Próximo Jogo

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03/05/2015

Que Sporting queremos? (ou o planeamento de uma época que ainda está para vir)

Muito se tem escrito sobre Marco Silva, em tom e cadências crescentes desde o epifenómeno de Dezembro. Por estes dias, o foco recai no planeamento da próxima época desportiva, e se esta o inclui. Para além da campanha dos ardinas e dos "ilustres" fetichistas do microfone, uns e outros indiferenciadamente, também nós - Sportinguistas - entrámos, novamente, numa sessão que durará com certeza todo o mês de Maio, se não se arrastar pelo Verão.

Oficialmente, o tabu está montado, quer da parte da Direcção quer da parte do próprio Treinador, o que abre invariavelmente as perspectivas da especulação. Tem-se a ideia, vincada (e viciada? Talvez...), de que a cisão entre Treinador e Presidente é um assunto não resolvido grande demais para que possa ser ignorado e que, portanto, de uma forma ou de outra, ambos estarão "condenados" a divorciar-se.

Partindo do pressuposto de que qualquer equipa precisa de estabilidade (e ainda mais em equipas tão jovens como a do Sporting CP), rapidamente se conclui que Marco Silva deveria continuar à frente dos desígnios da equipa de Futebol, sem desprimor por hipotéticas incompatibilidades com o Presidente. Já agora, interessaria também saber se essas divergências são "apenas" pessoais ou se também profissionais e se, conforme a índole, são tão insanáveis quanto - confesso - me parece. Reafirmo a minha própria ideia de que, pese embora as críticas que lhe assaco (e não são poucas), o actual Treinador deve permanecer. Senão por mais nada, na esperança de que este primeiro ano tenha sido, também para ele, um ano transitório, de assimilação e habituação a um Clube e a um contexto competitivo a que não estava, de todo, habituado, para além da relativa inexperiência do mesmo no cargo que ocupa (vai completar apenas 4 épocas como Treinador, sem nunca ter passado sequer por Treinador-adjunto de qualquer equipa). Em matéria de resultados, não fez menos que outros (embora, eu sei, se exija bem mais), se esquecermos as estapafúrdias declarações do início da época e que nos colocavam na pole-position para o título.

Convenhamos, o Sporting Clube de Portugal tem sido nos últimos largos anos um "cemitério" de Treinadores (à excepção da Era de Paulo Bento) - não que seja este o caso, mas já lá vamos - e, se há factor que todos podemos identificar como longe do ideal, quanto à cimentação e evolução das equipas, é este mesmo: o de se trocar de Treinador como quem troca de camisa. Também por isso, Marco Silva deveria permanecer. Evolua ele também com a equipa, já agora, se não fôr pedir demais. Vamos preferir começar tudo outra vez? Dê-se tempo ao tempo e, depois sim, façamos do tempo o mestre que sempre foi...

Mas voltemos ao planeamento da próxima época, passando por cima desta incógnita: que plantel teremos em 2015/2016? A precisar de realizar encaixes com vendas de jogadores, rapidamente identificamos alguns jogadores como os mais vendáveis, à partida: Rui Patrício, Jefferson, William Carvalho e/ou Islam Slimani. Não bastassem estes, temos ainda Cédric Soares e André Carrillo em situação complicada, no que à sua continuidade diz respeito, devido às evidentes dificuldades com as suas renovações. Já agora, neste imbróglio encontram-se também o guarda-redes suplente Marcelo Boeck, o mal-amado médio André Martins e o dispensável extremo Diego Capel... Todos com as suas próprias especificidades, sensibilidades diferentes e, portanto, merecedores de atenções diferentes, por parte da Direcção. E não, não me esqueci de Nani, cuja continuidade parece um cenário impossível, mais que improvável. Sete possíveis saídas em onze titulares, portanto...

Também aqui Bruno de Carvalho e Augusto Inácio devem redobrar esforços e atenções, não se vá correr o risco de ter que, de novo, reformular uma nova equipa, quase do zero, com todos os riscos que isso acarreta. Nunca o léxico "gestão desportivo-financeira" poderá ser tão bem empregue! Ambos saberão que a base (o tal chavão da "espinha dorsal") da equipa se deve manter de umas épocas para as seguintes, não obstante a obrigatoriedade de venda de alguns daqueles jogadores que "não queremos" ver sair. Neste aspecto, para lá do foco na reorganização do plantel, no que a alienações e aquisições é relativo, é preciso não perder de vista os nossos jogadores emprestados e aqueles que hoje incluem os plantéis da Equipa B e Juniores A.

Há que implementar, decisivamente e de uma vez por todas, a simbiose de que as três equipas deveriam relacionar-se, já actualmente, impregnadas umas das outras, potencializando e rentabilizando da melhor forma os plantéis. Não será preciso procurar muito para percebermos que temos excedentários a mais (salvo a redundância) e, portanto, seria também premente fazer uma espécie de "triagem", para que uns jogadores não fiquem a tapar a utilização (e evolução) de outros. Talvez a Equipa B e os Juniores possam sofrer, em matéria de resultados, com isto, mas considero que o enfoque deverá ser sempre a promoção dos melhores, nas melhores condições, à equipa principal.

E as renovações de contrato, às resmas, não significarão a aposta contínua na Formação? Sim, claro que o significa. Mas tal, per se, nada significa (sim, parece contraditório) e, mais que isso, é preciso ter algum critério nessas renovações, avaliando profundamente os jogadores e os objectivos que para eles possam ser preconizados, de antemão. Por exemplo, renovar contrato com um Sambinha não será, de todo, o mesmo que renovar contrato com um Rafael Barbosa - julgo que todos concordaremos neste ponto - ainda que, para um e para outro, se possam encontrar justificações diferentes, mediante o que se pretenderá de cada um deles.

No fundo, esta poderia ser uma discussão a ter em todas as épocas, em todos os defesos; sei perfeitamente disso. No entanto, perante a crescente politização da questão de todas as questões que ao Sporting Clube de Portugal dizem respeito (de repente, damos por nós a defender e a atacar o Presidente por tudo e por nada, quase sempre por questões pessoais, mais que as institucionais até), achei por bem abrir a discussão, desde já: imagemo-nos todos, enquanto altos dirigentes do Clube que amamos e pensemos, de forma séria, que Sporting queremos nós? Conseguiremos responder sem nos atacarmos uns aos outros?!


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2 comentários:

  1. "Muito se tem escrito sobre Marco Silva, em tom e cadências crescentes desde o epifenómeno de Dezembro. Por estes dias, o foco recai no planeamento da próxima época desportiva, e se esta o inclui. Para além da campanha dos ardinas e dos "ilustres" fetichistas do microfone, uns e outros indiferenciadamente, também nós - Sportinguistas - entrámos, novamente, numa sessão que durará com certeza todo o mês de Maio, senão se arrastar pelo Verão."

    Facil, a final esta aí a porta e destabilizar é sempre a palavra de ordem! Se ganharmos a taça de certo que se prolongará até ao inicio do campeonato devido á supertaça! e se continuaramos a ganhar outros motivos se arranjaram!

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  2. Excelente artigo meu caro.

    O Sporting ganhará a taça de Portugal pelo adversário ser o Braga , o que irá elevar os níveis de concentração dos jogadores , e como somos a melhor equipa somos favoritos.

    O Sporting abre um programa chamado 15minutos com o mister com a imagem de MS , tenho notado em Marco uma postura de defesa da própria estrutura, mas depois vejo que a época ainda não está a ser planeada (atenção disse vejo), não consigo concluir se fica ou não.


    Quanto ao rumo do Sporting , perdemos um ano na nossa evolução , devido à política de contratações , o Sporting para ser campeão para o ano , num exercício de cabeça tinha de contratar uns 6 jogadores para 11. E o caminho deixaria assim de ser progressivo , que foi o que escolhemos e é o mais adequado para a nossa dimensão financeira.

    Eu sinceramente acho que vamos agora dar o 2º passo , se tentarmos passar do 1º para o 3º , os provérbios da língua de Camões podem continuar a minha frase.

    Em relação à equipa B está-se a fazer muito barulho em relação ao Sambinha e a jogadores menos capazes , a equipa B não é um escalão de formação , os ex-juniores quando sobem precisam de jogadores da casa que não tenham as ambições por exemplo de subir e conheçam as suas limitações , por isso é preciso pilares como Nuno Reis , Sambinha , Mica Pinto , não vai jogar uma equipa com 11 jogadores de primeiro ano de sénior , este tipo de jogadores são importantes para o crescimento e a adaptação dos ex-juniores nos séniores , é quase como se tivessem ali de "muletas".

    E o resto é barulho.

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