04/01/2015

Mea Culpa, Minha Grande Culpa (?)


O título deste post poderia muito bem ser outro. "Depois da casa roubada, trancas à porta" ou "em casa de ferreiro, espeto de pau", por exemplo, e consagraria de igual forma o espírito do que quero dizer.

Sensivelmente duas horas antes do 3-0 ao GD Estoril-Praia, a Sporting TV transmitia uma declaração pré-gravada do Presidente Bruno de Carvalho (consultar aqui). Quando critico a conduta comunicacional do Presidente, quando faço uma correlação de antagonismo entre o político e o estadista, o sentido que quero dar a essas críticas é perfeitamente demonstrado nesta declaração; este, sim, é o Presidente que se exige, em contraponto com o Presidente da outra declaração (consultar aqui). Percebem as diferenças? A frase que se pode ler na imagem introdutória deste post sumariza em pleno a missão do Presidente, no que a este âmbito diz respeito.

Dito isto, sendo absolutamente necessária e completamente assertiva, esta mensagem só perde por tardia. O que ontem foi dito deveria ter sido feito logo imediatamente no dia 26, após as declarações de José Eduardo e as constantes especulações quanto a um suposto despedimento do Treinador Marco Silva (que naquela altura estavam no auge). Os oito dias de silêncio foram imensamente prejudiciais, primariamente para o próprio Clube, secundariamente para os dois principais intérpretes, Bruno de Carvalho e Marco Silva, e terciariamente para o próprio José Eduardo, que saiu completamente destruído desta futnovela.

Pode até ser o completo oposto da verdade (coisa em que nem eu acredito) mas, para a opinião pública, com ou sem declaração póstuma, este silêncio estridente deixou uma marca profunda e que dificilmente será delével; para a opinião pública, Bruno de Carvalho e José Eduardo eram/são/serão (?) uma só pessoa, agindo na medida da relação de um ego/alter-ego, em conjunto, tentando levar a cabo uma estratégia hedionda e nefasta de desgaste para com o Treinador, almejando levar o técnico à auto-demissão. Percebe-se agora que, falhado esse estratagema, o Presidente reconheceu o erro, fez marcha-à-ré e, saindo da sua condição pessoal, de adepto intempestivo, reentrou de novo no carácter presidencialista que lhe devia assistir em todos os momentos, bons ou maus. Fez bem, afinal...

Resta-me o desejo profundo de que este reatamento público entre Presidente e Treinador - senão pessoal, pelo menos profissional - não seja uma mera manobra de charme - e por isso mentirosa - mas uma verdadeira convergência, factual mais que ideal, como aliás já o tinha escrito no meu post anterior. Resta-me também desejar profundamente que se calem as vozes dos habituais profetas da desgraça, sempre ávidos, ansiosos, sempre prontos para dar o que julgam ser a estocada final. E são muitos, esses que proliferam na morbidez que infelizmente parecem desejar àquele que dizer ser o seu Clube, o mesmo que o meu!

Um dado curioso: ironicamente, em plena crise conseguiu-se 100% de vitórias, 9 golos marcados e 2 sofridos (sendo que completámos o 3.º jogo consecutivo sem sofrer golos).

Vêm aí mais dois jogos de extrema importância, primeiro para os Quartos-de-Final da Taça de Portugal, na recepção ao FC Famalicão que, prevendo-se teoricamente um jogo fácil sem grandes sobressaltos, não deve ser descurado sobranceiramente sob pena de males maiores e, logo depois, a deslocação ao sempre difícil reduto do SC Braga, aqui já para a Jornada 16 da Primeira Liga, onde é imperativo vencer, por tudo o que é justificação desportiva na conjuntura actual mas, também, por tudo o que é o contexto político futebolístico em Portugal. Armem-se de garras e dentes, até aos limites, e reduzam mais uma vez o SC Braga àquilo que sempre foi, porque eles vão com certeza tentar demonstrar aquilo que nunca serão.

O cumprimento simbólico entre Presidente e Treinador, pondo cobro às divergências de ambos.
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6 comentários:

  1. Excelente post, como sempre, amigo Mauro. Por muita especulação que seja fomentada, nunca chegaremos a saber exatamente o que se passou em Alvalade nas últimas semanas. Na verdade, não é necessário que conheçamos em frio pormenor as voltas que foram dadas. Importa, isso sim, reter o essencial.

    E o essencial é que o Sporting, no seu todo, conseguiu ultrapassar este imbróglio e, atrevo-me a dizer, saiu mais forte de todo este confuso processo.

    A Bruno de Carvalho nunca lhe exigi a perfeição (como aliás a nenhum outro presidente). Peço, isso sim, a capacidade de aprender com os erros e defender a toda a linha os interesses do Sporting. Interesses esses que, neste momento, não estavam em nada identificados com a saída de Marco Silva.

    No entanto, sejamos frontais. O Sporting ainda não está sólido, de cada pedra existem dezenas de entendidos que rezam encarecidamente para que bdc fracasse. E isto são os sportinguistas, porque se vamos a falar dos interesses instituídos que querem manter o leão na penúria...

    Enfim... O que o Sporting continua a precisar é TRABALHO. Depois, mais TRABALHO. E, por último, ainda MAIS TRABALHO.

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  2. Anónimo4/1/15 17:33

    Quase todos os dias consulto este blogue, que faz um acompanhamento muito bom do nosso clube, incluindo das modalidades.
    Penso que muita gente que defende tão acaloradamente Marco Silva (não Sportinguistas, claro), não querem saber minimamente dele para nada.
    Aproveitam é a boleia, isso sim, para atacar o nosso Presidente, ou melhor, não querem ver novamente um Sporting forte e ameaçador.
    Que é um presidente adepto, que devia era limitar-se à gestão financeira e deixar o futebol para quem sabe, que devia colaborar intensamente com a Liga de Clubes como fazem Luís Filipe Vieira e Pinto da Costa, porque a Liga de Clubes só quer o bem de todos, etc, etc, etc.
    Talvez que agora, na reabertura do mercado, se contratasse Ricardo Costa, Bruno Alves e quejandos, em vez de estar a moer a cabeça ao treinador para recorrer mais à equipa B, apaziguasse alguma gente, digo eu!
    Quanto a José Eduardo, será que o homem é literalmente maluco e está a sonhar? Não sei, mas estou curioso. Vejamos o que o futuro nos reserva, pois esta novela é bem capaz de continuar com novos episódios. Não acredito é com a tese de que estava tudo muito bem e, se não fosse José Eduardo, nada disto aconteceria!
    Há, no entanto, uma situação com a qual estou em completo desacordo com Bruno de Carvalho, que foi ter contratado Marco Silva por 4 (quatro) anos. Agora tem de o gramar, quer esteja arrependido ou não!
    DUARTE





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  3. Endho,

    Obrigado pelo elogio. :)

    Só acrescentar algo, em relação à frase que a imagem do post transcreve da declaração do Presidente: a agregação que Bruno de Carvalho agora advoga é salutar. No entanto, e pela demora desta declaração pública, aquele looooongo silêncio mais não fez que incitar e fomentar um divisionismo que foi notório, entre os sócios e adeptos, na sua generalidade. E isso é sempre de criticar, e por isso, por esse silêncio, é que este episódio vai perfilar-se como uma cicatriz incurável, à imagem de uma gripe que quando mal curada pode ser fatal. Agora, BdC apaziguou e pazigoou-se agora; fez bem, fez o que tinha que fazer.

    Duarte,

    Não acredito é com a tese de que estava tudo muito bem e, se não fosse José Eduardo, nada disto aconteceria!. Eu nunca disse isto; disse, sim, que tudo isto foi alimentado pela declaração inicial do Presidente (cujo link está no post), O José Eduardo "só" enfatizou ainda mais a coisa. Não está tudo bem, nem nunca estará tudo bem mas, pelo menos, agora, sim, acautelaram-se aqueles que deverão SEMPRE ser os SUPERIORES interesses do Sporting Clube de Portugal.

    A situação da longevidade do contrato do Treinador teria, na minha perspectiva, a ver com um projecto de médio-prazo. E aparentemente tem cláusulas pergormativas (não desmentidas) com alguma lógica. Sendo assim, mais uma vez os interesses do Clube estão acautelados...

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  4. O comunicado de ontem do presidente do SCP representou o final de uma novela que se arrastou por tempo demais.

    Penso que nunca saberemos tudo o que esteve por detrás dela nem tudo o que se foi passando nos bastidores.

    O comunicado, contudo, traduz um voto de confiança a Marco Silva e põe J. Eduardo no seu lugar, demarcando-se o Presidente das acusações que aquele foi largando.
    Para mim, ficará sempre a dúvida: até que ponto tudo isto não foi pensado por BdC para alcançar os objectivos que visava (que poderiam ser dar um murro na mesa perante uma sucessão de maus resultados e exibições apáticas do SCP).

    Certo é que ontem vimos uma equipa muito mais coesa, conseguimos uma vitória importante, Marco Silva continua nosso treinador e BdC receberá seguramente amplo apoio na próxima AG.

    Pode ser que tudo isto tenha servido, voluntaria ou involuntariamente, para um SCP mais forte.
    Pelo menos, é o que eu desejo.

    Jarvalho

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  5. Boa noite,
    Excelente post, na linha do bom que se escreve e pensa por estes lados.

    Toda esta situação deixou-me num misto de incredulidade e ansiedade: o que raio foi aquilo? Bom, folheando os jornais diários e passando os olhos por qualquer programa desportivo sou bombardeado de mil e umas razões, soluções e conspirações para explicar este estranho fenômeno que se abateu sobre Alvalade. Mas mais do que encontrar possíveis explicações importa-me este reencontro do carácter presidencialista por parte de Bruno de Carvalho de que fala o post. Afinal de contas não basta apenas dizer que caminhamos todos para o mesmo lado, é necessário caminhar efetivamente. Claro que esta situação - perfeitamente desnecessária - deixará rasto mas no fim de contas penso que este wake-up call foi importante para todos os intervenientes. É importante que se assumam as responsabilidades associadas aos cargos e é também importante que quem não ocupa cargos deixe os outros trabalharem.

    Cumprimentos do Zeze77

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  6. Análise muito lúcida e que, creio, corresponderá à da esmagadora maioria dos sportinguistas

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