27/07/2015

Off

O defeso de Verão é sempre uma tanto ou quanto sui generis, afectando as mentes das pessoas, das mais razoáveis às mais temperamentais, e redundando inevitavelmente em discussões, muitas delas desnecessárias, criando cisões onde as não deve haver. Também por isto, decidi desligar-me um pouquinho, evitando tecer considerações mais intempestivas.

Três semanas depois, e concluído o estágio na África do Sul, onde o Sporting Clube de de Portugal ganhou a primeira edição da Cape Town Cup, resta-me fazer um pré-balanço do que me pareceu esta pré-época, até ao momento - sendo que o facto do Mercado de Transferências fechar apenas no final do próximo mês de Agosto pode virar tudo isto às avessas.

A calendarização da pré-temporada não foi a melhor. Começámos com três jogos-treino de dificuldade reduzida, à porta fechada (a saber, contra Sporting B [vitória por 3-0], CD Mafra [vitória por 3-1] e Atlético CP [vitória por 5-0]) e seguimos imediatamente para o quadrangular de Cape Town, já televisionado, onde defrontámos a equipa da casa (Ajax Cape Town FC), que vencemos apenas nas grandes penalidades, após empate por 2-2 no tempo regulamentar, e o previsível finalista Crystal Palace FC, 10º classificado da English Premier League 2014/15, que vencemos por 0-2. Segue-se o Jogo de Apresentação aos Sócios, na disputa do Troféu Cinco Violinos, em Alvalade, ante os italianos da AS Roma e, depois... a Supertaça Cândido de Oliveira, uma semana depois, no Algarve, frente ao SL Benfica.

Se parece manifestamente pouco para uma pré-temporada de Clube grande é porque provavelmente o é. A indefinição quanto à equipa técnica para esta época, face à mudança e pese embora o ingresso de Jorge Jesus - indubitavelmente um excelente Treinador, também teve as suas consequências negativas. Numa situação normal, a pré-época teria sido planeada algures entre Março e o final da época passada, em conjunto com a equipa técnica. Ainda assim, e visto a obrigatoriedade de um começo matutino da nossa época oficial, a que acresce a dificuldade da disputa do Play-Off de acesso à UEFA Champions League, seria sempre difícil encontrar uma solução que melhor satisfizesse os interesses do Clube. Costuma dizer-se que em Futebol não há tempo, mas é preciso que o haja para que se cimentem processos e dinâmicas, porque estes não se assimilam da noite para o dia. Se pararmos parar pensar um pouco nas mudanças que Jorge Jesus está a implementar na equipa (depois de anos e anos em que cada Treinador que tivemos teria "só" que implementar as suas próprias nuances a um sistema já enraizado), talvez percebemos mais ainda a dificuldade acrescida com que nos deparamos esta época.

Apesar de tudo isto, em Cape Town já se viu o cunho do novo Treinador, especialmente na linha defensiva (e sim, apesar dos vários erros individuais e colectivos ainda apresentados). Com Jorge Jesus, a operacionalização do jogo é já visível, assim como alguns processos e dinâmicas que identificávamos facilmente no "seu" SL Benfica. Mas, repita-se, este é um processo de progressão a que só o tempo e a repetição poderá criar e cimentar rotinas!

Individualmente, destaques positivos para Rui Patrício, a aparecer de novo em grande forma, Paulo Oliveira (a comprovar jogo-após-jogo a qualidade que outrora não se lhe era reconhecida), Naldo (talvez a melhor surpresa, a nível dos "reforços"), Gelson Martins (a sobressair-se, apesar de não ser, à partida, um titular "de caras") e a dupla Fredy Montero-Islam Slimani (ambos a dizer "presente" quando muitos já se preparavam para se verem livres deles). Pela negativa, talvez as maiores desilusões tenham vindo da lateral-direita, onde nem João Pereira (principalmente este) nem Ricardo Esgaio parecem estar (ainda?) à altura do que se lhes exige, o "reforço" Michaël Ciani que, além de estar claramente fora de forma (muito pesado?), parece demasiado lento - até para os mínimos dos mínimos - e demasiado "duro de rins", e, por fim, Adrien Silva, que acumulou duas más exibições, quer a '6' quer a '8', dando a ideia que não tem o andamento táctico que Jorge Jesus pretenderá dele. A rever, já no próximo Sábado...

Há ainda uma questão por resolver: o trinco. Dos que se viram, Oriol Rosell pareceu-me o mais talhado para suprir a ausência do lesionado William Carvalho, até pelo que Jorge Jesus pretende de quem ocupe aquela posição. Porém, duas salvaguardas: i) apesar das suas limitações técnicas, Rúben Semedo fez um 'quanto baste' na África do Sul (embora me pareça que esse quanto não baste para outros voos), e ii) não vi quem eu mais gostaria de ver ocupar aquela posição e operar aquelas funções. Falo de Wallyson Mallmann. Não é um trinco à moda antiga, um destruidor de jogo, mas continua a parecer-me o mais talhado para o que dali se pretende, até pelo entendimento obrigatório com o tal 2.º médio...

Não me esqueci de André Carrillo (que também parece fora da forma a que nos habituou na época transacta). Acho que, até pela sua situação extra-futebol, é preciso ter algumas cautelas. Se acho que a renovação do seu vínculo contratual com o Clube seria o melhor desfecho possível, até porque todas as partes teriam muito a ganhar, também acho que não se deve cometer o mesmo erro que se cometeu há 3 Verões atrás com Adrien Silva. Recordam-se?!

Liga/Federação: Ao contrário do que eu inicialmente esperava, antes de todas as considerações posteriores de árbitros, dirigentes do meio e etc., o sorteio dos árbitros (e restantes medidas) não foi aprovado no plenário da FPF - onde os representantes do Futebol Profissional não têm votos para uma maioria, curiosa e elucidativamente.

Deste processo todo fiquei com uma certeza: Luís Duque, a quem hoje alguns reconhecem grandes méritos no seu meio ano de vigência enquanto Presidente da Liga de Clubes (quando pouco fez - para não dizer nada - além de servir os interesses de quem lhe pagou a estadia), não é o homem nem tem a ideologia necessária para uma verdadeira Liga de Clubes. Fosse outro, e aquele "perfeito ignorante" valia-lhe uma derrota automática no sufrágio de amanhã, mas... estamos em Portugal, onde sabemos que o Senhor Cunha, de muitos rostos, é sempre a pessoa mais importante do Mundo.
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3 comentários:

  1. Concordo que a calendarização da pré época podia ser melhor. o AS Roma é um adversário de grande nível, o Cristal Palace também é uma equipa difícil, mas penso que fazia falta mais um jogo de nível mais difícil.

    Penso que ainda antes do jogo com o AS Roma o Sporting ainda irá realizar algum jogo-treino. Caso contrário o onze inicial que irá defrontar o AS Roma, será, muito provavelmente, o mesmo que irá começar o encontro da Supertaça.


    Talvez pelo facto de o mês de Agosto o Sporting realizar vários jogos oficiais, de cariz muito importante, tenha pesado neste menor numero de jogos de grau elevado.

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  2. Dos novos reforços, agradou-me particularmente o central Naldo, em relação ao qual coloquei inicialmente muitas reservas.

    Teo Gutierrez parece-me ainda em fase de adaptação e em má forma física e não me parece ter caracteristicas para segundo avançado.

    Creio que a ausência de William Carvalho se faz sentir bastante e que Jesus ainda não descobriu a forma de superar a ausência dele.
    Espero que a aposta para ocupar essa posição deixe de recair em Adrien, que nunca rendeu nessa posição.

    Rui Patricio apareceu na sua melhor forma e se defendesse sempre assim, sem ter os deslizes que por vezes comete, era dos melhores GR do Mundo.

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  3. A preparação da pré época foi a possível. Não dava para começar mais cedo, mas também é discutível que se pudessem escolher adversários mais poderosos. Novo treinador, novos métodos, reforços a chegar a conta gotas e mesmo assim 7 miúdos encurtaram as férias.
    Confesso que não conhecia Naldo e Ciani. Quer um quer outro não tiveram estreias entusiasmantes. Mas uma estreia em jogos mais a sério com apenas 5 ou 6 dias de clube e outros tantos treinos não será fácil para ninguém. Portanto não os vou cruxificar, até porque Naldo teve outra oportunidade para se mostrar e correu francamente melhor. Antes de emitir juízos de valor vou esperar para rever Ciani.

    Teo é quanto a mim, como já referi antes, uma excelente contratação. Nem vou referir o argumento mais batido - ser titular da Colombia, mas simplesmente acho que é uma mais valia, por onde passou, apresentou sempre uma boa média de golos e acho que sabe mais de futebol que a maioria dos colegas. Assim, conseguimos mais experiencia para o plantel (JP incluído)
    Vamos ver se até ao final de agosto vamos manter os melhores e despachar os "financeiramente pesados" e "desportivamente leves". Se isso acontecer e simultaneamente entrar de caras um médio defensivo (Pizarro seria interessante) penso que estaremos prontos para atacar o titulo principal. Mas sinceramente tenho a sensação que, ou William ou Slimani vão sair.

    SL Ruivox

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