Próximo Jogo

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23/06/2014

O que nasce torto, tarde ou nunca se endireita

Chegou ao fim o sonho. Sonho esse que começou a ser destruído no dia em que Paulo Bento escolheu os 23 convocados e que terminou ontem, com mais 90 minutos de um futebol mau demais para ser verdade. Apenas um milagre poderá mudar o destino de Portugal no Mundial do Brasil mas, tendo em conta o futebol que a Selecção Portuguesa pratica, é mais provável que sejamos nós a levar 4 ou 5 da Selecção do Gana do que propriamente o contrário. 

Vou então tentar explicar um pouco mais ao pormenor. Para compreendermos melhor as nossas falhas, queria só lembrar-vos dos princípios básicos do jogo colectivo em futebol. Presentes em todas as fases e momentos do jogo ou, pelo menos, assim devia ser posto em prática por qualquer equipa estão 3 simples princípios gerais: 
  1. Não permitir a inferioridade numérica
  2. Evitar igualdade numérica
  3. Procurar criar superioridade numérica        
Infelizmente, temos um seleccionador que não respeita nenhum destes princípios em quase todas as decisões que toma na organização da sua equipa. É sabida a (não) influência que Cristiano Ronaldo tem na organização defensiva da Seleção. Raramente acompanha as subidas do lateral adversário e, por isso, o principio "não permitir a inferioridade numérica" é sempre posto em causa, dado que nesse flanco iremos estar sempre em inferioridade numérica (lateral vs extremo e lateral adversário). É incrível como é que Paulo Bento precisou de um jogo inteiro com a Alemanha e mais 30 deste minutos deste jogo para perceber isso, altura em que pediu a um dos interiores que fechasse mais na ala.

Acho que nunca tinha visto um médio defensivo passar tanto tempo à frente dos dois médios interiores aquando da organização defensiva. Não é que ter Miguel Veloso atrás de João Moutinho e Raúl Meireles fizesse muita diferença, dada a sua incapacidade de ajustar em função do posicionamento dos colegas mas, ainda assim, não deixa de ser uma situação que demonstra bem que para Paulo Bento é preferível ter o seu médio defensivo a correr atrás da bola (ou do adversário) do que a ocupar bem o espaço para que a bola não seja colocada entre a linha defensiva e a linha do meio campo. 

E o que dizer da organização ofensiva portuguesa? Básica, básica, básica... Mais uma vez, nada de respeitar o princípio "procurar criar superioridade numérica". Nunca conseguimos construir jogadas com princípio, meio e fim, porque houve sempre um momento em que o portador da bola se viu privado de apoios próximos e frontais, obrigando-o a tomar decisões de risco que normalmente terminaram com um passe errado ou um cruzamento sem nexo. 

Dizia Paulo Bento, antes da convocatória, que era importante ter um jogador com características de médio ofensivo e extremo, ou seja, um jogador que fosse capaz de fazer a ligação entre a ala e o meio, dando como exemplos Carlos Mané, Danny e Rafa. Tendo nos 23 convocados um destes jogadores, porque é que não foi utilizado, mesmo depois de observadas as dificuldades de Portugal em construir situações de perigo pelo corredor central? Se o objectivo era terminar todas as jogadas com cruzamentos para a área, então no lugar de Rafa deveria ter sido convocado Ricardo Quaresma. Que se lixe a superioridade numérica. 1x1 na ala, cruzamento. 1x1 na ala, cruzamento é que é bom. Básico é dizer pouco. 

Resta esperar que com o fim do Mundial venha também o fim da ligação de Paulo Bento à Federação Portuguesa de Futebol para que o futuro seja mais do que "bola no Cristiano Ronaldo e fé nele".
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