Próximo Jogo

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22/10/2014

Entre a indignação e o orgulho

Em Futebol, o que hoje é verdade, amanhã é mentira, e vice-versa, como reza a frase eternizada por Pimenta Machado. Serve isto para revisitar os ensejos de há cerca de um mês atrás, quando uma falange de apoio (?!) pedia a demissão do actual timoneiro da principal equipa do Sporting Clube de Portugal, Marco Silva, fazendo o comparativo com o consenso que hoje gera entre os Sportinguistas.

Naquela altura, como hoje, era notória a qualidade de Marco Silva e o enorme potencial que ainda tinha - e ainda tem - para fazer evoluir a equipa, pese embora a ausência de resultados mais felizes então. Costumo dizer que há uma diferença entre ver futebol e ver a bola e também aqui essa frase se ajusta, não querendo com isto menorizar ou, muito menos, desprezar a opinião de quem pensa diferente. Muitas vezes, deixa-se o impulso confundir-se com a razão, e é assim que se comentem muitos erros.

Ainda que da minha parte Marco Silva não tenha merecido críticas de grande relevo, excepto um outro apontamento circunstancial (e que faz parte da minha - nossa - veia de treinador de bancada), apraz-me relevar, hoje, a progressividade crescente do trabalho de Marco Silva, porque o merece, e mais ainda depois daquilo por que passou no titubeante início de época, com toda a gente a pôr em causa todo o seu trabalho.

Depois de uma fantástica vitória no reduto do FC Porto, no fim-de-semana passado, Marco Silva foi à Alemanha para ganhar e, não sendo eu um grande adepto do conspiracionismo, torna-se difícil não pensar duas e três e quatro vezes que, não fosse uma equipa de arbitragem russa ajuizar um jogo de UEFA Champions League, entre uma equipa portuguesa e uma equipa alemã, patrocinada pela Gazprom - uma das maiores empresas russas, igualmente grande patrocinadora da competição em questão e de quase todas as grandes competições europeias e mundiais - o Sporting CP não teria saído derrotado da Arena de Gelsenkirchen, e teria tido até hipótese de finalmente quebrar a tradição e regressar a Portugal com uma vitória na bagagem.

Para além do tendenciosismo claro, no que há marcação de faltas e amostragem de cartões diz respeito, o árbitro russo Sergei Karasev conseguiu expulsar Maurício, que em duas faltas viu dois cartões amarelos (se o primeiro não merece grande discussão, e até anuindo que ambas as faltas seriam passíveis da mostragem de cartão amarelo, individualmente, nunca aquela expulsão, por acumulação de cartões amarelos é admissível, numa segunda falta perfeitamente normal - pese embora a ingenuidade, idiotice até, do central brasileiro que, a saber já ter um cartão, não deveria ter entrado tão impetuosamente num lance perfeitamente inofensivo, a meio campo), conseguiu validar um golo aos alemães precedido de uma carga sobre Jonathan Silva e um offside clamoroso, e ainda ceder à marcação de uma grande penalidade, por suposta mão na bola do mesmo Jonathan Silva, quando este a cortou inequivocamente com a face.

São erros a mais, num ditatorialismo czarino de uma equipa de arbitragem russa, para que se consiga sequer pensar em meros erros, até porque a classificação actual do Grupo G da Fase de Grupos da UEFA Champions League (onde o Sporting Clube de Portugal já não depende de si mesmo para a passagem no grupo) foi completamente aldrabada. Sim, aldrabada mesmo.

À parte de todos estes factores externos, a equipa demonstrou uma garra enorme, um tremendo crer e querer, que permitiram a recuperação de dois golos de desvantagem, perdendo apenas naquele penalty-fantasma que só a Gazprom viu, depois de estar desde os 30 minutos com menos um jogador, por vontade soberana daquele ser estranho que lá andava no campo e que, em vez de juiz da partida, parecia advogado do Diabo, agarrando com unhas, dentes e cornos, a qualquer custo, a defesa intransigente da "sua" equipa. O homem do jogo, em todo o seu esplendor...

Passam quase 24 horas sobre um dos maiores roubos de igreja de que me lembro, numa competição europeia, e ainda não consegui digerir todo aquele espectáculo de incompetência alheia. Mas assola-me um sentimento inacabável de orgulho no meu - nosso - treinador, na minha - nossa - equipa, por aquilo que ontem fez, contra tudo e contra todos, pelo que demonstra ser capaz de fazer, consistentemente, mesmo com adversários que gozam da guarida dos mais altos comissionários do Futebol.

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4 comentários:

  1. Diria azia, que orgulho depois da demonstraçao de ontem mesmo jogando 1 h com menos um jogador fomos supriores aos salsichas só mesmo a quadrilha do apito nao nos deixou ao menos pontuar 1 ponto no minimo

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  2. Como é que querem que o nosso Presidente seja um gentleman como o John Chauffeur Russo, o célebre herói do romance cor de rosa de Max du Veuzit?
    O Jorge Jesus classificou na perfeição este roubo, como um assunto político, pois estão em causa milhões e o ranking dos países dos respetivos clubes.
    Bala neles Presidente. Nunca fique manso perante esta máfia.
    DUARTE

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  3. Fernando Dias23/10/14 21:46

    A palavra certa que define este jogo é: "roubo".

    Inacreditável o que se passou na Alemanha. Gostava de ver a mesma coragem para marcar um penalti destes no último minuto contra um fc barcelona, Manchester United etc.

    Ridículo.

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  4. Errado , tanto este como o artigo de cobrança no VM acerca de quem criticou Marco Silva.

    A verdade é que somos um país latino , e essa facilidade em perder a racionalidade é que faz o futebol ser o desporto rei , porque toda a gente pensa que sabe o que é melhor para ali ou para acolá.

    E de facto o que hoje é verdade amanha é mentira.

    O Marco Silva também melhorou , não foram apenas os resultados que começaram a aparecer sozinhos. Entrou muito nervoso e bastante limitado por isso estamos a 6 pontos , o seu potencial nunca esteve em causa , esteve sim a sua capacidade em gerir o grupo , visto que mostrou sempre estar pouco à vontade com a nova realidade.

    Mas isto é normal , vir do Estoril para o Sporting tem de ter uma adaptação assim , isto já aconteceu noutros clubes com super estruturas , a diferença é que nesses os arbitro empurram esta fase inicial , e depois claro , o treinador pega o carro.

    Capel , Jefferson , Martins , Sarr sairam do 11

    Nani , Jonathan , João Mário , Oliveira.

    Marco demorou a explorar o seu plantel e até colocou em causa toda a politica de contratações num inicio onde ignorou e subestimou completamente os reforços. Agora que se vai sentindo mais à vontade , vai vendo ali e acolá o que se pode fazer para melhorar. Acredito que este jogo com o FCP libertou-o de vez , e vamos poder ver todo o seu potencial.

    O Sporting foi progressivamente aumentado a sua qualidade , assim que Marco Silva deixou de discriminar os reforços apenas pela sua tenra idade , ou dar prioridade ao Sarr porque tem cara de mau e veio do Lyon.

    Jogadores de qualidade do 11 do SCP: Patricio , Jonathan , Oliveira , William , João Mário , Nani , Carrillo.

    Jogadores medianos e esforçados : Cedric , Mauricio , Adrien , Slimani

    Jogadores ainda por explorar : Mallmann , Podence , Iuri , Gauld ,Miguel Lopes , Tobias Figueiredo.

    A medida que os jogadores por explorar entrarem no lugar de medianos/esforçados , a qualidade vai continuar a aumentar quase graficamente.

    Um jornal disse que Marco Silva dava primazia a Sarr por ser o que tinha mais capacidade para fazer o centro esquerdo , isso é falso , Tobias é o melhor centro esquerdo do Sporting e tem saída de bola e jogo aereo. Resumindo a aposta no Sarr ( jogador a quem reconheço potencial) , foi um verdadeiro disparate de Marco Silva , que sentiu mais confiança na cara feia do Sarr que veio do Lyon , do que num central que encaixa totalmente naquilo que é o jogo que pretende , capacidade de antecipação para jogar com linhs subidas , jogou com os piores centrais em termos de características do nosso jogo , apenas por prisão de ventre.

    O tempo de adaptação custou 6 pontos , agora vamos melhorar certamente , jogamos o melhor futebol da liga , e com muita classe.

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