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10/09/2015

Dar asas à formação : um verdadeiro projeto !!

 Não , não é um artigo a pedir redbulls para os miúdos da formação , é acima de tudo uma proposta para haver uma estrutura de suporte mais forte e consistente à propalada aposta na formação.

 Nos últimos anos em Portugal , cada vez mais ouvimos falar de formação e da necessidade dos clubes portugueses olharem para o que há dentro de casa e reduzirem as importações em outros mercados para poderem garantir sustentabilidade financeira , mas o que vemos é que à excepção de situações de crise financeira , o aviso é quase sempre ignorado.

 Há várias razões para não haver uma aposta consistente em Portugal na formação:

  •  Primeiro temos os empresários e os seus interesses mercantis com os clubes.
  • Os treinadores que mostram muita dificuldade em entender que a qualidade não tem idade.
  • O facto dos jovens olharem para os clubes como um trampolim  para outros lados onde possam ganhar mais , isto sem esquecer o olhar recíproco dos clubes que olham para eles como uma oportunidade para pagar salários baixos e muito mais baixos do que pagam a estrangeiros.
  • Os clubes que apostam na formação teoricamente estão em desvantagem competitiva em relação aos outros que não a fazem.
  • O futebol juvenil não tem  nem de perto a competitividade do futebol sénior e nem sempre há condições favoráveis para se fazer essa ponte de forma segura quando é provavelmente a etapa mais importante e que define a carreira de um jovem jogador.
  • Os clubes não entendem que lançar um jogador não é a mesma coisa que apostar nele.

A última vaga de aposta na formação no Sporting Clube de Portugal foi com Paulo Bento ao leme . minha opinião o Sporting CP cometeu vários erros , desde logo o facto de tentar formar a um nível sénior, um treinador e jogadores ao mesmo tempo , depois achar que podia ser competitivo importando jogadores da sua formação e pagar-lhes muito pouco. Era a receita para o desastre , foram os "castigados" , "os modelos" , "o que se sentia pobre" , o mau ambiente no balneário , o que entrou em campo e levou 2 amarelos em 5' e prejudicou a equipa ,  a "tranquilidade" e por fim a "maçã podre". Apesar de termos ganho 2 Taças de Portugal e 2 Supertaças , acho que é consensual que poderíamos ter tirado outro rendimento financeiro e desportivo da maioria dos jogadores que foram lançados/apostas na altura como Nani , Moutinho , Veloso , Djaló , Saleiro , Pereirinha , Carriço , Adrien , Carlos Martins.


Sporting CP está melhor neste aspeto , o clube paga aos jogadores o que eles valem e não têm um ordenado de "jogador da formação que tem de ser grato" , as renovações de Carlos Mané , JoãoMário , Gelson Martins são um sinal de uma mudança dos tempos , em que o clube pretende investir para que os jogadores atinjam a maturidade competitiva no clube sejam valorizados com títulos e depois sim vendidos. Há também condições como uma estrutura diretiva estável que tem dado os melhores treinadores possíveis ao clube para garantir o crescimento competitivo dos jogadores. Hoje um jovem do Sporting CP que se destaque na primeira época , não fica com "bicho carpinteiro" para sair e depois se não conseguir faz birra e começa a desvalorizar , num exemplo concreto diria que em outros tempos seria impossível termos "um William de Carvalho" a fazer a 3.ª época consecutiva no clube ansioso por regressar e ajudar a equipa a ser campeã nacional, o mais provável era estar a forçar uma saída para o FC Porto

Nos últimos anos , o Sporting CP fez aparecer talentos nascidos entre 92 e 96 como :
- William Carvalho , Zézinho , João Mário , João Carlos , Esgaio , Ilori , Bruma , Carlos Mané , Eric Dier , Chaby , Wallyson Mallmann , Edgar Ié , Mauro Riquicho , Daniel Podence , Francisco Geraldes , Cristian Ponde , Gelson Martins , João Palhinha , Matheus Pereira , Rafael Barbosa , Fábio Martins. 

Sou da opinião que o aproveitamento não está a ser o melhor , pese embora as melhorias evidentes que temos vindo a fazer na relação com a formação ,  obviamente nem todos aqui podem vingar no Sporting CP e alguns mesmo já não fazem parte dos quadros do clube, mas penso que apenas renovar com os jovens e deixar-lhes a jogar na equipa B e depois "seja o que Deus quiser"(agora Jesus) não é o passo correto para um clube que se quer afirmar como um clube que aposta na formação , e é aqui o ponto onde quero deixar a minha proposta! Hoje temos um treinador que terá  dificuldades em lançar jogadores da equipa B, isto apesar de mostrar que conta com Gelson Martins , ele apenas segue na linha de Leonardo Jardim e Marco Silva que lançaram Carlos Mané e Tobias Figueiredo respetivamente , o que me parece manifestamente pouco.

Para um projeto de formação ter apenas uma equipa B é insuficiente , e esperar que o treinador lance os jogadores ainda júniores ou vindos da equipa B também é uma ilusão , e o ritmo de entrada será o que temos visto , 1 jogador por ano , enquanto outros são emprestados e sabemos nós com muito pouca probabilidade de chegar a equipa principal do Sporting CP pois - a maioria- competem em equipas que não lhes proporcionam as melhores condições para crescerem , seja pelo nível competitivo do plantel seja pelo futebol praticado, que na minha ótica é fundamental para o desenvolvimento dos jogadores.


Acho que um jovem jogador cujo o Sporting CP reconhece potencial não pode fazer 2 anos na equipa B , deve sempre ir subindo de nível competitivo para não estagnar ou perder a pespetiva de entrada na equipa principal , o passo correto na minha opinião , passa por um processo semelhante ao que aconteceu com João Mário e que o clube deveria adotar como modelo. João Mário teve todas as condições para crescer : fez 1 ano e meio de equipa B ,  foi emprestado ao Vitória de Setúbal que é perto de casa e de Alvalade , a um treinador que conhecia o seu talento e confiou nele , mas fundamentalmente uma equipa que foi competitiva e praticou um excelente futebol na segunda volta que valorizou os seus jogadores. Para mim este dado faz a diferença , emprestar os jogadores não pode ser despejá-los , é preciso emprestar a equipas que valorizem o seu futebol e que não os transforme em jogadores de equipa pequena para assim um dia poderem afirmar-se em Alvalade.

A PROPOSTA:

Vi os jogos do GD Estoril Praia neste início de época , e confesso que fiquei impressionado com a proposta de jogo que o treinador afirmou em conferência de imprensa que é para manter seja quem for o adversário , e eu disse para mim mesmo que Wallyson Mallmann , Gauld , Iuri Medeiros caiam muito bem  naquela equipa.  Ora o Sporting CP não tem nenhum AS Mónaco FC ou Valência FC , mas eu gostaria de estudasse parcerias com os clubes da zona de Lisboa , como o GD Estoril Praia , Os Belenenses ou mesmo o Vitória de Setúbal para colocar lá os jogadores, e orientar/colocar os treinadores para que garantam os minutos que precisam , o bom futebol e consequentemente a valorização dos ativos emprestados a troco de uma percentagem na venda para os clubes que os recebem.
Não conheço a regra da sociedades anónimas em competição , mas se possível , nem que o Sporting CP pagasse para ter esta parceria e assumisse os ordenados dos emprestados a 100% , seria certamente um excelente investimento de ambas as partes. Da mesma forma que penso que deveríamos ir mais além e procurar estender esta parceria a uma equipa de um campeonato mais competitivo : a La Liga , nos mesmos moldes , treinador e equipa de bom futebol.

A proposta passa pelo Sporting CP oferecer estágios aos seus formandos basicamente , e garantir-lhes um ciclo coerente de crescimento enquanto jogadores , e imaginemos:

  1. Equipa B
  2. GD Estoril , Vitória de Setúbal , CF "Os Belenenses"
  3. Ir jogar na La Liga a um Rayo Vallecano ou Córdoba FC

Ora se os jogadores após chegarem ao escalão profissional fizeram um passo por ano - não é imperativo- significa que este ciclo acaba aos 22 anos , no 3.º ano de sénior , a mesma idade com que se importam a maioria dos jogadores que chegam a Portugal de outros campeonatos e nomeados como grandes promessas do futebol. O cumprir deste ciclo não garante que os jogadores venham a vingar em Alvalade , mas pelo menos valoriza-os , e acredito que falta isto ao Sporting CP para poder falar num verdadeiro projeto de formação , comprar esta "barrigas de aluguer" ou satélites seria o investimento para dar o ciclo coerente de crescimento aos nossos formandos com mais potencial que não possam entrar diretamente no plantel principal.
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3 comentários:

  1. João Magalhães10/9/15 19:58

    O tema é interessante e o post dá azo a discussões agradáveis, mas queria também, por sentir que há aqui gente que acompanha o fenómeno, partilhar alguns sentimentos face ao que acontece em Alcochete. Mais do que comparar constantemente e entrar por conversas estéreis, quero saber a vossa opinião.

    - Não sentem um decréscimo qualitativo dos jogadores da academia nomeadamente a partir da geração de 96? Tiro destas contas a de 99 e 2000, onde vejo bons valores e condizentes com o habitual no Sporting.

    - Não acham que o clube está algo preocupado com a imagem de que o Sporting está enfraquecido na formação de jogadores? Digo isto por sentir que cada vez vemos menos jogadores a saltar escalões (não que seja a política obrigatoriamente correcta, mas porque em alguns casos é a melhor solução)

    - O próprio afastamento da Youth League não retira uma montra aos atletas, não tanto pela opinião pública que se faz ao ver os jogadores, mas antes por ser um meio de evolução tremendo?

    E ainda dizer que em termos de margem, e não rendimento, que é o que realmente interessa, a equipa de Júniores do Sporting me parece algo inferior ao costume.

    Para finalizar, algo sempre interessante de fazer, lançar os nomes em que vemos mais margem nos atletas:

    97 : Pedro Silva (guarda redes algo ortodoxo e com uma saída de bola estranha)
    98 : Pedro Ferreira (parece-me um médio à imagem de JJ, todo o terreno e com características brutais), Gonçalo Vieira e o Jovane Cabral
    99 : Dani Bragança (muito critério e entende o jogo a outra dimensão, não se entende porque não experimenta estímulos superiores, em vez de ter o Bubacar nos Júniores), Rúben Teixeira (vamos ver se a aposta nos Júniores é para manter), João Oliveira e os extremos Tipote e Leão (casos em que acho que a idade biológica difere da cronológica e que estão a mais na equipa de Juvenis).

    Por curiosidade, acho mal o tratamento dado ao Braz, Vaza, Bernardo Sousa, Biai em que vão estar a competir no distrital, julgo eu (?), em vez de experimentarem outro enquadramento.

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  2. João Magalhães tocou num aspeto importante e que suscita muita curiosidade nos Sportinguistas, ponto que eu estou a tentar mostrar aos adeptos que não é bem assim, estou a pensar fazer uma série de posts a mostrar as novas pérolas da Academia.

    A equipa perdeu qualidade, mas na minha opinião gerações como a de 93/94 foi a melhor de sempre desde que temos Academia por isso não deve servir de base de comparação. Mais do que a equipa, também perdemos qualidade nos técnicos responsáveis pela formação, desde técnicos, diretores e até no scouting paramos no tempo. Aliás, recentemente BDC confirmou que o scouting já não era pago há 2/3 anos, para além disso muitos dos nossos técnicos saíram para o Benfica. O Bruno Maruta regressou ao seixal por exemplo.

    No entanto, continuo a ver boas equipas, que praticam bom futebol e que podem servir os quadros do Sporting no futuro. Eu acho é que as pessoas não tem é noção da qualidade que estava reunida nas últimas fornadas.

    Não devemos ter como indicador de qualidade o ganhar mais titulos, porque em juniores o ano passado fomos bem superiores ao Porto por exemplo e em Juvenis talvez a equipa que melhor futebol jogava, e muito menos as convocatórias das seleções jovens, porque aí é só compadrios.
    A título de curiosidade para mim o melhor jogador de 97, depois de Ruben Neves, e portanto melhor que Renato Sanches, o João Carvalho também nunca é chamado. Depois há os casos de Chaby e Chico Geraldes.

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  3. Boa noite João Magalhães , agradeço a sua participação , é muito útil pois está por dentro do assunto , pese embora o foco da minha intervenção fosse a formação já nos seniores.

    Em relação à primeira pergunta concordo absolutamente consigo , e digo isto apesar de ter visto qualidade de jogo na equipa do Telmo , mas era qualidade coletiva não vi destaques individuais por aí além , o que indica que algo vai mal , porque é importante os jogadores estarem inseridos num coletivo que potencie a sua qualidade mas o foco tem de ser o individual nestas idades.

    Na segunda questão , eu entendo que o saltar o escalão é porventura o melhor método de formação , obrigar um jogador a um nível de exigência superior quando o destaque perante os seus colegas é evidente , esse destaque deve ser pela capacidade técnica e não física para não incorrermos em erro, logo deve ser uma avaliação cuidada. E sim também tenho a impressão que se está a tentar privilegiar a imagem , lembro-me que nos tempos em que tínhamos o Cassamá e o Sambú , dizia-se que aquela geração era das mais promissoras... repare bem.

    E sim Youth League e fase final , na minha opinião são testes de stress importantes na maturação e mentalidade competitiva dos jovens.

    O que falta ao Sporting na minha opinião é qualidade individual , tanto a sair das bases como na importação sub15/16 , não a sua metodologia do trabalho , apesar desta inversão a subir os escalões ,faz parte do SCP e também o físico seco nos miúdos, se você reparar nos jogadores que escrevi acima chegaram aos seniores quase todos lingrinhas... o seu talento foi sempre respeitado mesmo quando subiram de escalão , nunca subiram aos júniores e foi necessário serem maiores para aguentar. Para mim este é o segredo da formação do SCP.

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