Próximo Jogo

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22/09/2015

Notas Soltas: Foi por "dentro" que tudo se decidiu !

A turma leonina iniciou o jogo com uma entrada assertiva, de linhas subidas a procurar o tão fundamental primeiro golo.
Depois da desilusão sofrida na quinta-feira era exigível que isto acontecesse, ainda mais depois da pressão colocada pela vitória do FC Porto no clássico de domingo.
Destaque para Jefferson, que iniciou o jogo com forte propensão ofensiva e algumas combinações interessantes com Bryan Ruiz. Ainda que a abrangência do lateral-brasileiro no jogo seja muito "fechada", linha e mais linha.
Paulo Oliveira também mostrava em destaque, ora pelos duelos ganhos a Soares na antecipação, ora pelas jogadas a conduzir de forma a contribuir na organização ofensiva.
João Mário, de regresso à titularidade depois de vários jogos no banco, também se procurava assumir no momento da construção, de tal maneira que várias vezes até foi ele - e não Adrien - que iniciou a 1ª fase desse momento.

Uma novidade passou também pelo posicionamento dos extremos, que com mais frequência procuraram receber na largura, ao invés de o fazerem dentro do bloco como tem sido habitual. No entanto, com bola tinham como sempre o espaço interior como principal referência.
De referir que Gelson Martins e Bryan Ruiz no processo defensivo cumpriram sempre os pergaminhos que Jorge Jesus preconiza no seu modelo, ajustando-se na linha intermédia em largura sempre para próximo dos médios-centro.

Com o passar dos minutos, o jogo foi se tornando "morno".
O Sporting CP parecia uma equipa com dificuldade em dominar o espaço, talvez pelos baixos níveis de pressão sobre o portador nas zonas mais recuadas dos madeirenses e alguma distância da linha intermédia leonina a essas mesmas zonas. O CD Nacional aproveitou para respirar com esta pouca pressão e subiu as linhas para apostar no jogo directo e quando não o conseguia fazer procurava o jogo externo, preferencialmente pela direita, para quebrar as linhas "centralizadas" do Sporting CP e ter algum tempo com bola, de maneira a enervar e quebrar o ritmo ascendente.

À passagem da meia-hora o árbitro - numa decisão exagerada - decide expulsar Nuno Sequeira e "estragar" o jogo, no que diz respeito à sua espectacularidade.

O CD Nacional naturalmente abdicou - ainda mais - do jogo e baixou totalmente as suas linhas.
Até o final do primeiro o tempo a turma leonina teve algumas jogadas de jogo externo, mais muito pouco mais de palpável.
Também teve bolas paradas estudadas - e bem estudadas -, que são uma das imagens de marca de JJ, mas sempre muito mal finalizadas. Como tenho defendido é totalmente diferente ter no momento das bolas paradas jogadores como Luisão/Garay/Matic/Jardel, de aliam a estatura elevada a uma forte impulsão e agressividade nos duelos aéreos, dos que o treinador tem agora à disposição no Sporting CP.
Apenas Bryan Ruiz e talvez Ewerton cumpram esses requisitos, apesar do costa-riquenho não ser propriamente agressivo.


Na 2ª parte passou-se mais do mesmo, excesso de utilização dos 2 corredores laterais, que acabavam quase sempre em cruzamentos. O Sporting CP sentia graves dificuldades no jogo interior.
Já o  CD Nacional demonstrou-se uma equipa compacta e de ajustamentos sempre rápidos, onde tenho de destacar o papel de Agra e do polivalente João Aurélio na organização defensiva, que apesar de extremos raramente descuraram das funções no processo.

Mas não era de todo por mérito da equipa de Manuel Machado que o Sporting CP não era eficiente a jogar por dentro. Ter jogadores com debilidades graves técnicas a jogar em espaços curtos (Slimani) ou de lentidão eterna a executar (Teo) é paradoxal a uma equipa que queira romper no jogo interior.
No entanto, creio que este problema chamado jogo interior se passou também por a dupla de médios, composta por Adrien Silva e João Mário.

O capitão, na minha opinião, é um jogador com um perfil de decisão muito "estreito", isto é opta sempre pelo mesmo caminho. Falando em situações de jogo, várias vezes com opções de passe vertical Adrien insiste simplesmente em optar por colocar num jogador da linha lateral, talvez porque é a opção mais fácil.
Ser criativo é procurar soluções novas para resolver problemas e ele não é, de maneira alguma, um criativo.

Já a João Mário, depois de muitos anos formatados num modelo de posse, será pedido que opte também por algumas progressões com bola de forma a romper contenção e aparecer mais perto dos avançados, dentro do bloco. Acredito que não seja uma tarefa muito difícil, já que o jovem português é muito bom a segurar a bola e excelente na tomada da decisão.

Foi com a entrada de Carlos Mané e Fredy Montero que o Sporting CP ganhou, finalmente, capacidade de desequilibrar por dentro e acabou por chegar ao golo que deu a vitória, marcado precisamente pelo avançado colombiano.

Quando o Sporting teve qualidade dentro do bloco, no último passe, com jogadores capazes de executarem com a mesma eficácia em curtos espaços, da maneira que o fazem em espaços abertos, conseguiu descortinar a porta blindada, que era a linha defensiva do Nacional.

Talvez, possa reafirmar que "foi por dentro que tudo se decidiu !".

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5 comentários:

  1. Isto de andar a jogar com o maior número de pinos possível já começa a irritar. Será que é desta que se percebe de vez que o Montero é muito superior ao Téo?

    Esgaio já sentou o João Pereira (ou pelo menos assim o espero). Ficam a faltar Adrien e Jefferson. Será que o Cédric encarnou no Jefferson? Ele nunca foi muito inteligente mas começa a roçar o ridículo.

    E Carrillo tem de jogar, obviamente. Gélson está "verdíssimo".

    Cumps

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  2. O Carrilho joga para o ano nos andrades...Gelson foi considerado o homem do jogo. Ainda está verde é verdade, mas já desequilibra. É preciso é que vá jogando para evoluir. Se o Carrilho nos primeiros 3 anos no Sporting tivesse tido este rendimento, agora se calhar era o mais bem pago do plantel e tinha contrato até 2020. Só faz falta quem está, e quem quer estar. De imprescindíveis estão os cemitérios cheios. Cumps

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  3. Excelente análise de futebol.

    Discordo apenas de Jefferson que fez um jogo miserável.

    Esta rubrica vem para ficar , e espero que os leitores gostem.

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  4. Caro Ruben,

    Parece que viu o jogo com os meus olhos (ou eu com os seus, entenda-se). Aquilo que eu vi, está aqui.

    Só quero acrescentar uma coisa e reforçar outra:
    - um relvado, por favor, um relvado...
    - o Sporting não pode ter um ponta de lança titular como o Slimani; no plantel, sim mas a titular, não.

    Bom trabalho!

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  5. Adrien é quem devia ter saído ao invés do João Mário. Adrien em zonas baixas demora a soltar (como se quisesse forçar a sensação de que é ele quem carrega o jogo) mas ao invés torna o processo de transição lento, previsível e complicativo, pois os colegas uns segundos antes desmarcados, o adversário tem de tempo de rectificar e remarcar los, ficando então ele sem linhas de passe entrando então nos seus forcosos dribles que culminam invariavelmente em perdas de bola.
    Em zonas avançadas parece tentar 'mostrar a si mesmo' capacidade de meter a bola no buraco da agulha, mas fa-lo de forma pouco inteligente, pois vai entregando ao Slimani quando este se encontra rodeado de 3 jogadores (o tal buraco dele), e nem tem ele ou outro colega próximo para tabelar, mas nesses momentos tem linhas como o João Mário ou o Téo abrindo a esquerda de forma a isolar, mas é sempre o mesmo um aí Jesus que nunca manda uma boa boca de modo a por este a jogar simples e rápido sem pressão de mostrar serviço.

    É por jogos fechados como o de ontem que penso que naqueles três 8 há lugar para um puro 10 (nem seja a sair do banco) capaz de subir com bola a desmanchar em drible e velocidade, e temo lo o Gauld, que até pode descair nos extremos.
    SL

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