Próximo Jogo

Próximo Jogo

09/02/2017

«A diferença entre um estadista e um demagogo é que este decide pensando nas próximas eleições, enquanto aquele decide pensando nas próximas gerações»

Falta já menos de um mês para o próximo sufrágio eleitoral, à partida com uma diferença que, a mal ou a bem, me congratulo: desta vez, a vigência de um mandato foi completa e totalmente cumprida. Não que seja bom ou mau, per se, mas talvez nos venhamos a aperceber, devagar-devagarinho, que andar a trocar de Presidente como quem troca de camisa não é bom para ninguém - porque não dá tempo a uns para entender afinal quem elegeram e por quê nem a outros para assimilarem que foram de facto eleitos e que não respondem só por si mesmos. Não é de agora, tem sido assim ao longo destes quase 32 anos da minha memória verde-e-branca...

Ao contrário das anteriores eleições presidenciais - e até das de 2011, que levaram Bruno de Carvalho (BdC) ao cargo maior da vivência Sportinguista quotidiana, estas pautam-se por um tom deveras diferente. Para melhor ou para pior, depende da mente de quem o pensa. Da minha parte, posso dizer que já não vivemos sobre o espectro atroz dum Clube prestes a fechar portas... pelo menos na medida em que o conhecíamos.

É pena que o actual Presidente tenha como rival de candidatura alguém que, desde Dezembro até ora - e  já se passaram 2 meses desde que se apresentou, mais não é que a figura meramente oposicionista, que parece querer concorrer acreditando tão só que não ser Bruno de Carvalho é suficiente. Não nos enganemos; como o próprio programa de Pedro Madeira Rodrigues (PMR) indica, esta também é uma eleição de valores e costumes. Porém, não chega...

Enquanto que votar em Bruno de Carvalho é uma espécie de continuação da lição anterior, com todas as qualidades e defeitos que tão bem conhecemos, o voto em Pedro Madeira Rodrigues parece cingir-se à obliteração da lição anterior. Quando escrevo isto, ainda não se viu, leu ou ouviu qualquer debate entre os dois candidatos. Todavia, não se esperam retirar daí ilações que ainda não tenham sido assimiladas. A este ponto, quem já tinha por ideia votar BdC fá-lo-á sempre; é na falange oposicionista que se centram (quase) todas as dúvidas, apesar do candidato único.

Pese embora a candidatura precoce, PMR não soube até ora posicionar-se em relação a nenhum dos temas em que o podia (e devia) fazer. Afoga-se amiúde num discurso de chavões, aforismos, soundbytes e acusações avulsas - muitas sem qualquer outro sentido senão visar directamente o carácter pessoal de BdC, ao invés de se balizar no que seria absolutamente fulcral: o que fazer, por que fazer, como fazer, quando fazer e sob que objectivos e medidas concretas. Além, claro, de meras promessas, vãs, como são os casos do Velódromo (Ciclismo de Velocidade em Portugal, a sério?), Clubes Náuticos, Centros de Estágios no Norte, recompra da Academia de Alcochete (que nunca seria uma recompra mas, antes, um adiantamento - que nem sequer faria muito sentido) e outras que tais... e tudo isto, pasme-se! - com a ajuda de "investidores que serão como irmãos" ou sem que o Clube fique onerado de (mais) despesa.

De repente, faz-nos lembrar duma outra promessa da mesma índole, de 100M €, que acabou por redundar num Clube sem milhões de euros e a alienar tudo quanto tinha (incluindo percentagens ridículas de jogadores da formação - o mínimo foi 2.5%) para pagar despesas correntes como água, electricidade ou gás.

Comecei pelo challenger, mas vamos então ao mainteneur: BdC está longe de ser o Presidente perfeito. Desde logo pela sua mais-valia desportiva; ganhar 1 Taça de Portugal e 1 Supertaça Cândido de Oliveira em 4 anos é péssimo. Mesmo que nos recordemos que havíamos passado um deserto de 8 anos sem qualquer troféu conquistado, e com certeza que nos lembramos, é ainda muito pouco para um Clube que ambiciona ser "tão grande como os maiores da Europa". A corrente época então é um desastre - nada que não fosse já de prever. O sucesso tem que ser uma consequência e não um objectivo por si só. O factor desportivo tem que ser melhorado sobremaneira. Fale-se em estrutura, competência, meritocracia ou demais chavões, deixe-se é de tanto falar e mais fazer.

Bruno de Carvalho não é um estadista - não sabe sê-lo. Quero acreditar que o ênfase do Sportinguismo nele próprio seja o maior impeditivo. Ainda assim, tem que tentar resguardar-se mais, na medida em que é ele a figura de proa do Clube e, como escrevi algures acima, não fala nem age só por si mesmo. Resguardar-se a si mesmo é, por isso, enquanto Presidente, resguardar também o Clube a que se jurou defender. Não pode haver aqui subjectividades de conceito, há que ser claro, conciso e objectivo.

Entende-se que não é fácil permanecer impávido perante ataques diários, sistemáticos (e até sintomáticos de alguma doença obsessivo-compulsiva), mas constatará que a ignorância e a desinformação é a arma dos fracos. «A asneira é sempre faladora.». Despreze-os, ignore-os. A menos que tais ataques ultrapassem o limite da urbanidade por que todos respondemos; a liberdade de expressão não é a liberdade de dizer tudo sem sofrer consequências.

«A palavra é viva quando falam as obras. Cessem, pois, as palavras e falem as obras. Estamos cheios de palavras mas vazios de obras!»

Seja ele BdC (Presidente), Nuno Saraiva (Director de Comunicação) ou até Jaime Marta Soares (Presidente da Mesa de Assembleia Geral) há algo que é preciso assimilar e pôr em prática para ontem: falar só quando estritamente necessário! Quando se está "na mó de baixo", qualquer palavra ou ideia no momento errado é empolada como se do fim do Mundo se tratasse. Não é por acaso que se diz que "a descer todos os Santos ajudam". Lembremo-nos disso... e deixemo-nos de dar (ainda) mais visibilidade a autênticos serviçais de outras senhoras, sejam eles propagandistas de Domingo ou Segunda-feira ou alguns Órgãos de Comunicação Social, por estes dias verdadeiramente infestados de um prolífero anti'ismo ordinário que só lhes garante a subida na carreira e o aumento da conta bancária. Não contribuamos nós também para isso, pode ser?

Que dia 4 de Março seja feita a vontade dos sócios, e que daí em diante partamos mais unidos. Será sempre mais aquilo que nos une que aquilo que nos separa. E, já agora, se for possível cessar ou minorar a representação do Conselho Leonino (a que chamo carinhosamente Conselho de Pavões & Papagaios), faça-se. O quanto antes!
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11 comentários:

  1. Boa prosa Mauro!

    A triste realidade é mesmo essa que descreves PMR oferece a hipótese de não ser BdC o presidente do SCP nos próximos 4 anos, essa é a sua única valência!

    Sobre o CL a decisão correta era mesmo de cessar funções ... estou para ver que será o proximo Rui Barreiro ou Rui Morgado? a sair do novo CL.

    SL,

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  2. julio silva8/2/17 18:04

    julio silva
    obrigado mauro pelo excelente post que meteste aqui

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  3. Muito resumidamente este PMR chegou para fazer barulho (ladrar) e ninguém lhe liga.

    Infelizmente esta é a oposição que temos.

    Neste momento BdC é e será o futuro.

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  4. Um texto de opinião que o Mauro soube construir, no dia do aniversário do ainda presidente Bruno de Carvalho. Se dúvidas havia os prós e contras foram colocados neste artigo, que nos dá uma narrativa sintética, das ideia de BdC e da demagogia que roça o populismo de PMR. Para mim se dúvidas houvesse, fiquei esclarecido, até porque não foi com o meu voto que este presidente lá está, mas será com o meu voto que vai continuar.

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  5. Anónimo8/2/17 20:52

    Excelente texto e partilho em grande parte da tua opinião, em suma Bruno de Carvalho apesar dos seus defeitos, concorre sozinho e continuará como presidente do Sporting.

    Para o novo mandato desejo acima de tudo, como tu referiste e muito bem,"falar só quando estritamente necessário", pois esta foi a meu ver um dos maiores erros do nosso presidente, caindo muitas vezes no ridículo, e mesmo quando tinha razão, para se fazer ouvir, ninguém lhe ligou patavina! Mas por outro lado temo que a sua intempestividade e algum facciosismo nunca o deixem evoluir nesse capitulo.

    Quanto ao que foi feito de bom é continuar no mesmo caminho, e elejo como principal ponto tudo o que tem sido feito pelas modalidades.

    Badeu

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  6. Bom texto para início de discussão, Mauro.

    Concordo com a tua avaliação em baixa da candidatura de Pedro Madeira Rodrigues. Acrescento a esse negativismo o facto (sim para mim já se tornou facto) deste candidato a presidente do Sporting Clube de Portugal ser ou ter sido também um personagem interventivo na blogosfera leonina, de seu nome City Lion (ver aqui http://camaroteleonino.blogs.sapo.pt/user/citylion). E acho isto negativo por duas razões essenciais:

    - Pelo conteúdo do que foi escrevendo ao longo dos últimos anos, uma vez que foi frequentemente vulgar, boçal e intelectualmente desonesto numa crítica exacerbada a Bruno de Carvalho, quase com contornos de ódio. Quando confrontado com o contraditório, nomeadamente por mim, reagia com agressividade e sem capacidade argumentativa nem elegância, características que teima em repetir que possui, ao contrário do actual presidente. Revelador.

    - O facto de nunca ter assumido esta identidade é por si só um indicador e carácter e personalidade. E não me parece que seja muito bom, nomeadamente para o cargo que pretende ocupar. Acho importante termos um presidente que assuma o que é e o que foi.

    Quanto a Bruno de Carvalho, penso que merece um segundo mandato. Porque tem obra feita (ele próprio enumerou os factos que a constituem no seu mais recente discurso) e experiência adquirida.

    No entanto, há muito a melhorar, como é normal. Para lá da péssima época desportiva (por exemplo o futebol em 2017 até à data: 12 golos marcados e 12 sofridos, três derrotas, dois empates e duas vitórias) inclusive nas modalidades (ainda ontem o que se passou no Andebol é INADMISSÍVEL), há a comunicação que tem de ser bastante trabalhada, como o Mauro refere. Há o facto de ter um amigo como treinador da equipa B, que demonstra semanalmente a sua incompetência, mas teima em permanecer no lugar (nem o próprio joão de deus deve perceber como ainda não foi despedido).

    Gostava um dia de ver uma direcção do Sporting, ao chegar ao fim dum mandato, fazer um apanhado das coisas que correram bem, mas também das que correram mal, bem como da estratégia para corrigir estas últimas. Acho que seria extremamente enriquecedor e esclarecedor. Por outro lado, esvaziaria a crítica fácil e não construtiva por parte de eventuais candidaturas oponentes.

    SL

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  7. Naturalmente que esta presidência se debate pelo título maior, mas como sói dizer-se " nem só de pão vive o homem", todas a energias do presidente têm sido usadas na recuperação do bom nome do sporting, na salvação do clube, no restabelecimento da mística, no fervor clubístico ( conseguido, basta reparar no crescente número de associados, eu incluído), na consolidação das contas, amortização da dívida e recuperação de passes. É apontada a postura e atitude beligerante do presidente como o seu maior handicap, o que eu discordo. Sobre o PMR nada sei, apenas me parece querer agradar aos sportinguistas com promessas e quimeras inconcebíveis, no meu entender, o post é esclarecedor e mostra que mesmo sem títulos o presidente é sem sombra para qualquer dúvida aquele que os sportinguistas desejam para continuar a obra de engrandecimento do nosso grandioso clube, somos SPORTING CLUBE DE PORTUGAL, somos únicos SL

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  8. Verde protector

    Não sei porque se considera PMR tão fraco. Penso que é um problema cultural. Gostamos dos vendedores de ilusões, como Sócrates, que foi reeleito com
    maioria absoluta. Até que um dia "caímos na real". Não gostamos dos "sem sal", como Manuela Ferreira Leite ou PMR. Mas este tem um bom curriculum académico e esteve em cargos de liderança. Bruno, de cargos de gestão, não tem nada. PMR tem mostrado algumas boas ideias e tudo vai depender de quem o vai rodear no futebol: director desportivo e treinador. Existem 2 candidatos e um vai ser presidente. Abster-se é reforçar a candidatura de Bruno e a máquina de propaganda. Com Bruno vamos melhorar? Não, já estamos em declínio, ainda para mais quando a solução é mais do mesmo. Jorge Jesus deu cabo do balneário, como Pedro Barbosa ainda hoje o referiu, mas é intocável, fruto dum inconcebível acto de gestão de BdC em renovar o contrato. É importante, sem preconceitos, dar a oportunidade a outros, que são uma incerteza. Pior é o presidente que é uma certeza...de insucesso futuro.

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    1. Isso tudo e um velódromo.

      Como bem referi, a única (mais_)valia (?!) de PMR é exactamente o não ser BdC. O que, como bem se nota, é suficiente para alguns. Mas não para todos...

      "Gostamos dos vendedores de ilusões". Completaria com outra coisa: também gostamos muito de promessas e maquetas.

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  9. Verde protector
    Repare que eu dei o exemplo da reeleição de Sócrates para procurar exemplificar "os vendedores de ilusões", não a sua eleição. PMR pode naturalmente vender promessas, mas não temos certezas. Já o BdC apresentou um "programa"(??), onde para o futebol constava Augusto Inácio, um plantel de 20 jogadores a jogar em 4-3-3, fora 2/3 contratações cirurgicas todos os anos apregoadas. Tudo mentira. Contratações aos magotes, então para a equipa B nem se fala, equipa essa que é um desastre e "as chaves" do departamento de futebol para Jesus fazer o que bem entendesse. Aliás, Jesus deixou claro que BdC não fazia ideia nenhuma de como organizar um departamento de futebol ao dizer que passado um mês se queria embora. Perante este cenário de continuidade, é-me difícil entender como se pode pensar que é com BdC que vamos dar a volta, confesso. Só quem está em negação, e acredita nas ilusões de alguém que provou mentir constantemente. Eu próprio apoiava BdC em 2013 e também o preferia a Godinho Lopes em 2011.
    Já agora, um aparte, gostava muito neste blog das prospecções de mercado que fazia com jogadores potencialmente interessantes. Espero que volte.

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    1. Não tenho tempo para lhe responder como gostaria, neste momento. Compromissos mais altos se levantam. Fica para amanhã.

      Para já a única coisa mais sucinta que lhe posso responder é: você acha inconcebível pensar-se que é com BdC que vamos dar a volta, eu acho incompreensível como, perante o que já mostrou (ou, por outra, não mostrou) PMR, pensar-se que é com ele que se vai para a frente. PMR não é BdC, mas além de não ser BdC também não é muitas outras coisas. Informado, por exemplo, que nem sabia que as quotas revertem a 100% para o Clube.

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