Próximo Jogo

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14/08/2014

Agora é que elas Doyen!


Desde cedo, muito cedo, ainda mal se vislumbrava a possibilidade sequer da criação do Sporting Portugal Fund, Fundo de Investimento de âmbito desportivo, fechado, gerido pela ESAF (Grupo BES), relativo à cooperação com o Sporting Clube de Portugal, que me insurgi contra esta política de partição de passes de jogadores. Se não por outros motivos, económico-financeiramente tais fundos sustentam praticamente todos os factores (de risco) financeiro nos Clubes com quem encetam tais "parcerias", vendo-se o Clube agrilhoado (por vontade própria, em favor de liquidez imediata, admita-se) a contratos que, invariavelmente, lhes causam prejuízos.

Entre a aquisição de um jogador, a subsequente venda de parte do passe a um fundo e a inevitável alienação do jogador há uma enormidade de outros encargos, nomeadamente o pagamento de obrigações ao Estado (IRS e Segurança Social - que neste momento ultrapassam os 50% do salário bruto), pagamento dos seguros obrigatórios, vencimentos mensais, subsídios e etc.. Contabilizando tudo, ainda que em abstracto, é fácil ter uma ideia do que tais encargos acarretam para os Clubes. E só para os Clubes... É factual que os Fundos de índole desportiva não ganham sempre - ainda que poucos, há casos em que o investimento se perde. No entanto, na perspectiva macro-económica, pudéssemos nós aceder aos Relatórios & Contas, constataríamos que a margem de lucro anual não contempla excepções. Caso contrário tais Fundos não existiriam, pois não faria sentido operar um Fundo que desse... prejuízo!

Se enveredarmos pela óptica meramente desportiva, então, facilmente concluímos que, face à (ex)pressão que hoje em dia exercem nos mais variados Clubes - inclusivé dentro das mesmas competições e a disputarem os mesmos objectivos, poderiam, caso o desejassem, mover as esferas da(s) sua(s) influência(s) e promiscuidade(s) em função dos seus (dos Fundos) próprios interesses, o que causaria um desequilíbrio enorme na paridade entre Clubes de uma mesma competição, em última instância encetando diligências (por vezes) directas que, sempre para benefício próprio, acabem por criar vantagens a uns Clubes e desvantagens a outros. A tal mentira desportiva à qual a FIFA e a UEFA só se atrevem a dizer/escrever meia dúzia de palavras politicamente correctas, com o conveniente receio de que a "fatia do bolo" que lhes diz respeito diminua.

Não bastasse tudo isto, para além das figuras de proa deste tipo de Fundos - no caso da Doyen Sports, conhecemos seu o CEO, Nélio Lucas, amicíssimo do empresário Pini Zahavi que, aliás, se faz questão de defender ridiculamente no comunicado que o Fundo prestou - a obscuridade é tal que é praticamente impossível descortinar todo o leque de integrantes e beneficiários, aumentando ainda mais a cortina de fumo com que se encaram tais entidades.

Estabelecida a minha opinião geral relativa aos Fundos e às parcerias com Clubes, vamos então, novamente, à relação Sporting CP - Marcos Rojo - Doyen Sports:

Depois de acusações e contra-acusações mútuas, com argumentos pouco cabais de cada um dos lados, a SAD do Sporting Clube de Portugal entendeu proceder à resolução dos contratos, relativos a Marcos Rojo e Zakaria Labyad, com a Doyen Sports, por justa causa. E o que é que isto significa? Numa primeira fase, julgo significar que as entidades pagam uma à outra os valores que lhes foram cedidos aquando da aquisição - que neste caso seriam 3M € a pagar pelos Leões ao Fundo, no caso de Marcos Rojo - ficando a entidade patronal do atleta (ou seja, o Sporting Clube de Portugal) com 100% dos direitos económicos deste. Se a Doyen Sports acatar tal feito - o que não é expectável - por acordo extra-judicial, sem desprimor do contratualizado pelos Leões com o Clube vendedor (FC Spartak de Moscovo) a contenda fica concluída, desde já - depois que os trâmites legais sejam cumpridos.

Caso contrário, o que é mais provável, a disputa seguir-se-á nos tribunais, com a morosidade judicial inerente, podendo ficar resolvida apenas... quando o jogador já cá não estiver. Ainda assim, julgo que a interposição eventual de uma providência cautelar suspenderia todo o processo indefinidamente. Estabelecendo que não sou jurista e que os meus conhecimentos da matéria são apenas superficiais, pelo que se tiver escrito alguma alarvidade, os mais entendidos que façam o favor de me corrigir e esclarecer.

Dito tudo isto e porque, além de não conhecer em rigor os contratos assinados entre as entidades, sou um quase absoluto leigo nestas matérias, não consigo estabelecer uma ordem de opinião que me predefina de acordo ou contra com as medidas tomadas pelo Sporting CP contra a Doyen Sports. Estarei obviamente ao lado do Clube nesta(s) matéria(s) simplesmente pelo mero princípio da defesa clubística, além da minha opinião expressa acerca de Fundos, acima descrita.

Como por mim já dito anteriormente, e especificamente em relação à possível saída de Marcos Rojo, posso compreender o apelativo de se mudar do Sporting Clube de Portugal para um Clube de maior cariz, como indubitavelmente é o Manchester United FC. Porém, qualquer atleta deve ter sempre presente o profissionalismo, o sentido cívico e o carácter de quem voluntariamente assinou um contrato com uma entidade patronal e que, como é normal, parte do princípio do cumprimento dos pré-estabelecidos nesses contratos e, como tal, até ao momento da saída efectiva, Marcos Rojo deve cumprir com os seus deveres e obrigações para com o Sporting Clube de Portugal, sob pena de - como aconteceu - ser brindado com processos disciplinares que seriam, à partida, perfeitamente evitáveis.

George Washington dizia, outrora, que "a disciplina é a alma de um exército; torna grandes os pequenos contingentes, proporciona êxitos aos fracos, e estima toda a gente", e já os ensinamentos de Sir Alex Ferguson dizia que "nenhum jogador é maior que o Clube".
Zero ídolos!
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14 comentários:

  1. boa tarde mauro
    mauro obrigado pelo excelente poste onde revelas pros e contras
    so espero ke p sporting nao seja prejudicado neste imbroglio todo julio

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  2. Muito bom o post.

    Fiquei esclarecido em relação a algumas dúvidas que tinha, outras contínuo a ter, mas só alguém com conhecimento jurídico que poderia ajudar.

    Muito interessante a parte do ''só'' termos que pagar 3 milhões à Doyen e ficamos com os 100% do passe. Claro que eles nunca na vida iram aceitar isto, mas se o Sporting conseguir sair por cima, é um golpe de mestre. ( A merda é se isto corre para o torto )

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  3. Excelente post Mauro, que resume bem toda esta situação que se tem tornado por causa dos oportunistas dos fundos.
    O que me parece mais do que tudo é que a Doyen tem procurado prejudicar o Sporting, secalhar por o Porto lhes ter ajudado em negócios como o do Mangala e do Brahimi (suspeitos diga se) de qualquer maneira vendendo o argentino para enfraquecer a equipa e da forma que o Sporting retire menos dividendos económicos.
    Por isso vejo esta batalha mais uma tentativa de tornar o Sporting um clube mais seguro mais independente e mais limpido e livre de maroscas.
    Temos dos unir contra estes corruptos e mafiosos que tem procurado parar o nosso clube com as estratégias habituais.
    Depois da atitude do Rojo, só espero que fique um tempo "á lá caneira" a treinar consigo mesmo na academia , ou então se preferir "á lá Matheus" num parque de estacionamento.

    Quanto ao boss da doyen, Nélio lucas deixo 2 vídeos que recomendaria que fossem vistos mais a curiosidade de este senhor ter no perfil do whatsapp a foto do goodfather o que mostra o orgulho em ser mafioso !

    https://www.youtube.com/watch?v=m5XilynlmvU

    https://www.youtube.com/watch?v=usq-XA7tPTc (atenção sobretudo a este)

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  4. "IRS e Segurança Social - que neste momento ultrapassam os 50% do salário bruto"

    depois de ler esta alarvidade não me apeteceu ler mais. Os únicos gastos que os clubes têm são ~12% de TSU.

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  5. Nuno José,

    Em Portugal, só de IRS são 46%, salvo erro, de contribuição, e são os Clubes quem arca com isto. Dá um ordenado limpo de 900 mil €/ano, por exemplo, acabe por ir parar aos cerca de 2M €/ano brutos. Os 12% que o Nuno José refere são "só" referentes à Segurança Social.

    Pelos vistos há alarves piores...

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  6. Caro Mauro.

    O IRS é um imposto SINGULAR que é devido pelo trabalhador não é encargo do patronado. Este faz o "favor" (é obrigado a) de o reter e entregar ao estado todos os meses sendo que este valor nem sequer o o valor líquido final sendo que por isso o Mauro todos os anos recebe ou paga IRS (se pagar impostos). Quanto à SS, as profissões de desgaste rápido estão isentas em 50% de TSU sendo que a minha única dúvida é se o patronato também tem a isenção podendo ter de corrigir a minha informação de 12% para 23,75 %. Daí não ter lido mais o resto do artigo porque me parece que será todo muito leviano quanto a questões legais. A rever.

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  7. Poderá ainda haver custo com seguros, etc etc mas são marginais, sendo que a taxa máxima de IRS são 48% mas nem é sobre o rendimento todo, visto o IRS ser escalonável, sendo que posteriormente ainda é afecto de dedução, benefícios, etc, que o fazem baixar. Para um jogador de futebol esse valor deve ser bastante alto mas é imposto dele e não do clube.

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  8. Nuno José,

    Em todo o caso, acabou por corrigir o que você próprio tinha dito. O IRS sendo de cariz singular é pago pelos Clubes como o tal "favor" aos jogadores, face à elevada taxa de contribuição.

    Dito isto, se tivesse lido (ou se ainda se der ao trabalho de), chegaria à frase em que escrevi que estabelecendo que não sou jurista e que os meus conhecimentos da matéria são apenas superficiais, pelo que se tiver escrito alguma alarvidade, os mais entendidos que façam o favor de me corrigir e esclarecer, pelo que reconheço a minha ignorância em relação ao rigor do que digo, que pode não ser - como parece ser o caso - inteiramente correcto.

    No entanto, a ideia de base está lá, e é factual e inegável. Se se der ao trabalho de ler o post inteiro, perceberá isso também. O artigo é, de facto leviano quanto a matérias legais e/ou jurídicas, por desconhecimento. Mas o Nuno José está perfeitamente à vontade de esclarecer, com o rigor e o conhecimento que parece ter, tudo o que aqui está escrito.

    Eu, caro Nuno José, não sou jurista, a minha profissão é outra, e isto é um blog, não é um jornal de qualquer âmbito onde, aliás, muitas vezes, o rigor com que se escrevem as notícias é ainda inferior a muito do que se escreve blogosfera fora...

    Abraço

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  9. O IRS não é pago pelos clubes é entregue, é como tu me pedisses o favor de ir ás finanças pagar o teu imposto não é repito e sem discussão possível, não é encargo do clube.

    Mauro, tens de perceber que dizer que o clube arca com 49% dos custos leva muita gente a acreditar a ser verdade que é grave. Posso gostar muito de ler sobre futebol coisa que deves perceber muito mais que eu, daí deves ter cuidado quando saíres da tua praia porque acredito aquele frase é muito má e distorce por completo o resto do raciocínio. Deves rever o texto tendo em conta que o teu primeiro argumento não é verdadeiro.

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  10. Nuno José,

    A ver se nos entendemos: em última instância o Clube paga o dobro ao jogador, para o ressarcir da elevada taxa de IRS (que é o que acontece, ou seja, tecnicamente é o jogador que paga o IRS mas, na prática, é o Clube, pois tem que lhe pagar o dobro para que isso aconteça). Toda a gente percebe isto, menos o Nuno José, que prefere entrar por preciosismos (legítimos e sustentados, mas) inócuos para o teor da discussão.

    Dito isto, quaisquer demais comentários sobre este mesmo assunto não serão aceites, por estarem fora do teor de base do post, que o Nuno José nem sequer leu.

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  11. Desisto, o Mauro é que é especialista em finanças fica lá com a tua.

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  12. Tudo como dantes e quartel General em Abrantes era e é uma expressão utilizada sempre que se espera mais do mesmo, para retratar a inacção, o "deixa andar". Com o presidente do Sporting está visto que não vai ficar ficar pedra sobre nos muros do futebol português (e quiçá, europeu) que escondem as "chico espertices" e maningâncias que envolvem o estado verdadeiramente mafioso do nosso futebol.

    Penso que acima de ser uma decisão corajosa é uma decisão histórica. Não há memória de uma atitude semelhante no mundo do futebol. Os resultados a médio prazo desta decisão do Presidente do Sporting vão ser devastadores para a "finança" espertalhona dos fundos em geral. Vão ser gastos meses, senão anos, de confronto nas instâncias judiciais. De uma coisa eu tenho a certeza, nada vai ser como dantes.

    Para já, uma certeza, o Sporting jamais será olhado como coitado, que esconde a cabeça na areia como as avestruzes ou, se quiserem, não mais será aquele clube simpático que prefere pagar para não entrar na vertigem da luta. O Sporting paga, mas quer ser respeitado, quer ser admirado, quer ser aquilo a que se pode chamar uma nova luz de esperança para aquilo que todos gostamos. Muitos vão beneficiar desta postura digna do Sporting...

    Só tenho a dizer isto: se vamos para a guerra, vamos todos. Só assim podemos sair vitoriosos. Força Presidente.

    Cumprimentos
    Ruivox

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  13. Mauro, excelente post. Fiquei mais elucidado com a matéria em questão.

    AC1906

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  14. Rise2Glory14/8/14 22:11

    Boa noite sportinguistas,

    É por post's como este que eu dou a importância que dou á blogosfera leonina.
    Mauro deixa-me dar-te os parabéns pelo excelente post, de facto do que falas, falas bem, e quando não sabes não inventas! Tudo o que os visitantes esperam, honestidade, sinceridade e amor ao clube.E passo a citar " Estabelecendo que não sou jurista e que os meus conhecimentos da matéria são apenas superficiais, pelo que se tiver escrito alguma alarvidade, os mais entendidos que façam o favor de me corrigir e esclarecer".

    Nós não queremos "Não noticias" queremos isto mesmo, bons post's como tu e todos os colaboradores deste blog nos têm habituado.

    Posto isto, em Portugal, e nomeadamente no SCP está a acontecer uma coisa que até agora nunca se tinha visto, são muitos os que comentam nos programas desportivos sobre os fundos e o mal que fazem aos clubes, mas dirigentes a fazerem o que o GRANDE presidente do meu clube fez, nenhum!

    Cada vez mais me orgulho do meu clube e da direção que tem, podemos não ter dinheiro para grandes estrelas, mas uma coisa ninguém nos tira, a nossa humildade e Respeito para com esta ENORME instituição que é o Sporting Clube de Portugal.

    Ambição todos os jogadores a têm, mas dar valor de onde se vem é o que distingue os Grandes dos Pequenos.

    SL!

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