Próximo Jogo

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30/03/2015

Julgamentos tácitos


Já não escrevia um post deste género há mês e meio. Por volta de meados de Fevereiro - e já depois de alguma recorrência em determinado tipo de erros da equipa, decorrentes das próprias opções técnico-tácticas - escapuliu-se-me algum sentido da incondicionalidade do apoio à equipa. Apesar das minhas convicções, expressas antes do início das competições e hoje ainda dentro desse registo, o nível exibicional da equipa baixou significativamente, salvo uma ou outra rara excepção, o que levou ao esgotamento do meu ideal. Decidi calar, dono do meu silêncio, para não asneirar na escravidão das minhas palavras. Por vezes a emoção fala mais alto, mesmo em silêncio!

Todavia, não deixei de estar atento.

Mês e meio depois, senti-me quase impelido a voltar a escrever. Tal é o tamanho e a cadência das críticas incessantes à Presidência de Bruno de Carvalho - a recente entrevista, a assinalar dois anos de mandato, marcou um novo pico nesse aspecto -, toda a gente fala sobre tudo e sobre nada, todos se fazem psicólogos sem o ser, e a mestria da observação transformou-se na subjectividade da interpretação... que tomam como absoluto da verdade. A deles...

Leio amiúde que há bloggers pagos para conduzir os leitores para determinado tipo de ideologia - subvertendo, convertendo, convencendo... mentindo - embora tal proposta nunca me tenha chegado às mãos. Ainda que venha a chegar, a recusa seria imediata. Os princípios não se vendem... Porém, tenho hoje a convicção profunda que os há, de facto, apenas não onde e quem se julga. Li, há dias, alguém dizer que «já ponderei largar a minha actividade profissional para me dedicar exclusivamente ao blogue, mas ainda não deu para isso», ipsis verbis, e fiquei com a clara noção de que há gente comprometida com os seus próprios propósitos, ao invés dos do Clube que rezam ser o seu. Não sou um homem de Fé, mas diria que tal devoção não é mais que uma cortina de fumo própria de quem não quer mais que alimentar o próprio ego.

Não é que não o soubesse de antemão, mas não consigo deixar de sentir nojo. Por perceber que há quem por entre nós serpenteie sibilando, numa espécie de guerra que julgam santa, na inabalável certeza de que o mal que fazem é pelo bem maior. Há quem chame a Bruno de Carvalho "o Presidente mais lampião de sempre" sem que desse ridículo o espelho a que se vêem todas as manhãs reflicta o lampionismo agudo de que sofrem, Compreende-se; afinal, o espelho só oferece a imagem que se quer dar e nunca o desprezível carácter por debaixo dos fato-e-gravatas.

Num período em que foi lançada finalmente a obra da nova Cidade Sporting, da qual fará parte o futuro Pavilhão João Rocha, e onde Bruno de Carvalho deu a entrevista mais institucionalista destes dois anos (não era isso que se pedia?), ainda há quem consiga dizer que "a ideia (do Pavilhão) já vinha bem de trás", que "as propostas para aquelas ruas [Vítor Damas e José Travassos] já vinham de 2008", que a entrevista não passa de mais um apêndice da egolatria do Presidente, que tudo e nada ao mesmo tempo. O catastrofismo, tragédia e horrores do costume, vendidos sempre pelos mesmos, usando a repetição como mote primordial.

Dois anos depois, são os que mais apontam o dedo ao egocentrismo d'outrém quem mais o pratica, não conseguido de jeito nenhum (e porque nem sequer o tentam) separar o pessoal do institucional. "Não gosto da pessoa, logo é uma péssima pessoa", garantem naqueles silogismos tão deles característico.

Neste mês e meio preenchi mais umas páginas negras daquele que há quase 5 anos passou também a fazer parte do meu quotidiano. Mais ameaças, mais insultos, menos reconhecimento. Escrever num blogue, dando a cara, o nome, a idade, até a morada (...) não é fácil. Hoje, percebo melhor quem o faz sob pseudónimo (e conheço alguns, embora que poucos), sem deixar de considerar que é muito mais fácil fazê-lo de tal forma. Dou o que de mim posso dar ao Clube, do qual o blogue é apenas o menos significante.

Não se enganem. Os nossos piores inimigos somos mesmos nós próprios...
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6 comentários:

  1. lionl0pes130/3/15 17:30

    Deixo aqui uma frase antiga mas muito actual " quem não se sente não é filho de boa gente", muitos apregoam ser filhos do clube mas não passam de enteados, continua a escrever o que pensas e não te deixes levar pela conveniência, embora por vezes para não lesar o clube seja melhor estar calado, entenda-se
    Sl

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  2. Subscrevo por inteiro o conteúdo do post.

    Nem consigo compreender como há sportinguistas que criticam a gestão de Bruno de Carvalho.
    Como é possivel criticar quem fez tanto em tão pouco tempo, pegando no clube na pior situação económica e desportiva que o SCP jamais viveu?
    Só por ignorância, má-fé, ou burrice pura.
    Uma delas ou todas juntas.

    Jarvalho

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  3. vai haver sempre quem defenda o tacho e os amigos á frente do bem do clube mas graças a deus que isso que falas é uma minoria, a nação Sportinguista está com este novo Sporting.

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  4. Acho que estás a dar importância a mais a quem não a tem...

    Essa franja de fanáticos anti direção é quase insignificante.

    Tem sido uma excelente direção mas não está isenta de erros, esperemos que aprenda com eles.

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