fez este ano, espero que com participações melhores relativamente às Taças, e moderadamente despreocupado relativamente às competições europeias - tentando fazer o melhor possível, mas consciente que será muito difícil.

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  6. jose carlos guinote8/5/14 13:23

    Concordo que a época não pode ser planeada tendo a Liga dos campeões como foco. Seria um enorme disparate. A participação deve ser digna desportivamente e rentável financeiramente, mas, mesmo deste ponto de vista o grosso da receita está já assegurado. O objectivo número um deve ser a Liga e o título. Acho inevitável a venda de alguns jogadores e não vejo isso como uma desgraça antes pelo contrário. Julgo que uma receita de vendas da ordem dos 50/60 milhões - valor a receber efectivamente pelo clube - mais a receita da Liga dos Campeões é fundamental para consolidar o clube e permitir-lhe outra constância como clube vitorioso em Portugal e importante na Europa. Não virá mal ao mundo se vendermos Patrício e Williams e mesmo Rojo. Ficamos bem servidos com os que cá temos e com muito dinheiro para gastando um quinto desse dinheiro todo reforçar muito bem a equipa. Boeck é um guarda-redes muito com. Dier é o melhor central do Sporting e valerá, se jogar, tanto quanto William a curto prazo. O Tobias que está em Espanha e o Semedo são bons e o central do Guimarães é optimo e não deve ser caro. João Mário, Zezinho - o que está na Grécia - Rinaldo e Esgaio asseguramos reforços de muita qualidade no meio-campo. Temos o Shilabala que deve ser bom. O Magrão e o Vítor são dispensáveis embora eu goste deste jogador. No ataque não mexia muito. Acho sempre um erro vender o Cappel. Pelos vistos o Montero adora o Cappel e percebe-se bem porquê. Se perguntarem ao Slimani ele dirá a mesma coisa.

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  7. José Carlos Guinote,

    Por princípio, eu tentaria manter (até onde me fosse possível) aqueles que eu considero a estrutura desta equipa, ou seja, Rui Patrício; Marcos Rojo, William Carvalho, Adrien Silva e Fredy Montero. Disto isto, e não sendo possível manter alguns destes jogadores, há que ir ao mercado. Não em relação a todos, mas pelo menos para algumas posições. Nomeadamente a para o centro da defesa, para o meio-campo e para as alas.

    Rúben Semedo e Tobias Figueiredo podem até vir a ser muito bons (mais o 2º que o 1º), mas não estão ainda preparados para o nível que o Sporting CP terá que apresentar na próxima época; Zezinho, para mim, continua uma incógnita, de João Mário tenho a esperança que se enquadre bem na equipa e de Fabián Rinaudo - além de acreditar que continuará por Itália - nutro um imenso carinho, mas reconheço-lhe falhas, enquanto jogador, que quase o impossibilitam de voltar a integrar qualquer plantel do Sporting CP.

    Quanto ao central do Guimarães que fala, suponho que o Paulo Oliveira, mais depressa optava por Frederico Venâncio (Setúbal) numa aposta mais de futuro ou no Yohan Tavares (Estoril) numa aposta mais para o presente. Quanto ao Esgaio, acredito que será um jogador importante, mas infelizmente contra minha vontade, parece que Leonardo Jardim o pretende situar a lateral-direito, o que acho uma enorme perda de talento, mas a ver vamos.

    Magrão e Vítor são dispensáveis, concordo (nunca se adaptaram muito bem ao sistema de Jardim), mas Capel também não é "o" extremo que precisamos, como não o são Héldon ou Wilson Eduardo - precisamos de extremos com mais jogo nos pés. Os avançados talvez gostem muito do Capel, já os treinadores será outra história, acedendo que o espanhol é importante numa lógica de cruzamentos avulso. O melhor que consigo sublinhar dele é a garra e a facilidade como "tira" faltas aos adversários...

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