Próximo Jogo

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08/07/2015

Rodolfettes


No último Domingo pudemos assistir à primeira entrevista de Jorge Jesus enquanto Treinador do Sporting Clube de Portugal, no programa Playoff da SIC Notícias, composto por um painel com três glórias do futebol dos três grandes, e Rui Santos. A entrevista defraudou pelo menos as expectativas dos adeptos do Sporting CP, que viram a mesma incidir-se mais sobre o passado, enquanto profissional do SL Benfica, do que o futuro de Jesus como treinador dos Leões e, mais que isso, não tivemos novidades.

Eu diria que um homem do futebol como Jesus poderia ter sido melhor "explorado", caso Rodolfo Reis, António Simões e Manuel Fernandes não levassem agendas de comunicação preparadas que, inclusive, esbarravam umas nas outras (o Manel chegou mesmo a repetir uma pergunta obviamente preparada entre ele e Jesus), ao ponto de tornarem o programa num bate-boca infantil, digno de circo. E nesse circo o artista que mais se destacava era Rodolfo Reis que, com o seu estilo brejeiro e arrogante, dominava a palavra e o tempo da entrevista, iniciando a sua oração com perguntas retóricas tentando direccionar Jesus às respostas que queria. Até que, a certo ponto e por insucesso do seu estratagema, decide mostrar a sua agenda: tal e qual alguns "adeptos" leoninos - supostamente oposicionistas a esta Direcção, pelas redes sociais, tentava subalternizar a figura do Presidente do Sporting Clube de Portugal, num simples "tu é que mandas agora!", fazendo arma de arremesso do erro de comunicação de Bruno de Carvalho em relação ao Manuel Fernandes, tal como declarações críticas de Octávio Machado para com o líder do Clube.

Habilmente, Jorge Jesus, tal e qual deve fazer um Sportinguista nesta situação(já agora, JJ é tão grande profissional como é Sportinguista), evitou cair na esparrela que Rodolfo Reis lançou e, muito bem, afirmou que quem manda é o Presidente, que é ele o responsável máximo da instituição Sporting CP, apesar de todos sabermos que Jesus, como Treinador conceituado que é, não tem o mesmo poder numa estrutura que tem um Marco Silva - que chegou ao Sporting CP com apenas três anos de Futebol profissional como Treinador. Jorge Jesus será em Alvalade o mesmo que um manager à inglesa, exceptuando o facto de não gerir o orçamento. Na vida, como sempre ouvi dizer que "quem manda é o graveto", só posso entender a "encomenda" de Rodolfo Reis como um acto deliberado, na tentativa enfraquecer a imagem do Presidente do Sporting Clube de Portugal. A título de exemplo: ainda no ano transacto, Jorge Jesus era "apenas" uma figura na estrutura do SL Benfica e, como é público, Julen Lopetegui geriu as suas próprias contratações (e a Formação) no FC Porto, sem que ninguém tentasse subalternizar a imagem dos seus Presidentes. Nem mesmo o mesmo Rodolfo Reis.

António Simões que, na "guerra das agendas", descobrimos ser parente de Luís Filipe Vieira, tinha pronta a comunicação do SL Benfica - a mais poderosa a circular na nossa comunicação social. A sua estratégia passava por um ataque ao trabalho de Jorge Jesus, valorizando uma estrutura forte e sólida (a propósito: grande "coincidência", a reportagem da SIC - "No Coração da Águia" - no dia de apresentação de Jesus e aniversário do Sporting Clube de Portugal), que viu um treinador Bicampeão partir para um rival e, por estas hora,s vai perder um "jogador à Benfica" para o arqui-inimigo FC Porto. A propaganda passa por elevar Bernardo Silva a um novo Bola d'Ouro, em tom acusatório para com Jesus (Bicampeão sem o referido jogador), como vimos na acérrima campanha  da Comunicação Social durante o Euro'2015 sub-21, para que Bernardo fosse considerado o melhor jogador da competição. A propósito, os meus sentidos pêsames para a RTP, que ainda deve estar a cumprir pesado luto por William Carvalho ter ganho o prémio.

O que nos vale a nós é que não precisamos da propaganda cá do burgo, visto que as nossas infraestruturas - principalmente a Academia, são reconhecidas por cadeias internacionais, como a CNN e a BBC, que cá vêm compreender o nosso know-how, e não pedir um subsídio de férias debaixo da mesa, para fazer estes obséquios a que a SIC se prestou - e deixo aqui um vídeo:


A estratégia rival, com a qual compactuam os oposicionistas da Direcção, passa por subalternizar a figura de Bruno de Carvalho, tentando fazer dele a "Rainha de Inglaterra". De tal modo, se Jorge Jesus ganhar é porque ele não interferiu no seu trabalho, e tornar-se-á até, talvez, um elemento inútil no Sporting CP, de acordo com essa narrativa , pode vir outro Presidente que até se mantém Jesus. E se perder é porque arriscou e investiu demais e o seu projecto falhou, logo deve ser "corrido" do Clube.

O lamentável nisto tudo é que temos "Sportinguistas" (as aspas são propositadas) a alinhar e utilizar linhas de comunicação rivais, para fazer uma oposição sem rosto contra a Direcção do Sporting Clube de Portugal. Este é assunto que deve levar os Sportinguistas a refletir sobre o que pretendem para o Clube. Mesmo os que não estão de acordo com a Direcção do Clube, jamais podem juntar-se aos rivais pois, assim, não podem nem devem ser considerados Sportinguistas mas, antes, adversários. Não está em causa a defesa ao Presidente - essa far-se-á na medida do seu sucesso; antes, a defesa do próprio Clube, pois até os adversários - os externos - vêem em Bruno de Carvalho a vulnerabilidade que eles próprios, os "Rodolfettes", criaram e alimentam diariamente!

É caso para dizer, parafraseando: "com Sportinguistas destes, quem precisa de rivais?"
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6 comentários:

  1. Anónimo8/7/15 15:48

    Este discurso cor de rosa não pode disfarçar os erros cometidos nos últimos dois anos e que podem ser o indício de que no futuro imediato nada vai mudar. Provavelmente, mas infelizmente, no final do mês de Agosto poderemos ter já uma situação bem diferente. Bruno de Carvalho é um homem desequilibrado que nega hoje o que afirmou ontem. E por isso a comunhão com JJ pode ser efémera se os resultados não aparecerem. Vamos ver como coabitam personalidades tão distintas como Bruno, Jesus e Octávio. É que por mais que se tente passar uma esponja sobre o passado há posições assumidas por todos eles, e uns contra os outros, que são como feridas se destapadas voltarão a sangrar. Oxalá que tenhamos um Sporting diferente. Mas eu, sinceramente, tenho as mais fundadas dúvidas. O episódio com Marco Silva vai perdurar por muito tempo.

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  2. Anónimo acima,

    Por outro lado, tem a opinião contrária, que considera Bruno de Carvalho como a encarnação do anti-Cristo, como se tudo o que ele faz, desde o nó da gravata, fosse mal feito, catalogando até quem, por mera coerência opinativa, ousa elogiar o presidente numa qualquer situação, de culambistas para cima. Deve ser, com toda a certeza, esse o tipo de crítica "isenta" que tanto se defende hoje, por entre "Sportinguistas". Não é?

    A crítica consubstancia o apontar e discutir os erros, para que sejam sanadas/corrigidas/melhoradas as situações menos (...) agradáveis, mas também consubstancia o elogio ao que, de facto, merece elogio. Mas não é isso que se vê, por entre os sítios conotadamente oposicionistas, em geral. Há até por aí um blog que consegue fazer 11 em cada 10 artigos perjurativos para com Bruno de Carvalho. É contra isto que se refere o meu colega de blog. Concedendo eu que peca um bocado pelo extremismo contrário, talvez tentando encontrar uma qualquer espécie de equilíbrio.

    Inteligente não é aquele que insiste no erro, simplesmente para manter a coerência. Inteligente é aquele que reconhece os erros e muda para que não se repitam.

    Muito do oposicionismo que se faz, internamente, a Bruno de Carvalho assenta numa única coisa: divergências pessoais, ou seja, quanto á personalidade do presidente. E não no que de facto se deveria consubstanciar a crítica, que é nos resultados (desportivos e financeiros) e na sua gestão. E aí, para esses, a coisa pia mais fino...

    "O episódio com Marco Silva vai perdurar por muito tempo.". Ia jurar que Marco Silva aceitou um acordo com o Sporting CP - pudera, já se estava a sentir de "cu apertado" (perdoe-me a expressão)! Manter indefinida e interminavelmente este dossier aberto só demonstra uma coisa. Sabe o quê?

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  3. Anónimo ,

    Este discurso não é cor de rosa mas o seu parece-me amarelo.

    "O episódio com Marco Silva vai perdurar por muito tempo" , "Provavelmente, mas infelizmente, no final do mês de Agosto poderemos ter já uma situação bem diferente".

    Marco Silva já seguiu a sua vida e o Sporting segue a sua com um treinador muito superior ao Marco Silva.

    Em relação à Doyen e ao playoff , temos de aguardar e jogar contra quem for para irmos à fase de grupos da liga dos campeões pela 6ª ou 7ª vez na nossa história.

    Em relação à coabitação de elementos da estrutura considerados intempestivos , deixe-me dizer-lhe que da minha experiência pessoal as pessoas explosivas entendem-se e o mais importante é que tenham sempre em mente que estão lá para servir o Sporting Clube de Portugal.

    Quanto aos erros cometidos nos últimos 2 anos , não acredito que superem o bom trabalho já realizado (http://svpn.blogspot.pt/2015/06/bruno-de-carvalho-e-o-paradigma-do-bom.html).

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  4. Mas qual é a admiração de pessoas como Rodolfo Reis e António Simões quererem provocar divisões no Sporting?

    Quero relembrar aos adeptos bananas do Sporting (já o dizia Abrantes Mendes) que na altura em que Zé Eduardo falou que Marco Silva tinha uma agenda própria, os "experts" não perderam tempo nem palavras e começaram a gozar com o Zé Eduardo.

    Agora, e como é caractestico de que tem falta de carácter, calam se todos e ninguém admite a sua precipitação quando até com a empresa de catering do ilustre Sportinguista gozaram.
    Eu sabia que para Zé Eduardo dizer aquilo sobre Marco Silva, era sinal que havia fogo no fumo que Zé Eduardo despoletou aquando do seu artigo de opinião no jornal A bola.

    ZÉ Eduardo sempre teve uma boa visão acerca do Sporting, nunca foi de críticas baratas, e é dos poucos comentadores Sportinguistas que representam o clube dignamente na televisão.

    Viva o Sporting!

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  5. Excelente post, muito a propósito dada a situação actual do Sporting e do sportinguismo.

    É verdade que o maior inimigo do Clube está cá dentro e não lá fora, e por isso mesmo deveria ser uma prioridade de todos curar esse mal. Como? salientando, exacerbando e até glorificando aquilo que nos une, porque é verdadeiramente, e apesar de tudo, muito mais do que aquilo que nos separa. Para isso é necessária a contribuição de todos, repito de TODOS. E deverá começar pelo presidente, a meu ver. Tem falhado neste capítulo, Bruno de Carvalho, a meu ver, mas também penso que vai a tempo de corrigir, com um discurso e uma postura mais unificadora do que teve até agora. Quando (se?) um dia enterrarmos os fantasmas do passado, estaremos muito mais perto desse desiderato. Fica aqui o meu desejo.

    SL

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  6. Diogre antes de mais , obrigado.

    Como sabe e leu o que eu escrevi na "harpa de Nero" que era basicamente um apelo à união , diz-se que Bruno de Carvalho não tenta unir os sportinguistas e tem inclusive um discurso separatista , mas parece-me - hoje - uma questão mais profunda , e que passa por um complexo de posse em relação ao Sporting de uma certa elite do clube. É inadmissível que numa situação como a que o Sporting se meteu nos últimos 5/6 anos , a preocupação de certas pessoas seja atingir a pessoa de Bruno de Carvalho , a qual não reconhecem perfil para ser Presidente do Sporting.

    Desde que o clube tem o associativismo aberto a todos , qualquer 1 pode ser Presidente do SCP , mas há certas pessoas que julgam que não , e eu sinceramente penso que o clube terá de avançar sem esta mentalidade e sem quem tenha esta mentalidade. A opção de surfar na onda de comunicação dos adversários mostra bem o desespero existente , e aí já estamos a entrar em campos de anti- Sportinguismo , e quem o faz apenas para "face" do Presidente não pode nem deve ser considerado Sportinguista.

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