Próximo Jogo

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31/07/2014

Dois caminhos, um rumo

Numa fase em que se discute a política de transferências do Sporting CP, assente na sua maioria em jovens de mercados subvalorizados, e o caminho a seguir depois de uma grave crise financeira a juntar às expectativas já assumidas de ser Campeão, sabendo que os rivais se encontram melhor preparados em termos de qualidade de plantel (sobretudo o FC Porto), há que se encontrar estratégias para permitir a curto e longo prazo atingir ou até superar o nível de FC Porto e SL Benfica.

Rejeitando já por inteiro a ideia de alguns Sportinguistas, que acreditam que o Sporting CP tem capacidade para contratar jogadores feitos que se assumam como craques no imediato, não é esta a filosofia que se coadunará com o nosso Clube, nos próximos anos. Na minha opinião, claro está...

Vou portanto apresentar dois modelos, que considero exemplos a seguir e que podem fortalecer o nosso Clube e estreitar as barreiras com os rivais, no mínimo.
  • Borussia Dortmund:

O Clube do Westfalenstadion viveu um período de grave crise financeira, tal como o Sporting CP, esteve muito perto da falência devido a uma gestão imprudente e só um empréstimo do rival FC Bayern München ajudou a que não caísse de vez. Porém, o Dortmund pós-2005 tornou-se significativamente diferente, e hoje em dia encontram-se já no top-5 dos melhores Clubes do Mundo. Como isto foi possível?

Entre o grande mérito de Jürgen Klopp também se encontra indubitavelmente a qualidade individual de alguns jogadores, mas vamos recuar novamente: o Borussia Dortmund procurou logo voltar ao topo do futebol e reerguer-se. Para isso, teria de ter uma equipa competitiva e que, simultaneamente, oferecesse lucro financeiro no futuro para voltar a tornar o Clube rico.

A estratégia passou, portanto, por contratar jogadores de mercados mais underrated, mais acessíveis aos cofres do Clube e, sobretudo, com incidência em jogadores muito jovens que podiam oferecer margem de progressão. Contrataram-se então jogadores como o jovem desconhecido Shinji Kagawa, Robert Lewandowski, Neven Subotić, Mats Hummels ou Sven Bender - todos eles jogadores de Clubes de 2ª linha (excepto Hummels que, ainda assim, jogava na formação secundária do FC Bayern München) - e simultaneamente apostando em jogadores da Equipa B e/ou Juniores como Mario Götze ou Marcel Schmelzer - todos jogadores que, à partida, não trariam muita qualidade, nem garantias de títulos subsequentes, e que não iam acrescentar nada de novo à equipa, teroricamente.

E contra todas as probabilidades, criou-se uma equipa Bicampeã e que recolocou o Borussia Dormund de novo financeiramente estável, com vendas milionárias e jogadores desejados por todos os Clubes de elite.

Todos jogadores que à partida não trariam muita qualidade e garantias de títulos portanto e que não iam acrescentar nada de novo à equipa. Esta frase do post parece a opinião expressa de alguns Sportinguistas sobre a política de transferências do nosso Clube, não parece?!

O Sporting CP tem seguido o caminho do Borussia Dortmund e contratado jogadores que possam trazer qualidade no presente mas, acima de tudo, com muito potencial futuro e que, como no caso do Clube alemão, sejam sinónimo de títulos e transferências milionárias que tanto precisamos. Enquanto isso, vários adeptos, para além de se queixarem dos reforços, pedem jogadores feitos que, por muito que até tragam qualidade imediata, não serão importantes no rendimento desportivo e, em caso de falhanço desportivo, serão sempre apostas de alto risco. Para além de que, neste momento e nos próximos anos, o Sporting CP não tem condições financeiras minimamente exigíveis para cativar esses tais jogadores de craveira.

Porventura, quando em 2010 foram integrados no plantel, Kagawa, Lewandowski, Hummels, Subotić ou até Götze  também seriam jovens e que apenas serviriam para segundas opções, mas a verdade é que provaram que afinal tinham qualidade para dar e vender e foram a base dos sucessos do Clube alemão, o que lhes permitiu retomarem o caminho que haviam perdido.

Concluindo, porque será então que não se confia no trabalho do scouting e não se acredita na qualidade e potencial que jogadores como Paulo Oliveira, Simeon Slavchev, Oriol Rossell, Ryan Gauld ou até Junya Tanaka (Kagawa até chegou com menos créditos à Alemanha) para recolocar o Sporting Clube de Portugal de volta ao topo?
  • Southampton FC:

Os Saints - uma das equipas com mais tradição no Reino Unido - é também albergue de uma das melhores academias do Reino, tendo saído de lá jogadores como Matthew Le Tissier, Alan Shearer ou, mais recentemente, Theo Wallcott e Gareth Bale. No entanto, também atravessou um período de crise, chegando mesmo a descer á League One (equivalente à extinta II Divisão B portuguesa). Quando se viu neste período apertado, o Southampton FC começou a apostar naquilo que tem de melhor: a formação, subindo degrau a degrau até regressar ao topo do futebol inglês, à Premier League.

O ideal da aposta da formação foi mantido, ainda assim, nas duas primeiras épocas de Premier League, o que fez com que obtivesse dividendos extraordinários com os jogadores formados internamente, que se destacaram nessas duas épocas, como Luke Shaw e Adam Lallana entre outros. Assim, com a aposta na sua excelente academia - que André Villas Boas comparou à do Sporting Clube de Portugal - construíram uma base consistentemente sólida que lhes deu o que o Sporting CP tem de procurar todos os dias: rendimento desportivo e financeiro.

Em Alcochete, a academia dos leões não fica a dever nada à do Southampton FC, mas os ingleses, ao longo dos últimos anos, são dotados de uma particularidade crucial de que o Sporting CP, ou melhor, os Sportinguistas não tiveram, paciência.

Adam Lallana, o líder dos Saints entretando transferido para o Liverpool FC, teve cerca de 6/7 anos para explodir, como acabou por acontecer nestes últimos dois anos. Aliás, demorou três anos para sequer jogar regularmente. O Southampton FC não teve medo de atirar os seus “Matheus Pereira’s, Bruma’s, Ricardo Esgaio’s ou Wallyson Mallmann’s” às feras e, mesmo quando não rendiam logo no início, tanto os adeptos como os responsáveis mantiveram a confiança e continuaram o trabalho de adaptação a um nível de exigência maior. E com isso "só" ganhou resultados desportivos e transferências milionárias que enriqueceram as contas bancárias.

Claro que quando falo no Southampton FC ou  no Borussia Dortmund, falo de Clubes com um poder de compra superior ao do Sporting CP, consequência do contexto económico-financeiro dos Países onde estão inseridos, nos quais o preço dos jogadores dos seus campeonatos são, por norma, inflacionados mas, no meu entender, o selo de qualidade dos jogadores da Academia de Alcochete garantirá sempre uma maior predisposição para que os Clubes estrangeiros cometam algumas "loucuras".


O Sporting Clube de Portugal tem condições para tais feitos, tem jogadores de enorme potencial em todos os escalões que podem perfeitamente a vir a ser estrelas mas, então porque não se aposta em alguns deles e - pior ainda - se cria um clima de pressão e de impaciência com jogadores que necessitam de tempo para expandir o seu nível competitivo? Por que é que com base numa simples pré-época se arruinam as aspirações de jovens com potencial como Paulo Oliveira, André Geraldes ou Simeon Slavchev?

Será que alguns "especialistas" do assobio já ganharam alguma coisa com isso? Será que não foi também com esta impaciência muitos miúdos se perderam? Não serão os jovens da Academia capazes de voltar a afirmar o Clube como o melhor de Portugal?

Ficam as perguntas e a minha reflexão aguardando as vossas opiniões.
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9 comentários:

  1. Então porque é que vendemos os melhores da formação?

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  2. Anónimo,

    Essa é mais uma velha história (mal contada) por parte dos adeptos. Eu queria dizer adeptos desinformados, mas há-os mais que bem informados a fazer o mesmo.

    Os que saem são sempre os melhores, os que ficam e renovam serão sempre os piores. Mesmo que não sejam. É um clichê Sportinguista que também existe para as transferências. Os que saem não deviam sair, os que ficam não deviam ficar, os que chegam não deviam vir e os que não vêm afinal é que deviam vir.

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  3. infelizmente hoje em dia o clube tem pouca margem para segurar os jovens quando atingem o plantel sénior, os melhores ( ilori, bruma, dier....) basta não querem renovar o clube não tem outra hipótese que não seja vender ... e assim não tirar partido do trabalho da formação.

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  4. Secalhar vendemos porque a direcção anterior incompetente deixou os jovens lançados ás feras sem renovarem, e ainda pior ofereceu salários estratoféricos a jovens contratados o que fez com que muitos jogadores da formação se sentissem no direito de também pedir ordenados desproporcionados.
    Ilori queria 800 mil/ano e Bruma 1M, nesses casos nao havia nada a fazer quanto ao do Dier a confirmar se a saída concordo que seja um mau negócio, mas também há que ter em conta a pouca vontade do Jeremy Dier em deixar o filho em Alvalade e só o queria deixar a troco de umas comissões ridículas, ainda para mais quando é o próprio pai do jogador.

    Quanto a esse comentário acerca do post, acho que revela que não entendeu bem a mensagem, eu dou sugestões de soluções a seguir para tapar o fosso entre nós e os rivais, não disse que era isso que tavamos a fazer, se bem que até em certa parte é.

    Já agora quem você considera os melhores ?
    O Illori eterno suplente de Tobias (e este com menos 1 ano) nas camadas jovens ?
    Moreto Cassamá que não calça no Porto ?
    E por onde anda os Eusébios Bancessis e Batis Candés ?

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  5. Rise2Glory31/7/14 21:59

    O Sporting tem uma das melhores academias do mundo do futebol, isso é certo, contudo, aquilo que esta direcção tem feito, e na minha opinião muito bem, é alienar o melhor de 2 mundos, a formação e a compra de jogadores promissores por baixos valores, muito pelo facto de jogarem em campeonatos considerados "desinteressantes" ou mesmo pouco/nada competitivos, o que é facto é que alienando ambas as características esta direcção tem conseguido o que muitos consideravam o impensável... No post deram 2 bons exemplos, mas gostaria de adicionar um 3º exemplo, o Ajax, tem na sua história 4 Taças de campeões europeus, o mesmo Ajax na sua história NÃO gastou mais dinheiro do que 3 reforços do real madrid juntos, Ronaldo, Bale e James. Com isto quero realçar que o campeonato português e os seus clubes podem ter excelentes jogadores, mas manter os mesmos, no presente é completamente Impensável.

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  6. Excelente post Out.

    É ridículo julgar a qualidade de um jogador pelo preço que custa ou pela liga onde joga. Só podemos competir com o Porto e Benfica se formos melhores que eles no scouting. E quando digo melhores, é descobrir jogadores com potencial antes das outras equipas com mais poderio financeiro.

    É isto que a direção tem feito e ainda bem que é assim. Formação + Scouting de qualidade, só assim podemos obter resultados desportivos contra equipas mais fortes que nós financeiramente.

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  7. Martucho1/8/14 01:10

    Concordo plenamente e digo sem medo de errar, Dier é ou sera muito bom, mais Tobias é e sera um monstro, nao gosto quando jogadores saiem a baixo preço mais se nao querem renovar e para vender e ponto final.
    Sobre o post eu acho que é o unico caminho para as equipas Portuguesas, bom mesmo é que nós estamos a começar agora e quando os outros começarem ja nos estaremos melhor. Juntar academia com promessas é a melhor solução para nao gastar tanto e poder lucrar no futuro.
    Nos temos jogadores mais experientes como Rui, Marcelo, Mauricio, Adrien, Montero, Willian... Para dar suporte aos novos como Iuri, Tobias, Gauld, J. Maurio, Esgaio e tantos outros este é o caminho.
    Força SPORTING.

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  8. Boa tarde,

    Gostei muito deste post, parabéns. Para mim "Sporting Clube de Portugal" e "Formação" são dois conceitos que se cruzam. Duas realidades tão imensamente indissociáveis que me chega mesmo a ser impossível considerar, por exemplo, um futuro sem formação em Alvalade.

    Posto isto, é mais do que óbvio que sou adepto fervoroso da chamada "aposta na prata da casa". Contudo, penso que o importante na área da formação é, não só mas também, estipular planos ao invés de se chamar jovens à equipa A meramente por necessidade momentânea ou ocasional como aconteceu no passado. Um bom exemplo disso foram as chamadas de Miguel Veloso, Pereirinha, Rui Patrício ou Yannick Djaló por Paulo Bento à equipa A, o que, quanto a mim, careceram de um plano de integração a longo prazo.

    No meu ponto de vista, quando um atleta demonstra potencial para se estrear pela equipa A (independentemente da idade) estão ali conjugadas várias variáveis. Desde logo a maturidade do atleta (já que formação e qualidade terá de certeza), a necessidade que a equipa A tem em o receber (situações há em que jovens nas equipas A nem 90 min jogaram ao longo da temporada, o que é contraproducente) e a questão contratual pois aquando o momento na aposta do jovem terão que estar salvaguardados os interesses do Clube, algo que, aparentemente falhou nos casos de Bruma, Tiago Ilori e mais recentemente Eric Dier.

    Parece-me igualmente lógico que a equipa não se pode abastecer somente e apenas de atletas oriundos da formação. Teremos que recorrer ao mercado para abordar posições específicas e - recorrendo agora ao post - sermos pacientes. Neste sentido penso que não é demais salientar que a actual direcção tem seguido este caminho, já que por um lado houve a preocupação de recorrer ao mercado para reforçar determinados sectores (o meio-campo por exemplo "ganhou banco"). Por outro lado a para dar outro exemplo, tudo indica que esta época será marcada pela aposta concreta em João Mário.

    Termino afirmando o que já tenho tido oportunidade de referir noutras ocasiões: tenho muita fé na tríade Rui Patrício, Cedric Soares e Adrien Silva. Admiro-lhes a combatividade, lealdade para com o clube e descrição nas intervenções públicas. Penso que poderão constituir os pilares da equipa que auxiliarão a integração quer de jovens da formação como de atletas contratados a outros clubes.

    Uma vez mais parabéns pelo post,

    Com os cumprimentos do Zeze77.

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  9. Anónimo3/8/14 22:34

    Concordo 100% com o post, mas infelizmente temos uma diferença face aos outros 2 que é a desonesta comunicação social de Portugal quando comparada com a alemã e inglesa. Esta sim é a grande destabilizadora!

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