Próximo Jogo

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11/07/2014

Novo treinador, novo modelo, novo Sporting

Cada treinador tem as suas ideias, os seus princípios, a sua filosofia, a sua maneira de entender o futebol. Apesar dos princípios gerais no futebol serem comuns para todos os treinadores, cada equipa tem a própria identidade fruto das competências que o seu treinador apresenta. É com base nas competências do treinador que surge o modelo de jogo de uma equipa. No fundo, o modelo de jogo diz respeito aos aspectos táticos que uma equipa apresenta em campo. São princípios e sub-princípios de jogo que caracterizam a organização de uma equipa.

Posto isto, o que esperar deste novo Sporting CP do ponto de vista do seu modelo de jogo? Fazendo a ponte entre o trabalho realizado por Leonardo Jardim e o trabalho que Marco Silva tem pela frente, facilmente encontramos vários aspectos táticos que irão ter de ser muito melhor trabalhados:
  • Proximidade entre setores
    Controlar o espaço para controlar o jogo. Seja em organização defensiva ou em organização ofensiva, no futebol moderno, controla melhor o jogo quem controlar melhor os espaços onde ele se joga. Quanto mais próximos estiverem os setores, mais linhas de passe próximas há, mais fácil é manter o controlo do jogo e circular a bola com qualidade. E, apesar da ideia generalizada, o facto de haver muitos jogadores na zona da bola não descompensa a equipa aquando da perda da mesma, muito pelo contrário. Quantos mais jogadores estiverem perto do local onde a bola for perdida, mais eficaz será a transição ataque/defesa porque a capacidade de pressão para recuperar a bola é maior. Pelo que vi do GD Estoril-Praia de Marco Silva, não tenho dúvidas que o Sporting CP irá ser uma equipa bastante compacta quer a defender quer a atacar. 
  • Aproveitamento do corredor central no processo de criação
    Para mim a grande lacuna ofensiva do Sporting CP da época anterior. Embora concorde que a ausência de jogadores com maior capacidade de jogar entre-linhas, fortes na tomada de decisão num espaço mais curto dificultou a implementação deste princípio, no modelo de jogo de Leonardo Jardim, o jogo interior que apresentámos durante toda a época deixou muito a desejar. Nem sempre se pode atacar pelo corredor central, como nem sempre se pode atacar pelos corredores laterais. Por isso, os jogadores devem estar preparados para tomar as melhores decisões em função do contexto em que se encontram. No entanto, é no corredor central que o número de opções aumenta. Coberturas na esquerda, na direita e apoios frontais. Só no corredor central é possível ter este número de soluções. Extremos a jogar mais em zonas interiores deixando a profundidade e largura para os laterais são movimentos que certamente serão observáveis na próxima época. No Sporting CP da época passada isto raramente acontecia, e por isso tornou-se a cada jogo mais fácil de anular o nosso processo ofensivo. 
  • Pressão colectiva
    Ou é colectiva ou não vale a pena fazê-la. Pressão não é 2 jogadores a correr atrás dos centrais adversários e a restante equipa a demasiados metros deles. Volto a dizer o que disse no primeiro ponto: ter muitos jogadores na zona da bola facilita o trabalho ofensivo e defensivo. Se a pressão for colectiva, se for realizada com as linhas próximas umas das outras, quando a bola for recuperada as opções de passe são mais e a transição do momento defensivo para o momento ofensivo é feita com mais qualidade e segurança. Principalmente nos jogos contra adversários com menos qualidade técnica individual (boa parte das equipas da nossa liga) a pressão é fundamental, de modo a que os jogadores adversários tenham menos espaço e tempo para agir, para que isso os leve a cometer erros que nós possamos aproveitar. 
Três aspectos fundamentais para que o Sporting CP seja uma equipa mais forte em todos os momentos do jogo. Relativamente aos últimos dois, jogadores como Simeon Slavchev e Ryan Gauld  poderão ser fundamentais. 

A disponibilidade física que o médio búlgaro aparenta ter, aliada a uma ocupação correcta do espaço e uma agressividade posicional (trabalho do treinador, caso não seja forte nestes dois aspectos) poderá ser determinante nos momentos de transição ataque/defesa. Já o "mini-Messi" - e pelo que me foi possível observar em vídeos e excertos de jogos - revela uma maturidade táctica impressionante para a sua idade, o que o torna num jogador muito forte na tomada de decisão e na ocupação dos espaços entre-linhas. Características tácticas que, aliadas à qualidade de passe e visão de jogo, fazem dele um elemento fundamental para que o corredor central do Sporting CP tenha mais influência no processo de criação. 

Penso que com Marco Silva iremos ter um Sporting CP mais arrojado ofensivamente mas também mais exposto defensivamente, fruto do envolvimento de mais jogadores no processo ofensivo. Esta exposição não deve ser deixada ao acaso. Como nem sempre é possível recuperar a bola em zonas avançadas do terreno, há que trabalhar a linha defensiva para defender quer em igualdade numérica quer em inferioridade numérica, de modo a resolver com qualidade esse tipo de situações caso elas surjam.

Outro movimento táctico que muito provavelmente vamos ver neste novo Sporting CP será a "armadilha" do fora-de-jogo. Uma linha defensiva subida, de modo a reduzir o espaço entre sectores, movendo-se a uma só voz. Quando o portador da bola se encontrar pressionado, a linha defensiva irá subir no terreno. Caso o portador da bola esteja sem contenção, a linha defensiva deve baixar uns metros de modo a garantir a profundidade do espaço nas suas costas.

É este o modelo que penso será idealizado por Marco Silva para este novo Sporting CP, pelo menos para os jogos do campeonato português (com excepção ao jogos com SL Benfica e FC Porto). Para a Champions League não me parece que seja o modelo que nos garanta mais probabilidades de sucesso. Nessa competição iremos defrontar equipas com qualidade individual bem superior à nossa, logo o objectivo deverá passar por reduzir a complexidade do jogo, isto é, baixar o bloco e aproveitar o espaço para transições rápidas. Veremos até que ponto esta minha previsão estava correcta. Se se verificar, penso que estaremos muito mais próximos dos tão almejados títulos. Agora, venham os jogos!
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7 comentários:

  1. boa tarde honoris
    obrigado pelo excelente post

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  2. Este honoris ate percebe de bola...

    Anon15782

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  3. Até percebe sim senhor.

    Boa postada Honorio.

    abraço a todos (ando com problemas na net)

    AC

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  4. Acostista11/7/14 22:59

    A maior parte dos adeptos pensa com o coração e não com a razão - mais de 99% não percebe de bola - estou, obviamente, incluido.
    Todos temos direito de expressar as nossas alegrias e frustrações com a equipa, treinador ou este ou aquele jogador, mas era benéfico que todos dissessemos menos disparates que frequentemente criam animosidade escusada entre sportinguistas.
    Para tal, recomendo vivamente e com toda a sinceridade os comentários do Honoris (incluindo os da época passada) - titular indiscutível do SVPN. Ainda não o tinha feito e expresso agora a minha admiração pela competência crescente nas tuas diversas análises que juntam realismo e esperança. SL

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  5. So uma preocupacao, tendo em conta que O Gauld tem somente 18 anos e que vai jogar numa posicao que vai ditar muito do nosso jogo ofensivo, por uma questao de pressa acrescida para um jovem, e porque nao vejo alternativas no plantel que possam manter o mesmo perfil de jogo que ele oferece (ate porque ele pode lesionar-se), nao acham que devemos ir buscar mais um para esta posicao?
    Sl

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  6. Anónimo

    O ideal era trazer outro jogador já de créditos firmados, mas esses custam mais do que aquilo que podemos pagar. SL

    Acostista

    Muito obrigado por essas palavras. SL

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  7. GentlemanSCP14/7/14 02:18

    Neste momento precisamos de um lateral esquerdo e de um extremo, mas acho q tb vem um central pq o rojo deve sair

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