Próximo Jogo

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11/05/2015

O Fair-Play como um lembrete constante

Para lá de mais um empate ontem, desta feita na Amoreira - o décimo no Campeonato, daqueles tão maus que nos fazem questionar como é possível perder pontos nestes jogos (independentemente das atenuantes e derivadas do contexto competitivo actual), essencialmente pela qualidade de jogo e para lá até do mero resultado, esta semana fomos presenteados com mais uma maçã, tão podre quanto envenenada, decorrente de um passado já tão martelado que custa voltar a trazê-lo à tona, pelas penosas recordações que nos assolam:
  • Fair-Play Financeiro
Saiu finalmente a decisão final, relativa à infracção das normas da UEFA relativas ao Fair-Play Financeiro: em caso de incumprimento do acordado, o Clube será sancionado com uma coima de 2M € e restrição do número de inscritos na Lista A das provas europeias (de um máximo de 25 jogadores inscritos para um máximo de 22).

Importa desde já sublinhar, inequivocamente, que tal tomada de decisão é sustentada nos 3 exercícios de contas das 3 épocas anteriores incluindo a corrente (nomeadamente, a época 2012/2013 [-43.5M €], a época 2013/2014 [+8.6M €] e a época actual, cujos resultados finais só serão conhecidos em finais de Junho). A SAD leonina terá que atingir uma média de não mais que 30M € negativos no cumulativo dos 3 exercícios, pelo que terá que apresentar um lucro de pelo menos 4.9 M € [(-43.5 + 8.6) + 30] no fim deste exercício, o que, refira-se, não se afigura particularmente difícil, se levarmos em conta o parcial semestral. Daqui importaria também sublinhar que os resultados do 1.º exercício incluso nestas contas se refere ao último ano de mandato de Luíz Godinho Lopes.

Agora que nos toca a nós, devo dizer que acho um pouco contraproducente atribuir coimas a quem, como o Sporting Clube de Portugal, esteja em situação financeira complicada em si mesma (não confundir com casos de Clubes como Paris SG ou Chelsea FC, por exemplo), pelo que considero que as sanções, nestes casos específicos, deveriam consistir noutro tipo, mais desportivo e menos oneroso financeiramente, embora reconheça que talvez se perdesse o sentido de gravidade do problema.

Posto isto, há que dar mérito à Direcção encabeçada por Bruno de Carvalho quanto à resolução desta matéria. Quando todos temiam - uns mais que outros - algo mais grave ainda (quer financeira quer desportivamente), eis que a Direcção nos levou a bom porto, conseguindo uma saída quase inconsequente, mesmo que não se consigam atingir os pressupostos acima indicados (o que é, de todo, improvável)!
  • #MissãoPavilhão
De parte a parte, nesta recém-problemática (mais uma) em relação à adjudicação da obra de projecto e construção, de fora parece ter havido alguma falta de Fair-Play (aqui não só financeiro).

Embora não conheça - ninguém conhece, senão os envolvidos - os moldes de pressuposto contratual do acordo, parece-me que uma e outra parte terão faltado, de alguma forma, ao inicialmente previsto: se de um lado se dá a entender que a empresa vencedora do concurso ultrapassou a quota orçamental prevista (ler comunicado aqui), do outro dá-se a entender que o próprio Clube fez exigências imprevistas e que justificariam de algum modo o incumprimento da outra parte (ler comunicado aqui).

No fundo, há algo aqui que cheira a esturro! O que posso dizer além disto é que não gosto deste constante belicismo desta Direcção, que agora abre aqui mais uma "frente de batalha".

E por falar em frentes de batalha:
  • Doyen Sports
Está para breve o julgamento do chamado caso-Rojo no TAS (aparentemente, para meados de Junho), que opõe o Fundo de Investimento Doyen Sports e o Sporting Clube de Portugal.

Daqui, ganhemos ou percamos, ninguém vai ficar indiferente e nada vai ficar igual.

Confiando no departamento jurídico do Clube, há uma premissa insofismável em todo este processo e que me parece crucial para a resolução da contenda: no meu entender, o Sporting Clube de Portugal deveria ter cumprido com os pressupostos contratualizados (pagando, portanto, o que a Doyen Sports teria direito aquando da transferência de Marcos Rojo para o Manchester United FC - qualquer coisa como 15M €), accionando, posteriormente, o que seria do entendimento do Clube, perante as alegadas intromissões do Fundo do Investimento em matéria onde seria expressamente ilegal, segundo as normas da FIFA.

Deste modo, e em caso de perda no processo, talvez se evitasse uma hipotética sanção pecuniária que estará sempre para lá do que poderemos pagar (qualquer coisa entre 15 e 20M €). Recorde-se que, de acordo com o próprio Clube, não há qualquer verba "cativa" para uma eventual perda no processo (o que me custa acreditar)!

Não obstante podermos vir a ganhar o processo (repito, confiando num departamento jurídico que já nos deu algumas vitórias importantes em processos ardilosos), sempre me ensinaram que "mais vale prevenir que remediar", e tal não invalidaria absolutamente nada das razões que nos possam vir a ser dadas, quanto ao desfecho de todo este processo.

E por falar em processos:
  • Auditoria de Gestão
Tem sido criticado, ultimamente e com razão, a não-divulgação da auditoria de gestão, nomeadamente em relação aos mandatos de Filipe Soares Franco e Dias da Cunha (divulgações em atraso).

De facto, perante uma Direcção que fez do rigor uma das suas grandes bandeiras, torna-se suspeita toda esta demora, além do mais sem que seja publicada nenhuma justificação para o efeito (nem da parte da Direcção nem da parte do próprio Conselho Fiscal & Disciplinar - o que é ainda mais grave), deixando-nos a nós - sócios/adeptos/simpatizantes - à deriva, quanto a um assunto tão sensível quanto este.

Há uma Assembleia Geral marcada para o final de Junho. Talvez só aí possamos expôr as nossas dúvidas e questões e vê-las respondidas. Ou não...

Adenda: Já depois da publicação deste post, por ironia do destino, a Direcção e o Conselho Fiscal & Disciplinar publicaram Comunicado, esclarecendo os motivos da morosidade na apresentação das diversas fases e elucidando para as datas de apresentação dos resultados das mesmas (consultar aqui).
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7 comentários:

  1. bom post, 100% de confiança no Presidente do clube.

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  2. Acostista12/5/15 00:02

    Penso que estes casos são todos para ganhar. De outro modo, não se entenderiam os sérios riscos que resultariam das derrotas. Estávamos habituados a ceder com frequência aos interesses alheios ao Sporting Clube de Portugal com a nossa postura de cavalheiros facilmente ameaçáveis e ****mizáveis. SL

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  3. Venho ao SVPN, porque encontro pessoas verdadeiramente interessadas na vida do clube e que publicam posts com reflexões elaboradas sobre os temas mais pertinentes do mundo sporting. Por exemplo, as actualizações estatísticas incidentes sobre os nossos emprestados é um bom exemplo da singularidade deste blogue. Infelizmente, eu já não consigo acompanhar a vida do clube que amei, amo e eternamente amarei, como gostaria, com muita pena minha. Se algum dia deixares de escrever as tuas reflexões sobre o Sporting, sentiremos a falta do teu esforço, devoção e dedicação ao nosso Sporting.

    setaverde

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  4. Em relação ao fair play financeiro penso que tudo será resolvido sem grandes alarmismos, e como bem referiste esta direção nesse campo tem feito um muito bom trabalho... pois este problema só se põe nesta altura devido à anterior direção.

    O que me preocupa realmente são o caso Doyen e por exemplo o que ja vem ai, tendo em conta a imprensa de hoje, com os 50% do passe de carrillo pertencentes a pini zahavi. Nestes assuntos sou bem claro, o clube tem que sair vitorioso destes letigios, pois em caso contrario corre o risco de ficar muito mal visto no campo negocial!

    Em relação ao pavilhão mais uma vez teve que haver algum problema numa questão que parecia encaminhada para a sua resolução...

    Badeu

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  5. Exactamente. As multas serem pecuniárias é uma protecção aos mais poderosos, para além de que, segundo creio, basta por ex ao psg fazer um aumento de capital que fica cumpridor do fair play financeiro. Uefices.

    O caso Somage e a tal tendência para a guerra. Não creio que toda a gente tenha uma agenda contra esta direcção, e cansa que tudo seja um problema.

    Parabéns e obrigado pelo constante update.

    Sl

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  6. Muitas, demasiadas batalhas para o Sporting.

    Parece-me sinceramente demais, mas veremos como corre esta abordagem belicista de bdc.

    SL

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  7. De facto, são muitos casos em que o SCP está envolvido, que, a correrem mal, trarão necessariamente consequências muito gravosas para o clube.
    Até na construção do pavilhão, e quando tudo parecia estar a correr bem, eis que surge mais uma frente de batalha.

    Resta ter a esperança de que esta direcção esteja bem segura das posições que sustenta e que consiga levar a bom porto estes conflitos abertos.

    Quanto a mim, tenho presente que as batalhas até agora travadas (casos Bruma, Ilori, reestruturação da dívida...) têm corrido bem e dou, por isso, o benefício da dúvida à actual direcção.

    Jarvalho

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