Próximo Jogo

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17/06/2014

Tanta desorganização só podia dar em humilhação

Péssimo inicio de Mundial, a todos os níveis. Colectivamente - se é que se pode colocar a palavra colectivo e Selecção na mesma frase - fomos simplesmente ridículos. Organização defensiva primária, organização ofensiva inexistente (também condicionada pela expulsão de Pepe) e com excepção de uma ou duas transições rápidas, fomos presas fáceis. 

Começando pelo 11 inicial, o já esperado "crime" de Paulo Bento, deixando no banco William Carvalho para colocar o "seu" Miguel Veloso. Só gostava de entender em que aspecto técnico/táctico é que Veloso é melhor que William: Tomada de decisão? Capacidade de manter a posse de bola? Ocupação do espaço? Recuperação defensiva? Desarme? Enfim. 

A organização colectiva, como referido na introdução, foi RIDÍCULA. Defensivamente, e como já era esperado para quem viu com olhos de ver os amigáveis de Portugal, os problemas foram os esperados:

Distância entre sectores - Quer em posse, quer sem bola, foi gritante a distância entre os diferentes sectores da equipa. Algo inesperado? Nem por isso. Já nos particulares contra o México e Irlanda o problema esteve lá, a diferença foi que a Alemanha tem jogadores capazes de explorar o espaço entre-linhas que Portugal oferece de bom grado. Em posse, a incapacidade de realizar mais que 5 passes seguidos devido à ausência de apoios próximos e frontais ao portador da bola.  

Pressão - Simplesmente nem existiu. João Moutinho como médio mais avançado com o objectivo de pressionar 1ª fase de construção do adversário? Será que o Paulo Bento não sabe que a pressão só resulta se for colectiva? Será que ele não sabe que, para a pressão ser bem sucedida, os sectores têm de estar próximos de modo a que as coberturas sejam bem executadas? Seja com 10, 11 ou  até 12 jogadores em campo, o meio campo alemão ia sempre conseguir circular a bola com tempo e espaço, dada a desorganização dos jogadores portugueses, aquando da pressão.

Do ponto de vista ofensivo, a previsibilidade do costume na definição dos lances:

Jogo Interior - No 4x3x3 de Paulo Bento o jogo interior não existe. Bola no corredor lateral e a única solução é cruzar para área, dada a ausência de linhas de passe próximos ao portador em zonas interiores. Posto isto, e como a Alemanha actua com 2 centrais no eixo defensivo e mais 2 centrais adaptados nas posições laterais (capazes de fechar dentro), a facilidade com que anularam os nossos cruzamentos para área foi enorme.

Ataque Posicional - Apesar do ataque rápido ser a nossa maior arma, nem sempre é aquela que é melhor usar. Não tanto pelo jogo de ontem mas, pensando mais nos próximos dois jogos, teremos forçosamente de melhorar a qualidade do nosso ataque posicional, ou então iremos ter bastantes dificuldades para entrar no bloco mais recuado e compacto dos adversários que se seguem. Como é que isto se faz? Colocando um jogador mais criativo a actuar entre as linhas adversárias, como por exemplo Rafa ou Nani, baixando João Moutinho para a posição de Raúl Meireles.

Em suma, apesar de achar que pouco iremos melhorar do ponto de vista colectivo, acredito no apuramento. Quer a Selecção do Gana quer a dos EUA não têm a qualidade individual dos alemães e, por isso, as nossas fragilidades irão ser menos vezes postas a nu. Tornando a pressão verdadeiramente colectiva e intensa, caso Paulo Bento coloque William Carvalho, recue João Moutinho dado que é o médio mais forte nas coberturas e coloque um médio mais criativo a jogar entre-linhas, é possível ganhar os próximos 2 jogos e passar a fase grupos. Assim o esperamos!
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